O Herdeiro do Mundo

035 - O Teste de Força

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Na multidão mais longe, mais pessoas estavam acompanhando aquela cena. Uma delas era Isabela e sua equipe que estavam na cidade. Assim que viram Rael na mesma hora pararam o que estavam fazendo e assistiram ao desfecho.

Adrian avançou certo de que iria aleijar e ainda o arremessar por mais de dez metros. Ele pretendia cumprir as duas metas estabelecidas por Rael e surrá-lo monstruosamente.

Booom!

Creek! Creeek! Creek!

Todos ouviram o barulho de ossos se quebrando. Mara se levantou da cadeira surpresa e Ariane abriu a boca.

― Aaaaaah! ― gritou Adrian caindo no chão segurando seu pulso direito. Seus dedos estavam todos quebrados e sangue fluía por varias partes dos ossos quebrados. Seu pulso estava rasgado por conta dos ossos expostos. A pancada tinha sido tão forte que nem mesmo o pulso aguentou.

― Impossível! ― rugiu ele do chão. A pouco quando bateu em Rael, ele sentiu como se tivesse batido em uma parede de aço puro. O corpo de Rael não moveu se quer um centímetro, apenas deu uma leve tremulada.

― Parece que eu venci ― disse Rael saindo da posição defensiva. A cara de Ariane era a mais chocada. Ela não acreditava que seu noivo tinha caído em vez de derrubar Rael, aquele resultado não era normal.

― O que você fez! ― rugiu Adrian soltando alguns gemidos pelo meio.

― eu apenas defendi seu soco, esqueceu que eu pedi pra você olhar antes? Não vai me dizer que você esqueceu? ― perguntou Rael fazendo uma expressão surpresa. Obviamente todos viram que Rael não usou qualquer truque, o próprio Adrian investigou seu braço antes. Rael fez aquilo para ninguém querer que ele mostrasse.

As pessoas em volta não paravam de comentar, algumas até mesmo já sabiam do resultado de Rael e Terry. Adrian passou a ouvir alguns comentários enquanto pensava.

― Como você fez isso? É impossível que tenha conseguindo defender um ataque do meu Adrian ― disse Ariane nervosa depois de correr e ver o estado de perto da mão do noivo.

― Você está me acusando de roubar? Isso não está certo, todos viram que eu não roubei, até pedi para ele examinar meus braços antes ― disse Rael.

― Ele está certo ― disse Adrian surpreendendo Ariane e até mesmo Mara ― Eu perdi em um desafio justo. Peço desculpas da maneira insolente que o tratei antes, eu não vi sua verdadeira força ― disse Adrian. Rael ficou impressionado, geralmente os idiotas são idiotas do começo ao fim, esse não, esse idiota tinha salvação.

― Está tudo bem eu não queria mesmo machucá-lo desde o começo ― disse Rael e estendeu uma pílula. ― Essa pílula vai ajudar você a se curar mais rápido e vai aliviar a dor durante o tratamento ― disse Rael estendendo a pílula a Ariane. A mulher depois de perceber que não tinha mais jeito aceitou a pílula.

― Se vocês levarem ele agora a um bom medico, isso aí nem vai deixar marcas ― disse Rael.

Ariane ajudou Adrian a se levantar depois de armazenar a pílula no bracelete. Os dois já iam saindo quando Mara chamou.

― Querida Ariane você não está esquecendo de nada?

Ariane e Adrian pararam. Ariane estava ficando vermelha porque agora que Adrian assumiu uma derrota justa ela teria que se desculpar com Mara.

― Você já venceu o que mais você quer? ― perguntou Ariane.

― Que você peça desculpas por ter tirado sarro de mim e de me chamado de mentirosa ― disse Mara friamente.

― Eu peço desculpas de ter tirado sarro e chamado você de mentirosa ― disse Ariane se virando de volta para ela. Todos podiam ver um toque de desdém no pedido de desculpas, mas para Mara aquilo já estava bom. Pelo menos ela tinha descontado um pouco a frustração que Rael a fez passar demorando a aceitar aquele desafio.

― Que isso não se repita de novo querida Ariane. Agora sumam! ― disse Mara duramente. Os dois se viraram e saíram apressados.

― Rael pode me comprar mais bolo? ― perguntou Rose mentalmente. Ela não tinha dado a mínima para toda aquela confusão. Ficou apenas quieta esperando tudo acabar para pedi mais bolo.

― Não, já chega de bolo Rose, se comermos isso demais teremos problemas com o estomago mais tarde ― respondeu Rael deixando Rose deprimida.

― Samuel você me fez de idiota na frente de uma conhecida ― disse Mara se virando para Rael assim que os dois estavam longe.

― Isso ocorreu porque você quis me dar ordens, é só pedir com jeito da próxima vez que talvez isso não aconteça ― disse Rael.

― Você não pode me tratar assim na frente da minha família ou de conhecidos. Eu já falei que não sou uma mulher qualquer ― reclamou ela.

― Então não me trate como um idiota na frente dos outros ― reclamou Rael.

― Eu defendi você, isso não foi te tratar como um idiota! ― Reclamou Mara e percebeu algumas pessoas paradas escutado a conversa. ― Vocês! Não tem o que fazer não? Vão cuidar das suas vidas! ― reclamou a moça se dirigindo em voz alta ao pessoal. Todos pareceram sofrer um choque, depois saíram se espalhando com rostos pálidos.

― Você não me defendeu, você defendeu sua própria honra e sua própria escolha. Você acha que sou burro? ― perguntou Rael. Mara ficou rígida travada em seu lugar.

― E ontem quem eu defendi? Hã? Vai me dizer que fui eu de novo? ― perguntou Mara assim que conseguiu se recuperar.

― Talvez, continue se esforçando, Vamos Rose ― disse Rael chamando Rose. A moça saiu triste de perto das mesas e acompanhou Rael que já ia lá na frente. Mara suspirou sem poder fazer nada e deu alguns passos na direção dos dois.

― Jovem mestra com licença! ― o dono da barraca de bolo chamou atenção de Mara fazendo ela se virar de volta. ― A conta ainda não foi paga ― disse o homem timidamente com um sorriso sem graça enquanto massageava as próprias mãos.


A noite veio e em seguida o dia. Mara não tomou qualquer atitude noite passada, preferiu ficar em seu quarto. Ela estava um pouco desapontada com Rael, e achava aquilo estranho. Quanto mais difícil ele a tratava mais ela gostava disso. Ela passou a noite inteira batendo no travesseiro irritada reclamando sozinha, então depois ela ria e abraçava o travesseiro, como se aquilo representasse a maneira como Rael vinha a tratando. Se alguém visse aquela cena ia dizer que Mara tinha problemas.

Na manhã seguinte uma multidão cercava o centro da cidade. Havia um palanque montado, em cima do palanque estava um homem de meia idade bem arrumado, e segurava uma Pedra do Eco nas mãos, um outro homem mais velho com uma longa barba branca de um lado e uma linda mulher com vestido de prata do outro.

As pessoas continuavam chegando e se juntando a multidão. Foi nessa hora que Rayger, seus filhos, Rael, Rose e os protetores chegaram.

Ninguém sabia que tipo de evento seria, o que todos vinham do lado do palanque era um artefato mágico chamado Equilíbrio. Um artefato criado para medir a força, idade e reino de uma pessoa. Era como uma grande caixa de metal, na frente tinha uma formação redonda elevada onde os cultivadores socariam e a acima um espelho embutido grudado nele que revelaria os status.

Ainda houve mais dez minutos de espera até que mais pessoas chegassem.

― Bom dia a todos, Eu sou o prefeito Hagnos, este é meu vice Carmos e esta é minha assistente Ana. Eu Agradeço por terem vindo ― disse ele fazendo uma pausa. As pessoas bateram palmas em retorno.

― Estamos prestes a começar mais um evento e logo mais iremos informar o que foi preparado. Mas antes disso, quero lançar um teste sobre todos que receberam o convite para sabermos quem irá participar do evento ou não. O teste é muito simples, uma fila será formada a frente do artefato Equilíbrio e cada um dos convidados apresentará o convite e fará o teste. Se sua força for acima de mil pontos e sua idade for abaixo de cinquenta anos então poderão participar. Qualquer um pode tentar fazer o teste da força, mas aconselho que apenas cultivadores do quarto reino em diante tentem ― explicou o homem enquanto falava com a pedra elevada próxima a boca. Sua voz soava como um rugido para todos ali presentes.

― Aqui está o seu convite Samuel ― Rayger entregou a Rael um envelope azul. ― Apenas entre na fila e apresente isso que você poderá participar ― explicou ele. Rael aceitou o convite, mas não queria deixar Rose para trás, ele não confiava nos irmãos de Mara.

― Vamos Samuel, nós vamos participar juntos ―disse Mara tomando a frente.

― Filha você não vai participar desse evento ― disse Rayger surpreendendo Mara. ― Eu não quero expor sua força ganha a ninguém nesse momento ― explicou Rayger.

― Mas pai você disse que eu poderia participar! ― reclamou Mara.

― Disse sim, quando você ainda estava no quarto reino, agora com esse ultimo avanço eu não posso permitir ― disse Rayger.

― Já que você não vai participar então me entregue o convite, Rose vai comigo ― disse Rael estendendo a mão. Mara ia se recusar a entregar e ainda ia briga para ir, mas se lembrando de como Rael ficava irritante quando ela não fazia a vontade dele, ela desistiu entregando o convite a Rael. Ela também sabia que não poderia fazer seu pai mudar de ideia. Ela ficou deprimida porque pensou antes que poderia ficar ao lado de Rael nesse misterioso evento.

― Rael a idade mais baixa de aceitação é de cinquenta anos, eu não vou consegui participar porque já tenho mais de cem ― disse Rose mentalmente.

― Sim você tem, mas transformada em humana você não tem nem um ano ainda, seu corpo é o de uma adolescente então duvido que alguém reclame se nós dissermos que o artefato está com problemas ― disse Rael.

Ninguém da família de Mara duvidava que Rael passaria no teste, porque todos eles tinham informações de Rael e obviamente esperavam um bom resultado.

Rael entrou na fila mantendo Rose na frente. Já havia mais de centenas de pessoas em fila, pelo jeito o evento ia envolver muita gente se aquilo tudo passasse.

Os testes começaram. A cada cinco pessoas, mais ou menos uma falhava, sendo essa retirada. As pessoas do quarto reino costumavam bater mil e quinhentos, mil e quatrocentos, mil e trezentos. Era permitido o uso de aura para ampliar o ataque, mas não armas, todos tinham que bater de punho no final.

Rael viu James fazendo o teste e o mesmo bateu mil oitocentos e dez, quinto reino no nono nível com 39 anos. A fila continuou seguindo e Rael viu mais um conhecido de vista. Isabela a líder dos Asas da Fênix. Ela bateu três mil setecentos e oito pontos chocando a todos, estava no sétimo reino nível três (Força da Terra) com apenas 35 anos. Aquilo era demasiado chocante. A galera que batia palmas para alguns gênios simplesmente ficaram em estados hipnotizados quando ela bateu, porque aquilo ia além de um gênio. Se James com 39 anos era um gênio por estar no quinto reino, imagine Isabela que era mais nova e estava no sétimo reino. Se aquilo fosse um torneio de duelo todos já tinham em mente quem venceria. Quase nenhum participante do reino da alma (os 3 primeiros reinos) ousavam concorrer ao teste e os que o fizeram, bateram vergonhosamente cerca de trezentos, ou quatrocentos pontos.

― Minha vez Rael, espero que não ocorra nada de estranho ― disse Rose mentalmente se aproximando do artefato Equilíbrio.

― Faça bonito, assim ninguém vai ousar mexer com você ― disse Rael de volta.

As pessoas capazes podiam ver que aquela beldade estava no quinto reino então esperavam um bom resultado. Rose preparou o braço direito e eletricidade foi gerada por todo ele até o punho. Ela se concentrou, preparou o braço e finalmente bateu.

Boooooom!

Alguns segundos de silencio enquanto o artefato carregava o resultado e finalmente apareceu na tela dois mil quinhentos e cinquenta pontos. As pessoas ficaram estagnadas de boca aberta, o resultado dela era o melhor até aquele momento dentro dos participantes do quinto reino. Então mostrou quinto reino nível cinco e ??? anos. Todos ficaram confusos porque a idade de Rose não estava aparecendo.

O fiscal do teste pediu que ela fizesse o teste mais uma vez. Ela bateu dois mil quinhentos e setenta pontos, quinto reino nível cinco e ??? anos. Todos ficaram confusos porque o artefato não captava a idade dela. Rael olhou de lado e do outro, ele percebeu que alguns colegas estavam fazendo expressões impacientes. Então ele teve uma ideia.

― Vamos logo com isso! Ela deve ter quinze anos! Nós queremos fazer o teste! ― gritou Rael. Os que estavam atrás começaram a gritar também. Porque claramente Rose tinha cerca de quinze anos e ninguém podia negar isso.

Logo até a multidão estava gritando, aquilo não podia demorar muito. Mesmo que fosse uma beldade todos poderiam julgar a idade dela. Assim o fiscal deixou ela passar acalmando a multidão. Rael suspirou e se aproximou apertando seu punho direito. Agora era a vez dele.

Quando viram Rael e sentiram a energia dele, quase ninguém queria olhar novamente. Ia ser outro fracasso como os outros que tentaram no mesmo reino. Isso era a maioria. Algumas outras pessoas tinham visto Rael na guilda contra Terry e algumas contra Adrian, então essas tinham uma grande expectativa. Como a multidão dominante não sabia, todos estavam em silencio esperando passar a vez de Rael para vim alguém interessante.

Rael pensou por um momento se ele deveria usar toda sua força ou não. Seu braço direito era muito mais forte que o esquerdo. Ele ficou pensando se faria sentido ele expor sua verdadeira força.

Tomando a decisão ele relaxou o braço direito e o girou como uma preparação, apertou os dedos fechando o punho e encarou o espaço onde ele deveria socar a frente. Então ele puxou o braço para trás e partiu para socar. Dentro desse espaço de tempo ele sentiu uma estranha queimação no braço e não conseguiu evitar ou parar o soco.

Booooooooom!

Rael puxou para trás o punho na mesma hora porque sentiu o braço e o punho arder um pouco. Se não fosse o fato de todos estarem olhando ele tiraria as luvas e puxaria a manga para saber o que ocorreu.

O soco de Rael foi bem alto para quem se quer estava usando qualquer aura, pelo menos era o que todos pensavam. O braço direito de Rael as vezes agia dessa forma tomando ações por conta própria e aquilo irritou Rael. Principalmente quando o resultado apareceu no espelho acima.

O fiscal que estava do lado quase deixou seu queixo cair no chão. As pessoas que estavam em volta sem dar nenhuma atenção a Rael olharam, então piscaram varias vezes para saber se aquilo estava mesmo certo. Não era possível era?

― Droga! ― disse Rael consigo mesmo desapontado. O braço direito tinha estragado todos os seus planos. Mas isso nem era o pior…