O Herdeiro do Mundo

040 - Os Homens de Mascaras

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Rael e Rose avançaram pela ilha correndo por uns dez minutos. Durante esse tempo eles toparam com uma cabana abandonada e procuraram por algo, encontrando um baú com uma das esferas amarelas dentro.

Eles continuaram procurando novos locais na ilha e durante esse tempo encontraram outros participantes. Dessa vez Rael manteve Rose ao lado para procurar confusão e ver se algum engraçadinho resolvia pular a linha de respeito. Não houve ninguém com ousadia. Eles apenas trocaram palavras e cada um seguiu seus rumos. Eles nem se quer ameaçaram Rael por qualquer esfera, mesmo Rael tendo mostrado a dele. O que deixava a coisa sem graça.

― Esses participantes são um bando de covardes ― reclamou Rael irritado avançando com Rose. Ela riu mentalmente porque Rael fazia de tudo para provocar brigas e mesmo assim os outros não caiam. Até parecia que alguns já poderiam prever os resultados. Mas a maioria tinha visto o que Rael fez esses últimos dias e jamais ousariam ofender Rael.

Uma hora depois Rael se deparou com uma situação bastante inusitada. Em um campo aberto havia alguns membros do clã Torres, uns oito, do outro lado havia uma dezena de membros do clã Sangnos. Entre eles haviam até mesmo varias cultivadoras que poderiam ser consideradas como belas.

― Parece que vou fazer uma festa agora ― disse Rael esfregando as mãos enquanto sorria avançando. Ele não precisava de motivos para matar qualquer um que fizesse parte de uma das maiores potencias.

Os membros do clã Sangnos, tinham como símbolo uma taça de ouro derramando vinho levemente virada de lado.

Os dois clãs ficavam divididos cada um ameaçando de um lado como se tivesse uma linha invisível entre eles. Todos armados até os dentes, técnicas ativas, auras de batalhas prontas para começar, mas nenhuma ação.

Rael mandou Rose esperar e se aproximou e entrando no lado do clã Torres. Aquele grupo tinha visto Rael mais cedo com Mara e o primeiro Elder Rayger, por isso eles tiveram Rael ali como um aliado naquele momento.

― Tome cuidado Samuel, essa família é traiçoeira ― disse um dos cultivadores da família Torres que Rael parou do lado.

― Nós? Vocês deveriam se envergonhar! Nós vencemos em um duelo justo para decidir quem ficava com as esferas e vocês se recusaram a entregar. Isso já é motivo para nós surramos vocês até a morte ― disse uma bela cultivadora do clã Sangnos ela estava de frente ao grupo e parecia ser a líder.

― Vocês roubaram! Não vamos aceitar uma derrota daquelas ― disse o um homem no sexto reino do lado da família Torres, ele poderia ser o líder desse lado.

Rael entendeu rapidamente o que houve. Eles travaram um duelo para decidir quem ficava com as esferas encontradas e o clã Torres perdeu por alguma razão. O que segurava os dois grupos naquele momento, era o fato que as duas famílias eram poderosas por trás. Uma briga começada ali poderia gerar até uma guerra depois entre os clãs. Ninguém queria ser culpado por causar uma guerra, mas também ninguém parecia querer deixar aquilo para trás.

― Pessoal porque vocês não me deixam falar? ― perguntou Rael tomando a frente entrando no meio entre os dois grupos. Tanto a garota que parecia ser a líder dos membros daquele grupo Sangnos quanto o homem da família Torres se viraram para Rael.

― Eu tenho uma excelente noticia para todos vocês. Acontece que nessa ilha estamos todos dentro de um Campo Absoluto. Vocês sabem o que isso quer dizer não é? ― perguntou Rael olhando em volta. Ninguém disse nada. ― Quer dizer que qualquer morte ocorrida aqui o pedaço da alma fica retida e não volta ao Pilar da Família, em resumo. Ninguém lá fora saberá o que ocorreu aqui ― disse Rael e preparou o braço esquerdo.

― Espada de Terra ― disse Rael conjurando a espada no antebraço esquerdo. ― Movimento de Terra ― disse Rael novamente em seguida ativando sua técnica de velocidade.

― Rose fique atenta, se alguém tentar fugir não importa de qual lado mate na mesma hora ― disse Rael mentalmente. Ali havia membros no quarto, quinto e alguns poucos no sexto reino.

Todos ainda estavam calculando aquela explicação de Rael quando ele rapidamente se dirigiu ao membro mais próximo do grupo Sangnos. O cultivador com espada em mãos reagiu contra Rael no primeiro sinal, Rael quebrou a espada na mão direita e com a esquerda estocou e atravessou o peito do cultivador. Aquela cena fez todos entenderem que Rael não estava mentindo, ele não mataria um membro de uma importante família se não tivesse certeza de suas próprias palavras.

― Acabem com todos! ― gritou a líder do grupo vendo seu membro morrer.

― Peguem eles! ― gritou o líder do grupo Torres do outro lado.

Rael saiu se esquivando de vários ataques em seguida. Os membros do grupo Torres rapidamente entraram em cena ajudando Rael, porque todos ali do grupo Torres tinham Rael como um aliado.

― Rose compartilhe sua visão ― disse Rael. Como Rose estava em um terreno mais elevado assistindo a batalha ela tinha muito mais visão. Isso dava a Rael uma boa ideia de quem estava olhando o que ou quem. Rael partia para os grupos de luta matando não só membros do clã Sangnos como também membros do clã Torres traiçoeiramente. Todos estavam ocupados demais para estarem prestando atenção em qualquer coisa. Até mesmo belas cultivadoras caiam sendo mortas cruelmente por Rael. É claro que no meio do processo as famílias conseguiam matar um ou outro também reduzindo os números que Rael mataria.

Aquilo virou um verdadeiro banho de sangue. Em menos de quinze minutos, os últimos a sobrarem foi o líder do grupo Torres e a líder do grupo Sangnos. Eles estavam travando uma batalha apertada quando Rael chegou por trás do líder e o matou cruelmente atravessando a espada de terra pelas costas do mesmo até sair do outro lado. Quando eles percebiam que estavam sendo mortos por Rael já era tarde demais. O líder ainda caiu no chão cuspindo sangue de olhos arregalados para Rael. Ele nem conseguiu falar antes de morrer.

A mulher viu todas as roupas manchadas de Rael e como ele matou seu próprio aliado. Ela girou em volta e percebeu que todos estavam mortos, menos a garota de cabelos azuis um pouco longe. As mãos que seguravam as lanças começaram a tremer encarando o homem de olhar frio a frente. Rael matou o líder deles sem mesmo apresentar nenhum sentimento, não só isso. No meio da confusão ela chegou a ver Rael assassinar os próprios aliados, mas estava ocupada demais para se preocupar com isso.

― Parece que eu cheguei no meu limite ― disse Rael olhando as próprias mãos. Seu poder tinha estacionado no nível nove e dali não subiu mais. Quarto reino nível nove.

― Quem é você? ― perguntou a mulher um pouco assustada. Ela era uma bela mulher do sexto reino nível dois. Pelo tom de voz dela podia-se notar que ela estava um pouco assustada.

― Eu? O que isso importa, uma vez que você também vai morrer ― disse Rael avançando friamente caminhando na direção dela. Rael era apenas um terceiro reino nível nove para ela, mas não era o que parecia. Rael já tinha matado um membro dela em uma troca de golpes, se esquivado de dezenas de ataques e até dela mesmo durante um momento da luta. Ela conhecia bem a força de Rael.

― Por que matar a todos? O que você ganha com isso? ― perguntou a mulher caminhando para trás sem soltar a lança.

― Sem testemunhas ― disse Rael e partiu. A mulher começou a trocar golpes contra Rael usando sua lança e sua técnica corporal já ativada que aumentava sua força.

A luta não rendeu nem trinta segundos direito até a lança sair voando da mão da mulher e ela cair para trás. Rael se aproximou com a espada de Terra mirando em seu belo rosto. A mulher se manteve em silencio sentada no chão. Pelo olhar de Rael ela sabia que não adiantava se humilhar pedindo clemência, ela não sairia viva daquela situação.

Rael não tinha nada em seu coração mesmo quando matava uma mulher. Ele já tinha em mente seu objetivo que era começar erradicando as potencias, então mesmo aquela bela mulher não tendo feito nada contra ele, já tinha seu futuro escrito nas mãos de Rael.

― Hora errada, lugar errado. Eu simplesmente não posso permitir que testemunhas sobrevivam ― disse Rael e estocou contra o peito dela. Rael a matou tão facilmente quanto matou os outros. Ele tinha em mente exterminar as cinco famílias que lideravam o poder que fazia a roda da escravidão. Mas ele ia procurar um motivo antes de exterminar as outras famílias. Rael não teve muita piedade desse grupo porque também se lembrou de Janete.

A mulher ainda sofreu alguns segundos no chão antes de morrer sobre a poça de seu próprio sangue. Rael não deu a ela mais do que um olhar. Tomou todos os braceletes e mais uma vez reuniu uma nova parte do lucro.

― Você acha que todos eles são culpados? ― perguntou Rose quando chegou a ele.

― Você mesma viu a face de Mara naquele dia. Todas as famílias fortes devem ser do mesmo jeito ― disse Rael mentalmente de volta. Ele estava agora com cinco esferas. Tinha encontrado quatro delas entre os dois grupos.

― Quando terminar com essas cinco famílias, acha que não irá mais existir escravização? Acha que todo esse mal estará terminado? ― perguntou Rose.

― Só posso saber tentando. De qualquer modo agora não tenho mais motivos para matar ninguém por agora, meu poder parou de aumentar de novo. A parti de agora se surgir problemas você está livre para ajudar ― disse Rael. Rose fez um sim sem responder nada. Ela queria mostrar a Rael do que era capaz.

Os dois se afastaram da área. Rael encontrou um pequeno rio, se banhou e trocou suas roupas na frente de Rose sem se importar. Rose é claro que ficou olhando e teve a chance de presenciar a estranha coisa.

― É realmente diferente o seu ― disse Rose sem vergonha nenhuma. Ela e Rael nesse aspecto eram bem parecidos.

― Não é? Quando eu vi a primeira vez a de uma mulher eu também achei esquisito ― concordou Rael que entendeu o que Rose pensou.

― Por que são tão diferentes? ― perguntou Rose curiosa.

― E eu lá vou saber, não somos nós homens que geramos as crianças ― disse Rael despreocupado como sempre. Rose compreendeu e fez um sim com a cabeça.

Quando os dois saíram do rio um grupo de homens de preto os cercaram. Rael e Rose entraram imediatamente em posição de combate.

― Não são esses também ― disse um dos homens e depois relaxaram a posição de combate.

― Mas olha só, essa mulher é linda, podíamos brincar um pouco com ela ― disse um dos outros homens de preto.

― Parem de ser idiotas! Se o capitão nos pegar enrolando você já sabe o que ele fará. Agora depois que o trabalho for completado podemos voltar e fazer uma festa com ela ― disse um deles e partiu correndo seguindo caminho. Os outros homens encararam Rose uma ultima vez e partiram seguindo o homem a frente.

Rael ficou em silencio olhando as costas dos homens partirem. Ele ficou um pouco surpreso porque não conseguiu sentir o nível de ninguém. Nem mesmo Rose sentiu, então eles estavam no sétimo reino ou acima. Só havia uma pessoa na ilha que estava naquele nível como aqueles homens. Isabela! Rael se lembrou. Embora o alvo ainda não poderia ser necessariamente ela.

― Por que eles falaram que queria brincar comigo? Eles me acharam divertida? ― perguntou Rose confusa. Depois que Rael ficou com Janete daquela ultima vez em que quase completaram o ato, Rael já começou a entender porque mulheres eram atraentes aos homens, ainda mais as bonitas como Rose.

― Você não entenderia mesmo que eu tentasse explicar. Agora não posso deixar você correndo risco ― disse Rael e mentalmente conjurou Ralf. Ralf apareceu animado se balançando e olhando os dois. Ele abriu as asas se esticando preguiçosamente, fazia tempo que Rael não o chamava.

― O que vamos fazer? Por que eu estou em risco? ― perguntou Rose confusa

― Aquelas pessoas não têm boas intenções com você, seja lá o que eles vieram fazer, assim que acabar pretendem nos achar e machucar você. Por isso quero que você fique com Ralf, estará segura lá em cima. Eles não podem voar pelo que vi, não iam procurar uma pessoa por terra se pudessem voar ― explicou Rael. Rose não gostou da ideia porque queria ajudar Rael aqui embaixo, a única coisa que ela fez até agora foi ser os olhos de Rael.

― O que você vai fazer? Aquelas pessoas são muito mais fortes que eu e você ― disse Rose.

― Eu não tenho planos de enfrentá-los, não se preocupe. Quero que me ajude novamente. Você continuará sendo meus olhos. Eu e Ralf não podemos manter contato numa distancia muito grande e Ralf não pode compartilhar a visão. Eu quero que você faça isso pra mim ― explicou Rael.

Rose Não teve o que fazer e concordou. Rose subiu em Ralf e o mesmo partiu voando. Rael começou a correr na direção dos homens e Ralf voava por cima o acompanhando. Rose passava a visão dos homens correndo a frente. Assim eles foram seguindo.




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