O Herdeiro do Mundo

042 - Mundos Alternativos

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Os homens começaram a ter uma crise de tosse, todos eles levaram as mãos para suas próprias gargantas. Isabela estava ficando branca e fazia um pouco de careta, porque ela estava contendo a respiração desde a hora que viu a garrafa quebrada na frente.

Os sete homens estavam caindo um a um, todos tinham inalado o veneno invisível. Os outros três lutando mais longe viram seus colegas caindo um após o outro e todos eles ficaram confusos parando suas batalhas momentaneamente. Como os aliados de Isabela estavam sofrendo para segurar os inimigos, aquela parada foi um grande alivio para eles respirarem e tentarem recuperar um pouco de suas forças.

Isabela ainda segurava seu fôlego procurando em volta quem a ajudou, pois se não fosse por essa pessoa, ela e seus colegas certamente morreriam. No entanto ninguém aparecia, essa pessoa misteriosa certamente não queria aparecer. Mas Isabela queria saber quem era, porque essa pessoa salvou sua vida. Ela chegou a olhar para cima onde Ralf e Rose voavam, mas pelo ângulo que a flecha veio era impossível ter sido atirada dali, então ela descartou essa possibilidade. Ela até chegou a olhar para a direção certa varias vezes, mas não sentiu nem viu nada além de uma inclinação com uma rocha a frente.

Rael ficou encostado de costas para a rocha respirando aliviado. Isabela obedeceu ao seu pedido e por tanto ele não precisava atirar a terceira flecha. Ele não tinha como derrotar os últimos três por tanto não pretendia se envolver mais do que aquilo. Ele já tinha feito muito por uma pessoa que ele se quer se importava verdadeiramente. Talvez se ele não tivesse visto ela na cidade naquela época ele jamais teria a ajudado. Isabela era afinal uma mulher misteriosa para ele e bem conhecida pelas pessoas da guilda, além de ser bem bonita, mas era só isso.

Isabela não aguentou mais e voltou a respirar soltando o ar todo de uma vez, ela já estava quase desmaiando. O veneno já não estava mais no ar, ele já tinha se dissipado. Agora só restavam três inimigos.

Isabela juntou suas forças e se levantou, seus aliados não estavam bem também, mas agora eles tinham a vantagem dos números e poderiam virar aquele jogo. Então Isabela apertou a espada e o escudo e partiu para o mais próximo, a morena aliada de Isabela se levantou também pronta para ajudar. Isabela e seu grupo não estavam bem, mas agora tinham uma alta chance de vitoria.

Rael saiu correndo da área. Ele já tinha feito sua parte e se quer pretendia aparecer. Ele agora corria para o norte, havia um local prescrito pelo prefeito que ele estava curioso em conhecer o local selado.


Violeta pousou suavemente no chão. As ondas que faziam seu lindo vestido vermelho pararam de balançar normalizando. Então ela entrou no cômodo apertado e desceu algumas escadas saindo em um corredor iluminado por algumas velas nas paredes. Seguindo pelo corredor ela saiu em uma sala onde estava seu alvo.

Um homem alto e forte estava se preparando para sair com seu martelo esmagador duplo. Mesmo de longe ele havia sentido a morte de seus sete homens restando apenas três. Ele os ofendeu mentalmente em seu coração por serem tão idiotas. Esses homens não conseguiam matar se quer uma simples garotinha do sétimo reino.

Ele mal havia acabado de levantar seu martelo quando uma bela mulher tão linda como uma rainha trazida de um paraíso distante cruzou a porta. Ele não sentiu se quer um pingo da presença dela. Aquela frágil e bela dama o olhou com uma expressão misteriosa. Seus belos olhos escarlates pareciam ler todos os pensamentos do homem.

O homem não era ignorante, ele percebeu que havia algo de errado, ele não sentiu a mulher e agora ela o olhava com aquele olhar enigmático. O homem notou o sorriso frio do canto da boca de Violeta.

― Eu sou Beliel o Forte, me pergunto quem seria a bela dama? ― perguntou o homem cautelosamente. Mesmo ela tendo invadido o seu esconderijo ele não ousaria irritá-la.

― Me chamo Violeta. Mas isso em breve não terá qualquer relevância pra você ― disse Violeta e abriu um lindo sorriso. Um sorriso sedutor com um toque de frieza que foi sentido por Beliel.

― Eu não me lembro se algum dia eu ofendi tal beleza ― disse Beliel continuando cauteloso. Como ele ainda não sentia o nível do inimigo, só podia presumir que ela era mais forte.

― Você não ofendeu. Ocorre que simplesmente eu não posso deixar que saia vivo daqui ― Violeta disse isso com um tom doce em sua voz e um belo sorriso. Não parecia que era uma ameaça ou que ela estava prestes a matá-lo. Beliel deixou escapar uma intensa aura cinza enquanto segurava o martelo nas duas mãos. O cômodo inteiro começou a tremer um pouco.

― Já que esse é o caso eu não irei me conter ― disse Beliel se preparando para atacar. ― Esmagamento Vital! ― gritou ele e avançou como um flash contra Violeta. O vão inteiro tremeu fortemente. As paredes balançaram se rachando, o chão se partiu, o local estava prestes a desabar. A aura de um décimo reino era algo avassalador para um local tão apertado como aquele.

Booooom!

O martelo explodiu contra a mão estendida de Violeta que não moveu um dedo do lugar. O impacto lançou uma onda de energia em volta que foi forte demais para o local e tudo começou a desabar de vez. Paredes começaram a cair, terra e pedaços de pedras enquanto uma poeira subia cercando e escurecendo tudo.

Beliel mergulhou para fora dos escombros saindo no céu aberto e tossiu um pouco de terra. Ele se sentiu aliviado daquela terrível mulher ter ficado para trás. Mas assim que se virou de lado congelou completamente. Violeta estava ali parada de lado em pé esperando ele sair dos destroços, nem sua pele branca nem seu vestido tinham qualquer vestígio de sujeira. O homem não teve mais qualquer reação. A ultima coisa que ele viu foi os olhos de Violeta ficarem escuros, então a mão dela se moveu como um flash tão rápido quanto um raio.

Zuuup!

A visão do homem foi dividida em duas enquanto sua cabeça se partia em dois pedaços. Violeta se afastou a tempo antes do sangue sujar suas mãos ou até mesmo seu vestido.

Ela não pretendia interferir mais do que aquilo, porque ela sabia que no nível atual de Rael ele jamais teria chance contra um décimo reino. Depois disso, o corpo dela começou a flutuar para o ar conforme seu vestido começava a balançar suavemente de novo. Então em seguida ela subiu deixando o local.


Rael continuava avançando seguindo para o norte.

― Você vai mesmo deixar eles daquele jeito? ― perguntou Rose de cima.

― Não se preocupe Rose, Isabela parecia esgotada, mas isso era contra sete inimigos, uma vez que ela tem ajuda de seus aliados e somente três, eles estarão em vantagem, mesmo sobre aquele estado. Ela pode lutar até mesmo sem sua técnica ativada ― garantiu Rael depois de ter assistido boa parte da luta.

Ralf continuava carregando Rose por cima e durante o caminho, Rose foi guiando Rael pelos locais diferenciados da ilha. Pontes, pequenas cabanas, algumas entradas de cavernas.

Duas horas depois Rael tinha reunido um total de dez esferas já com as que tinha. Eles estavam chegando ao gigantesco vulcão a frente, o ar já tinha ficado até mais quente em volta. Rael mandou Rose e Ralf descerem então ele fez Ralf voltar para ele.

― E agora? Vamos voltar? ― perguntou Rose vendo a trilha que continuava ao norte seguindo para o vulcão e outra a direita.

― Voltar? Você ta brincando, temos um local misterioso a visitar ainda ― disse Rael e se dirigiu pela trilha a direita que seguia pelas beiradas do vulcão. Rose o seguiu sem dizer mais nada.

Dez minutos de uma tranquila caminhada Rael e Rose finalmente chegaram a uma caverna como o prefeito havia dito. Havia uma barreira de energia elétrica amarela em volta de toda a entrada. Tudo que Rael e Rose podiam ver era o começo da descida da caverna e três corpos em decomposição no caminho da descida. De onde eles estavam era possível senti o mal cheiro gerado pelos corpos a frente.

Rael procurou em volta e percebeu que os selos de ativação dessa barreira não estavam à vista, eles podiam ser encontrados numa distancia de cem metros do local que a barreira fora criada, porém, seriam pelo menos vinte selos, isso demoraria pelo menos umas cinco horas ou mais com ajuda de Rose procurando.

― Isso é uma barreira elétrica ― disse Rose mentalmente.

― Você consegue quebrar? ― perguntou Rael de volta.

― Isso está acima do que posso fazer, mas porque você ia querer entrar ai? Se o prefeito estava certo, caso você tente entrar morrerá como aqueles três ― disse Rose olhando a frente.

― Só acredito vendo com meus próprios olhos ― disse Rael e estendeu a palma direita para saber se a barreira era realmente forte. Rael sentiu como se tivesse tocando a mão em uma fina camada de água, então ele avançou a mão e barreira foi empurrada com elasticidade seguindo com a mão de Rael. Tanto Rose como ele ficaram olhando aquilo surpreso. Rael não entendeu como isso ocorria, mas decidiu avançar e partiu caminhando com a mão estendida. Chegou um ponto onde a barreira ficou tal torta, que ela tremeu e voltou de uma vez para a entrada deixando Rael agora pelo lado de dentro.

― Como você fez isso? ― perguntou Rose se aproximando com a mão direita e estendida. De barreira ela entendia um pouco, porque sua mãe sempre formava barreira quando as duas não eram humanas para se protegerem.

Com Rose não teve o mesmo efeito, por mais que ela empurrasse a barreira não se movia do lugar e ainda ficava queimando contra sua palma. Rael ficou olhando aquilo por um tempo.

― Parece que você vai ter que me esperar ai ― disse Rael mentalmente. Rose desistiu ficando um pouco chateada do lado de fora.

― Mas tome cuidado, lembre-se do que o prefeito disse ― disse Rose de volta.

Rael virou-se e deu alguns passos adiante parando a dois metros dos corpos. Os corpos estavam caídos em mergulho, de modo que realmente parecia que eles estavam apenas andando e caíram sendo mortos de repente. Rael verificou se havia ferimentos ou algo assim nos corpos, nada. Então Rael correu os olhos pelas paredes em volta procurando qualquer sinal que pudesse trazer a ativação da morte deles, algum buraco com armadilha que pudesse cuspir algum veneno, nada também. Por ultimo Rael fechou os olhos e se concentrou lançando sua aura em volta.

Quando Rael abriu seus olhos, sua visão tremeu mesmo com a cabeça parada no lugar. Ele estava olhando a descida a frente e vendo ilusões de um outro local, era como se duas realidades estivessem se misturando. Isso fazia a visão de Rael tremular enquanto mudava. Em uma visão era apenas a descida comum da caverna normal como agora como as paredes escuras e úmidas. Na outra era aparecia um corredor bem estruturado, com paredes limpas, lisas e com cores azuis mais vivas, parecia ser um corredor formado inteiramente de pedras ovais, com exceção do chão onde possuíam degraus de mármore de vinho. A visão desfocada mostrava um corredor de algum local importante como um castelo ou algo assim. Olhando para os lados das paredes, Rael viu Selos Mortais, na mesma altura onde os homens tinham morrido, haviam pelo menos cinco selos em cada lado da parede, mas só podiam ser vistos na visão do corredor perfeito.

― Rael o que aconteceu? Você está parado aí a tanto tempo o que houve? ― perguntou Rose. Rael não respondeu, ele deu mais dois passos a frente quase esbarrando nas pernas dos corpos e esticou a mão para a parede tentando pegar os selos. Rael sentiu um liquido quente escorrendo de seu nariz enquanto sua mão mergulhava no ar vazio, embora na visão dele ele estivesse raspando os dedos nos selos ele não sentia nada. Rose de trás via Rael com a mão erguida tentando agarrar o nada.

Rael continuou tentando pegar um dos selos mais sua mão não alcançava.“ ― Me ajude…”. Rael ouviu aquele pensamento de uma bela voz feminina o chamando que parecia vim de baixo. Aquilo fez ele recuar a mão e dar um passo para trás, um liquido quente continuava escorrendo de seu nariz. Rael percebeu que estava um pouco tonto também. Conforme ele se afastou para trás toda a visão da caverna se estabilizou.

― Rose você não viu nada de estranho agora? ― perguntou Rael.

― Não vi nada por quê? ― perguntou Rose.

Rael se concentrou nas imagens que viu a pouco e enviou mentalmente a moça. Ele não fazia perfeito como Rose, mas ela teve uma boa noção do que ele viu.

― Sabe o que isso significa? ― perguntou Rael.

― Parece uma brecha de mundos alternativos ― disse Rose.

― O que isso quer dizer? ― perguntou Rael e se virou pra moça.

― Rael você está sangrando! ― Rose ficou preocupada e esqueceu seu raciocínio.

― Eu sei já senti ― disse Rael e passou a mão no nariz. ― continue o que estava dizendo.

― Um mundo alternativo é formado em determinadas partes do mundo real, mas pessoas comuns não são capazes de vê-los. Um mundo alternativo é um sub-mundo do mundo real no qual existem outras possibilidades de tempo, passado e futuro ― explicou Rose. Ela não podia dizer muito mais do que aquilo, até porque ela também não sabia muito. O Herdeiro do Mundo Completo, era o único que tinha acesso a esses mundos.

― Se pessoas normais não sentem, porque eu posso sentir? Aliais, esses homens morreram por causa de selos desse outro mundo alternativo, como isso é possível? ― perguntou Rael.

― Você é diferente Rael por causa de toda sua ligação com Violeta. Sobre o outro mundo interferir nesse, pode ser devido algum forte poder envolvido, alguém que está tentando forçar uma ligação com esse mundo ― explicou Rose e Rael se lembrou da voz, mas preferiu não mencionar, não ia ajudar em nada mesmo.

― Que beleza, viagem inútil no final das contas ― disse Rael voltando na direção de Rose, estendeu a mão e passou facilmente pela barreira que mais uma vez se esticou até onde dava e depois voltou ao normal deixando Rael pelo lado de fora.

― Você está bem? ― perguntou Rose ainda vendo o nariz dele sujo de sangue.

― Acredite, vou sobreviver ― disse Rael sem muita importância e saiu caminhando na frente. Rose o acompanhou e entregou a Rael um de seus lenços brancos tirado de seu bracelete. Rael aceitou e começou a limpar o nariz.


Isabela e seu grupo estavam todos unidos sentados em volta de uma arvore. Eles tinham conseguido juntos acabar com os três restantes mesmo estando tão cansados.

― Eu pensei que dessa vez íamos mesmo morrer ― disse a outra loira do lado de Isabela.

― Eu acho que eles eram da guilda dos assassinos, devem estar com raiva pelo que fizemos da ultima vez ― disse Bryam do outro lado da arvore.

― Eu só quero saber quem nos salvou por enquanto ― disse Isabela.

― Acho que vamos encontrar essa pessoa na saída, se é uma pessoa inteligente então já deve ter tentando dar o pé desse lugar ― disse Bryam.

Naquele instante um vulto vermelho desceu diante deles. Todos se levantaram e correram para o lado de Isabela sacando suas armas. Isabela sacou escudo e espada encarando a bela mulher. Nenhum deles conseguiam sentir o poder de Violeta.

― Abaixem suas armas, não vou matar vocês. Só quero conversar com você, fazer algumas simples perguntas ― disse Violeta encarando Isabela.

Todos olharam para Isabela querendo saber o que ela decidia.

― Muito bem fale ― disse Isabela baixando a espada.




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