O Herdeiro do Mundo

041 - Estratégia Venenosa

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Com Rose e Ralf seguindo e dando apoio aéreo Rael não os perdeu mesmo não sentindo a energia deles ainda continuou no encalço graças a Ralf.

Cerca de vinte minutos de pura perseguição eles finalmente fizeram uma parada definitiva cercando um grupo de quatro pessoas. Rose podia ver três mulheres e um cara. Rael reconheceu mesmo de longe aquela armadura de ouro. Isabela. Ele estava certo, até porque entre os enviados a esta ilha somente Isabela e seu grupo estavam no sétimo reino, sendo Isabela a mais forte deles.

Enquanto avançava se aproximando Rael já começava a pensar sobre o que ia fazer. Se uma batalha entre eles fosse iniciada o grupo de Isabela com certeza seria destruído. Entrar numa batalha entre cultivadores do sétimo reino para Rael era completamente impossível agora. Ele seria destruído em um piscar de olhos.

Rael ficou pensando o porque ele ajudaria Isabela, qual motivo daria alguma vantagem ou ajuda em seu objetivo. Isabela era apenas uma bela mulher que fazia parte da guilda imperial como ele, os dois nunca nem tinham se falado, mas mesmo assim ali estava ele pensando ilogicamente em salvar aquela mulher. Talvez aquilo fosse parte de seu desejo masculino? Não obviamente não era, a pouco ele matou mulheres bonitas sem pensar duas vezes, embora fossem de clãs inimigos. Rael não sabia de que clã Isabela pertencia.

― Eles começaram a lutar Rael! Eles parecem que querem mesmo matar aquele grupo― disse Rose mentalmente. Pelos olhos de Rose Rael viu os membros de Isabela lutando. Cada aliado de Isabela lutava de igual a igual com um dos homens, enquanto Isabela estava sendo cercada pelos outros sete. Com Ralf mais perto agora a visão de Rael estava melhor.

Por questões de números aquela batalha já estava decidida. Os aliados de Isabela só tinham poder suficientes para segurar seus inimigos por um tempo, enquanto Isabela sendo a mais forte estava sendo cercada e atacada em todas as direções por sete! Sete mesmo reinos contra um do mesmo.

― Rael o que vai fazer? Isso não é uma batalha que você possa se envolver, mesmo com suas habilidades ― pensou Rose preocupada.

Rael se lembrou da erva rara confrei que ele tinha encontrado na época que esteve com Janete e se entristeceu, porque ele pretendia guardar aquela rara erva para uma ocasião especial. Agora só existia uma possibilidade para ele ajudar Isabela e seu grupo.

― Não se preocupe eu tenho um plano. Quero que procure uma inclinação nos terrenos em volta, um local do qual seja difícil eles me verem de baixo ― disse Rael.

Ralf ficava girando em volta no ar a mais de setecentos metros de altura. As vezes a visão compartilhada de Rose até chegava a falhar devido a distancia mas voltava rapidamente conforme o giro e a aproximação de Rael.

Com a visão de Rose Rael encontrou um local adequado, um terreno inclinado, quase como um pequeno morro não muito longe deles. Ocultando a aura Rael passou a correr mais devagar.

― Foque na batalha, quero que olhe cuidadosamente a batalha entre a garota com armadura de ouro e os vários homens de preto ― pediu Rael. Rose passou a olhar somente esse ponto.

Isabela estava lutando com todas as suas forças. Ela lutava usando um escudo triangular na mão esquerda e uma espada com empunhadura de ouro de uma mão na direita. Tinha uma aura vermelha ardente que mostrava que ela tinha a liberação das chamas. Isabela já estava com sua técnica de Expansão de Poder ativada, essa técnica aumentava sua velocidade e força em batalha em quase duas vezes embora consumisse uma boa quantidade de energia. Ela frequentemente usava também três tipos de diferentes técnicas de ataque com a espada.

Os homens estavam todos de armas em mãos e suas técnicas ativadas, eles também usavam técnicas de ataque contra Isabela. Isabela conseguia resistir bem graças a sua técnica e sua armadura que era extremamente resistente, mas ficava claro que aquela luta não duraria muito tempo, porque a cada momento Isabela ficava mais cansada.

Os outros aliados de Isabela estavam tendo dificuldades, porque todos eles estavam no sétimo reino níveis iniciais, contra homens que eram todos níveis médios acima. Mesmo um nível dentro do sétimo reino já fazia uma enorme diferença.

Rael conseguiu chegar ao local que queria e se agachou atrás da rocha que dava visão a eles. Então ele rapidamente espalhou os ingredientes no chão, preparou a fornalha, a erva confrei e a poção do oculto que continha o veneno (Lebras Agressivos). Rapidamente Rael derramou o liquido dentro de uma pequena garrafa diferente. Juntou a erva confrei com uma erva comum Malva, muito usada em remédios e apertou as duas nas mãos e as transformou em liquido deixando a água escorrer entre seus dedos para dentro da garrafa com veneno. Imediatamente o veneno começou a borbulhar. Rael então batizou o veneno com sua própria aura por breves segundos e então fechou a tampa. Por dentro veneno continuou borbulhando. Durante o processo de batismo Rael manteve a respiração presa só por precação.

Com a garrafa borbulhando Rael passou a fazer uma segunda porção o mais rápido que pôde. Porque enquanto ele fazia as porções ele via Isabela sofrendo cada vez mais. Terminado os preparos, Rael colocou a outra garrafa dentro da fornalha, essa garrafa foi posta sem tampa.

Isabela parecia que estava sendo quase derrotada, ela parou baixando sua guarda cansada e os sete homens partiram para dar o golpe final.

― Aguente mais um pouco! ― rugiu Rael em sua mente. Ele separou um arco e cinco flechas que havia furtado de um dos cadáveres na batalha entre os grupos Sangnos e Torres.

Isabela explodiu de seu corpo um escudo em chamas circular que consumiu toda a grama em volta e pequenos matos. O homem mais perto dos que atacava não teve tempo de reação, sua espada foi transformada em pó junto com seu braço enquanto ele gritou miseravelmente e recuou para trás junto com os outros que conseguiram voltar inteiro. O homem ficou caído no chão gritando enraivecido sem seu braço, tudo que tinha sobrado era um pedaço de pele, carne e ossos soltando fumaça em um perfeito corte, nem sangue saia.

O escudo ficou em volta de Isabela contornando o corpo parado dela em um raio de três metros, ela planejava usar aquilo como uma surpresa para acabar com alguns homens, mas eles tinham um tempo de reação muito bom.

― Desgraçada! Quando eu te matar vou arrancar e comer a carne de seus olhos! ― rugiu furioso o homem que tinha perdido o braço. Os outros ficaram apenas esperando o escudo de Isabela encerrar. Pela expressão dela, podia-se notar que ela estava quase no limite.

Rael olhou para a fornalha trabalhando. Graças a Isabela usar a habilidade Proteção de Chamas, talvez Rael não precisasse da ultima garrafa, mas haveria uma chance de Isabela não entender e tudo dar errado no final das contas. Rael nunca contou com a sorte e não seria hoje que ele pretendia contar. Mesmo que Isabela não fosse alguém importante para ele, ele já tinha decidido ajudar, então faria aquilo direito.

Rael suspirou se concentrando e puxou o arco. Preparou uma flecha, mirou por cima da pedra, puxou a corda e atirou. A flecha passou vários metros acima da cabeça de Isabela e dos homens, ninguém nem chegou a da atenção ao fato, mesmo se uma flecha fraca daquelas acertasse alguém não causaria muitos problemas. Rael estava conferindo a força do vento assim como e a força do arco, apesar de não praticar, Rael tinha uma noção sobre o uso de arcos. Mais uma vez nenhuma explicação de como, porque Violeta nunca o treinou com armas.

Após sentir a força do vento e a corda do arco, Rael se concentrou guardando aquela informação para si. Pesou uma pedra na mão do tamanho e peso próximo a garrafa e então usando a própria habilidade passou uma sombra esverdeada grudando a pedra na ponta da flecha. Então Rael mirou na mesma direção de antes e novamente atirou.

O escudo de Isabela tinha sido encerrado e a batalha estava explodindo novamente. Isabela estava ainda mais esgotada, podia-se ver uma grande quantidade de suor descendo no belo rosto dela. Quando a flecha passou por cima mais uma vez ninguém nem se quer viu.

Rael se voltou para seus preparos, retirou uma folha em branco de seu bracelete e escreveu rapidamente. “Não respire” em seguida ele dobrou o bilhete. Ele retirou outra erva de seu bracelete, “valeriana” uma erva de cor rosa, ela tinha uma grande resistência a fogo. Rael juntou as mãos usando sua energia e espremeu o liquido dela por cima do bilhete molhando o papel. Depois ele amarrou o papel molhado em uma flecha usando a mesma habilidade de antes. Em seguida ele balançou a garrafa de veneno e percebeu que já não borbulhava mais, o veneno já estava pronto. Então ele preparou a garrafa com veneno grudando em outra flecha usando a mesma habilidade de antes. Sua energia escuridão com parte da natureza.

Rael olhou para a fornalha e não sabia se iria dar tempo esperar o antídoto, bem de qualquer forma ele ainda teria que atirar aquelas duas flechas.

Rael preparou a flecha com o bilhete e deixou pronta no arco, agora era só esperar Isabela usar mais uma vez a Proteção em Chamas.

A batalha embaixo continuava. Isabela tinha levado diversos golpes de raspão e tinha tomado um golpe mais profundo na coxa direita. Seus aliados estavam em desvantagem mesmo lutando contra apenas um. Para eles já não parecia ter nenhuma chance de vitória, todos eles seriam mortos sem piedade por aqueles homens de mascaras.

Desde o começo não houve conversa, eles apenas partiram e atacaram o grupo de Isabela sem dizer qualquer palavra. Para eles a ordem era para exterminar Isabela e qualquer um que estivesse com ela. Roubar todos os braceletes e voltar.

― Parece que você já não aguenta mais princesa ― disse um dos homens passando a lâmina da adaga na própria língua enquanto encarava a bela Isabela. Eles chegavam a ficar um pouco decepcionados de ter que tirar uma vida de uma beldade daquelas, mas ordens eram ordens.

Isabela estava cada vez mais cansada e seu corpo quase chegava a desmorona, se ela caísse agora todos os seus amigos colegas morreriam juntos. Ela não podia ajudar eles, ela mal podia se ajudar.

Os homens cercavam a ela, se preparando para atacar, mas estavam receosos, porque da ultima vez que fizeram isso o colega o perdeu o braço. Ninguém pularia pra cima dela sem ter certeza. Por isso alguns homens avançavam um pouco e tentavam estocá-la a distancia, isso fazia ela rebater o ataque ou usar o escudo. Mesmo o homem sem um braço não ousava deixar a raiva dominar, porque ele queria ficar vivo para ver Isabela sofrendo uma morte miserável.

Isabela respirou puxando as ultimas forças, ela não tinha mais chance de vencer, mas antes de morrer ela pretendia levar pelo menos um ou dois com ela. Ela saltou em meio aos homens surpreendendo eles e ativou sua habilidade Proteção de Chamas pela ultima vez.

Os homens rapidamente recuaram para trás porque entenderam as ações de Isabela. Quando a chama cresceu circulando Isabela e consumindo tudo em um perfeito circulo, eles já estavam todos salvos a cinco metros de distancia. Isabela caiu no chão de joelhos e só não desabou completamente porque se segurou com uma mão. Quando a proteção de fogo chegasse ao fim os mascarados iriam tirar a vida dela sem piedade, porque ela não tinha mais forças para continuar aquela batalha.

O homem que havia perdido um braço olhava para ela com fogo nos olhos. Entre os sete ele era o que mais desejava arrancar a cabeça de Isabela.

Isabela sentiu algo colidi contra sua proteção de chamas. Todos viram uma faísca se forma na ponta diagonal da altura da proteção quando uma flecha bateu queimando. Então um bilhete caiu dobrado na frente de Isabela. Ela ficou curiosa devido o bilhete não se queimar e ainda passar sobre sua proteção, então ela abriu e leu. Ela mal acabou de ler e o bilhete se queimou em suas mãos. Quando Isabela ativava essa proteção, tudo perto dela até as bordas circulares pegavam fogo. As roupas e equipamentos de Isabela só não pegavam fogo devido ter a própria aura dela. O bilhete durou apenas o tempo suficiente do efeito da erva acabar.

Os homens não entenderam o que havia acontecido, mas não se importavam. Todos eles já tinham notado uma besta voando sem parar circulando eles acima. Mas a besta era mais fraca que eles, por isso não estavam dando muita atenção. Além da besta sentiram Rose um quinto reino e nada mais além disso.

― Parece que sua hora chegou ― disse o que tinha perdido o braço se aproximando com uma espada. A proteção de chamas de Isabela estava perdendo o efeito.

Rael preparou a flecha com a garrafa de veneno. Puxou a corda até o limite e atirou. Se ele errasse aquele tiro Isabela e seu grupo morreriam sem a menor chance.

A flecha voou levando as esperanças do grupo de Isabela. Embora nenhum deles estivesse esperando por qualquer coisa. A flecha bateu na frente de Isabela e dos homens que já iam parti para cima dela.

Todos eles pararam porque viram uma pequena garrafa se quebrar na ponta da flecha quando ela furou o chão. Um pó verde sem importância aos olhos de ninguém foi liberado saindo da garrafa.

Os homens olharam em volta confusos porque agora sim eles perceberam que alguém atirou uma flecha, mas quem?

― Que cheiro estranho ― disse um dos homens.

― Realmente ― disse um outro. Mas eles não estavam vendo nenhuma cortina de fumaça, então de onde vinha o cheiro?

― É da garrafa! Deve ser veneno! ― gritou um dos mascarados, mas já era tarde demais, todos eles já tinham inalado. A garrafa havia espalhado uma cortina de fumaça invisível perto de Isabela e todos eles.


Acima da ilha Violeta e Rika chegaram. As duas puderam ver de longe a energia azulada transparente da Proteção Absoluta cercando toda a ilha.

― Você espera aqui fora, eu entro e dou uma olhada. Se você entrar e sua filha estiver aqui ela irá sentir você. Não quero que os dois pensem que vamos está dando apoio a eles toda vez que se meterem em problemas ― disse Violeta mentalmente pra Rika. Rika concordou e permaneceu flutuando no ar alguns metros da proteção.

Violeta cruzou a linha entrando. Então ela sentiu todos os pontos de energia espalhados pela ilha. Rapidamente ela sentiu Rose e Rael e todos os outros presentes. Tinha até mesmo uma pessoa no décimo reino. Aquilo não era oponente para Rael, nem para qualquer um naquela ilha. O que mais surpreendeu Violeta, no entanto foi outra coisa e ela tinha que conferir com os próprios olhos.

Mesmo com Rika a vinte metros dela, ela não sentia Rika nem podia se conectar mentalmente, uma vez que as duas estavam separadas pela barreira.

― Sua filha está segura com Ralf voando pela ilha longe dos perigos. Rael é o único metido em problemas. Fique aqui fora que vou da uma olhada em algo ― disse Violeta em vos alta e Rika fez um sim mostrando que entendeu. Embora pensamentos e sentidos não passassem pela barreira o som ainda podia ser ouvido. Violeta se virou e como um flash voou para a direção de um décimo reino.

Rika ficou apenas do lado de fora confiando em Violeta. Ela ficou muito aliviada sabendo que sua filha estava bem.