O Herdeiro do Mundo

049 - De Volta na Cidade Natal

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

No dia seguinte Rayger já estava na mansão novamente. Ele disse para todos se prepararem porque iriam finalmente partir para a capital.

Não demorou muito para todos se arrumarem e as carruagens partirem. Agora eram três carruagens. Rayger ia na frente com alguns Elders e seus filhos homens, Rael, Mara e Rose na do meio e vários outros protetores na ultima.

Mara estava se sentindo bem à vontade com Rael, depois de se entenderem na cama os dois pareciam ter avançado para um tipo de nível diferente.

Mara estava sentada no colo de Rael, enquanto o mesmo cruzava suas mãos no ventre dela. Aquela cena mostrava o quanto os dois pareciam íntimos um do outro, enquanto do lado Rose ficava apenas olhando pela janela e de vez em quando olhando os dois.

Enquanto a viagem seguia Rael ficava se lembrando de flashes de sua memória. As ofensas, humilhações, o ódio dos próprios pais e a morte. Então veio a lembrança de Natalia a única que não o tratou mal. Rael sabia que logo mais ele estaria mais uma vez na cidade que havia se tornado o seu pesadelo por muitos anos.

A viagem durou um total de trinta horas. Tiveram que parar durante seis horas para descansar e alimentar os cavalos durante essa jornada.

Já anoitecendo finalmente chegaram na gigantesca cidade. Haviam pequenos edifícios com até seis andares. Comércios, bares, pousadas, ruas lotadas de pessoas mesmo a noite. A cidade era tão grande que apenas para cruzar ela inteira levaram mais quarenta minutos. Finalmente chegarem no imenso muro ao fundo da cidade que cercava todas as famílias do clã Torres.

Os enormes e poderosos muros tinham cerca de cinco metros de altura, tinha sobre eles dezenas de guardas espalhados por cima e todos de nível desconhecidos. Rael não conseguia sentir o nível de ninguém. Logo na entrada dos portões havia dez guardas juntos que ao confirmarem os Elders, abriram os portões pesados de aço rapidamente.

Logo adiante as carruagens começaram a andar por um lindo jardim de entrada muito bem cuidado e bem ordenado. Havia até uma praça no centro do jardim com alguns bancos de madeira. Tinha também algumas estatuas de dragão soltando água pelo jardim.

Adiante dos jardins começavam as casas. Algumas feitas da mais pura madeira, belas, exóticas. Algumas feitas de cimento bem pintadas, com varandas. Pequenos edifícios. Tudo ali dentro era muito mais bonito e mais vivo do que na cidade.

Rose não saia da janela admirando as luzes coloridas geradas pelas pedras espirituais que deixavam as casas muito mais bonitas. Tinham essas mesmas luzes até pelo jardim, o que parecia dar uma aparência mágica.

As carruagens continuaram seguindo pela trilha de pedras circulares. Os cascos dos cavalos agora faziam um som mais forte devido as pedras.

Rayger morava de frente a casa do patriarca Romeo. O patriarca obviamente morava no centro do território do clã. Um casarão gigantesco onde era ocupado pela sua esposa, filha, escravos e homens de sua maior confiança. Os Elders moravam em outros casarões próximos a centro como eles.

As carruagens pararam todas em ordem em frente ao casarão branco. Todos foram saindo das carruagens. Rael se virou e olhou para o seu antigo pesadelo, o casarão vermelho central. As janelas e portas eram todas feitas de ouro, havia varias rosas exóticas em vasos espalhados nas paredes.

― Essa é a casa do patriarca que logo em breve será nossa ― disse Mara baixinho no ouvindo de Rael porque notou ele olhando.

Rael ainda continuou olhando, e um estranho sentimento de raiva pulsava em seu peito. A cada momento olhando, Rael tinha mais memórias voltando daquela época. Seu corpo chegava a tremular de raiva enquanto um ódio intenso se formava.

― Rael eu to aqui com você ― disse Rose e agarrou o braço dele de lado. Mara agora estava conversando com o pai um pouco mais para o lado.

― Estou bem Rose, estou bem ― disse Rael mentalmente de volta.

Rael e Rose entraram acompanhando Mara. Mara os levou e entregou as chaves de um quarto grande e espaçoso no segundo andar, tanto Rael como Rose ganharam uma copia das chaves.

Mara não se importou em dar a eles um quarto de casal porque ela sabia que Rael e Rose não podiam se pegar de qualquer maneira, além disso, ela queria tratar Rael bem, então jamais brigaria por algo tão trivial. Nem seu próprio pai era contra porque ela seria? Os únicos a reclamar eram os irmãos que não concordavam em Mara ser tão boazinha com Rose.

Depois Mara levou Rael e apresentou o próprio quarto, obviamente ela esperava uma visita noturna.

Os protetores ou guardas da família, ficavam por fora da casa como na mansão comprada na outra cidade. Os escravos se faziam sempre presentes, as vezes fazendo algo ou em pé em algum lugar esperando por ordens.

Naquela noite Rael não foi procurar Mara, ele se quer pensou nisso. Seus pensamentos estavam todos sobre o local em que ele estava agora e seu peito ainda queimava com estranhos sentimentos. Rael tinha treinado um longo tempo para não expor o ódio pelos outros tão facilmente, mas aquilo era algo realmente complicado. Ele não imaginou que voltar para a cidade de seu pesadelo ia despertar tantos sentimentos estranhos e confusos, mas alguns deles estavam bem claro acima de todos os outros. Raiva e a vontade de se vingar.

Embora a cama fosse confortável e Rael estivesse deitado ao lado de uma beldade gentil, ele não conseguia pegar no sono, porque a todo momento as memórias vinham e ele consequentemente apertava os punhos e travava os dentes.

No outro dia de manhã cedo. Rael e Rose foram chamados por Mara e se dirigiram para tomar café na conzinha.

Rael tinha dormido bem pouco, ele mesmo nem tinha certeza se dormiu em algum momento. Ter visto Mara antes, Rayger, e alguns protetores, tinham apenas o preparado um pouco, agora tudo estava ampliado em varias vezes.

Rayger era um homem rico, por isso suas residências não ficavam muito atrás de Romeo o patriarca. O casarão era muito luxuoso com mobílias novas, tapetes por quase todas as partes tendo até mesmo nos corredores, quadros enormes, vasos com flores, o casarão era muito bem cuidado.

Assim que entraram na cozinha eles encontraram uma bela mulher morena, alta com um belo porte físico, cabelos longos e escuros usando um vestido amarelo bem chique. Ela tinha a cara de Mara aparentando ainda ter idade de uns trinta anos. Rael lembrou-se na hora que aquela era Neide mãe de Mara. Uma mulher bela, orgulhosa e poderosa. Diziam alguns boatos que no passado Rayger só se casou com ela porque ela o venceu em diversos duelos, era uma mulher com uma cultivação monstruosa, embora ela ao longo dos anos nunca tivera apresentado isso.

― Mãe! Este é Samuel aquele de quem eu falei, e esta é minha mãe Neide ― disse Mara apresentando Rael. Rael se aproximou educadamente e Neide o abraçou levemente o cumprimentando.

― Você é um rapaz muito bonito, vejo que está quase no quarto reino, você tem mesmo apenas quinze anos? ― perguntou Neide impressionada.

― Sim senhora ― respondeu Rael educadamente. Rael não tinha raiva dessa mulher por isso era fácil falar com ela. No passado ela nunca o maltratou, como Rayger ela também não rendeu mais do que uma mera olhada. Embora Rael soubesse dessas coisas, isso não fazia dela nem de Rayger pessoas melhores para eles, na verdade, eles nunca se quer defenderam Rael em qualquer assunto e nunca o ajudaram em nada, então eram todos como grãos em um pacote só.

― Seja bem-vindo a família, o que você precisar pode falar comigo que eu ajudarei. Espero que cuide bem da minha filha, sou uma mãe bem gentil com quem sabe ser gentil ― disse Neide sorrindo suavemente. Seu tom soou tão gentil que ninguém diria que aquilo era uma ameaça oculta.

― E esta é Rose, a segunda noiva dele ― apresentou Mara em seguida. Neide olhou para o lado encontrando Rose.

― É um prazer querida, fique a vontade pelo tempo que precisar ― disse Neide sem demonstrar qualquer indiferença no olhar. Rose acenou levemente com a cabeça em agradecimento a Neide.

O café se passou naturalmente. Neide explicava a Rael coisas que ele já sabia como dizer por exemplo, que a família Torres já tinha mais de mil anos de história. Ela contou que há quinhentos anos atrás eles se mudaram para a capital expulsando e destruindo o antigo clã mais forte na época que hoje não existe mais. Eles tinham tomado esse território através da força.

Depois do café. Rose e Rael saíram com Mara para conhecer o território. Os vários membros da família cruzavam as ruas animados, todos usavam com orgulho as roupas com o símbolo do clã. Moças, rapazes, adultos e até velhos.

Mara apresentou as duas escolas principais do clã e disse que Rael e Rose poderiam agora fazer parte se desejassem.

― Isso é uma escola de verdade, não é como aqueles lixos do império. Se entrarem na escola, vocês aprenderão técnicas únicas do nosso clã. Eles não costumam aceitar gente de fora, no caso como a Rose, mas como você é meu noivo e ela é sua noiva, então indiretamente ela estará na família ― explicou Mara.

Mara encontrava com diversas pessoas que as conhecia e assim fazia apresentações. Alguns, Rael conhecia de rosto, outros ele nem fazia ideia de quem era.

Mara os levou para uma doceria e Rose simplesmente explodiu de alegria. Podia-se notar claramente que Rose amava doces. Ela escolhia doces de vários tipos e de vários sabores, até mesmo bolos. Rael é quem estava pondo freio nela, porque ele sabia que depois aquilo poderia prejudicar o corpo ou saúde dela.

Depois os três seguiram para a praça no centro do jardim.

― Samuel você pode deixar ela em casa as vezes, sempre que saímos você trás ela. Minha casa é segura e ela não vai se machucar, você não precisa ficar tão preocupado ― disse Mara olhando Rael. Rose estava ao lado deles bem agachada olhando algumas borboletas em cima de algumas flores.

― Eu me sinto responsável por ela, ela não teve acesso ao mundo como contei pra você ― disse Rael olhando as costas de Rose.

― As vezes eu quero passar um tempo a sós com você e a presença dela me incomoda, por isso peço para você pensar nisso. Ela estará segura desde que esteja no nosso território ― disse Mara.

― Mara eu não confio nos seus irmãos, não confio deixar ela sozinha nesse lugar ― disse Rael de volta.

― Meus irmãos não farão nada a ela, pode ficar em paz sobre isso. Você salvou a vida do meu pai, não esqueça. Eles jamais ousariam fazer algo contra ela ― disse Mara de volta. Ela obviamente conhecia um pouco os próprios irmãos e concordava que Rose era de fato muito linda.

― Isso não me deixa seguro ― disse Rael.

― Se nem você pode tocar nela, o que dirá outros? ― perguntou Mara com um meio sorriso.

― Eu quero andar um pouco mais ― disse Rael ignorando o comentário dela.

Os três partiram caminhando e Rael foi na direção do muro onde antes tinha seu quarto de madeira. Não havia mais nada lá, nem marcas no chão de que indicassem as provas do pesadelo cruel de Rael.

― Samuel você está bem? ― perguntou Mara sem entender porque Rael ficava encarando na direção do muro.

― Estou sim ― disse Rael abrindo um leve sorriso. Depois se virou e saiu caminhando na frente. Mara e Rose se apressaram para o acompanhar.

― Eu quase esqueci de mencionar. Mais tarde meus pais vão nos levar para apresentar você para o patriarca e os outros. Nós iremos ser apresentados para as pessoas mais importantes da cidade e a noite terá umanúncio oficial para todo o clã ― explicou Mara. Rael ficou em silencio, ele estava prestes a ficar cara a cara com os próprios pais e talvez a sua irmã Natalia.

Agora que Rael era um cultivador saudável, noivo de uma importante mestra da família Torres, ele tinha o respeito dos guardas que passavam e o cumprimentavam mesmo que ele não cumprimentasse de volta. Ninguém olhava feio para ele nem o menosprezava. As outras mulheres e moças, tinham até um olhar de inveja para Mara. Rael diferente de antes tinha uma ótima aparência e um corpo forte, sem mencionar o fato que a maioria ainda não conhecia a idade dele verdadeira, porque aí saberiam que ele é um gênio para a idade.

A tarde depois do almoço, Rael acompanhou os pais de Mara e ela para a tal apresentação importante dentro do casarão do patriarca Romeu. Rose teve que ser deixada em casa e Rael deixou ela ciente de que qualquer problema poderia chamá-lo com urgência. Mesmo depois de Mara dizer para Rael não se preocupar, ele ainda não confiava nos irmãos dela. Ainda mais depois de descobrir o que um homem poderia conseguir de uma mulher. Não era atoa que homens até matavam por mulheres, Rael agora entendia esse sentimento que antes não fazia ideia. O corpo de uma mulher era como um tesouro sagrado capaz de dar um prazer fenomenal.

Rael não aparentava estar nervoso, só piscava os olhos um pouco mais que o normal. Ele já tinha treinado em sua mente a sua volta varias vezes, mas na sua visão ele matava todos friamente.

Rael por enquanto ainda não tinha poder para se vingar da maneira que queria, depois de tudo que ele viu ele ainda estava longe de ter. Por enquanto, ele ia apenas trabalhar com os pais de Mara que aparentavam mesmo querer tomar o poder de seu pai Romeo. Só em ver seu pai perder o trono já seria uma vingança para Rael, então ele definitivamente ajudaria nisso.

― Não precisa ficar preocupado, você não tem nada o que temer estando conosco ― disse Neide sorrindo passando a mão no braço de Rael tentando confortá-lo, depois ela seguiu adiante acompanhando seu marido que discutia algo com outro Elder que encontrou no corredor.

Eles chegaram a um corredor com uma porta laranja dupla, as duas portas já estavam abertas e varias pessoas estavam dentro. Haviam homens com aparências adultas e até homens com aparência de idosos. Havia também muitas mulheres importantes que acompanhavam os seus maridos, irmãos ou familiares.

A sala era muito espaçosa e todos que iam chegando iam se ajustando em cadeiras que cercavam duas poltronas ao fundo, uma delas estava vazia e na outra estava uma bela mulher loira de cabelos curtos com um vestido escuro bordado a ouro, ela era uma mulher levemente alta. Ela tinha um porte físico comum e um ar orgulhoso, cheia de jóias e anéis de ouro. Rael a reconheceu na mesma hora sua mãe Elisa. Ela aparentava ter uns trinta anos, mesmo já estando com quase cem anos. Sua aparência ainda era muito bela. Mas para Rael ela era um monstro.

Quando Rael a viu seu corpo inteiro tremeu, ele reteve com toda sua força o ódio que explodiu em seu peito. Mara e os pais dela estavam ocupados demais conversando com seus conhecidos para notarem Rael.

― Rael se controlelembre-se que eu estou com você ― disse Rose. Ela não estava próxima, mas podia sentir a ansiedade e o ódio de Rael. Conforme os dois iam ficando mais próximos, os instintos de Rose iam aumentando.

Quando Rael pensou que estava se acalmando. Um homem muito alto entra em cena cessando todas as conversas. Ele não disse nada nem se virou, apenas se dirigiu caminhando calmamente para a outra poltrona vazia ao lado de sua esposa.