O Herdeiro do Mundo

033 - O Acidente

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Sneed

Mara ficou surpresa com Rose se deitando com toda aquela roupa, com a mesma roupa que havia usado durante o dia, ela não tirava nem mesmo as luvas. Rael a única coisa que tirou foi o sobretudo, com toda aquela vigilância ele não ia tirar mais nada.

― Vocês dormem assim? ― perguntou Mara olhando Rael se sentar na cama.

― Eu é que pergunto. Você não está pensando em dormir aqui não é? ― perguntou Rael de volta.

― Agora temos a permissão do meu pai então eu já posso dormir com você ― reclamou Mara e se sentou do lado de Rael.

― Ainda não somos casados então sugiro que você durma no seu próprio quarto ― disse Rael e a ignorou se deitando na cama. Do outro lado Rose fez o mesmo.

― Você e ela dormem junto e ambos não são casados ― disse Mara olhando Rose de lado, depois virou-se de volta para Rael.

― Isso é diferente faz parte de uma promessa ― rebateu Rael.

― Eu sei que você me quer então por que fica se fazendo de difícil? Isso não deveria ser o contrario? ― perguntou Mara um pouco irritada. Afinal ela veio toda sensual para Rael e não estava sendo muito bem recebida.

― Então se faça de difícil, vá para o seu quarto e finja que não me quer ― disse Rael de volta. Mara ficou ainda mais furiosa, ela teve vontade de arrancar os próprios cabelos, porque Rael, não parecia está brincando.

― Olha aqui Samuel! Eu não sou uma boneca, se você não começar a me tratar como se deve eu mesmo encerro esse noivado! ― reclamou Mara do lado quase gritando. Rael dizia que não queria aquilo, mas será que era verdade? Ele curou o pai dela querendo uma recompensa de se livrar desse noivado, mas no fim, Rayger deu a ele exatamente o contrario e Rael não teve qualquer reação reversa. Então Mara poderia supor que Rael realmente queria aquilo tanto quanto ela. Assim como funcionava nos beijos, porque Rael se fazia de difícil, mas ela sentia pelo beijo o desejo dele.

Rael virou-se, envolveu Mara segurando pela cintura a puxou para a cama, deixando ela entre ele e Rose. Aquela ação fez a camisola de Mara levanta e revelar uma bela calcinha de rendas rosa. Mara estava realmente sensual ninguém poderia negar isso. Rael por um momento até se perdeu no que ia fazer olhando aquela região dela. Mara se cobriu nervosamente com as mãos, por um instante toda a raiva dela de antes desapareceu.

― Olha aqui ― a mão de Rael prendeu a mandíbula de Mara a apertando. ― Vou te fala isso só uma vez então presta atenção. Se você é minha noiva, então você é minha e quem manda nesse relacionamento sou eu, não você. Você faz o que eu mando ou as coisas não vão ficar bem para o seu lado ― disse Rael e o empurrou o rosto dela a soltando. O rosto de Mara se virou para o da quieta Rose que acompanhava tudo com aquela mesma expressão séria.

Mara virou-se olhando o teto da cama. Bom ela agora estava com Rael, só que essa não era exatamente sua ideia. Ela ameaçou romper com Rael e em vez dele ceder positivamente ele cedeu de uma forma negativa. Mesmo assim ela não ia desistir tão fácil.

― Não pense que vou me torna um animal obediente! Meu pai é o Elder e conselheiro mais importante da nossa família e logo eu estarei no topo. Você vai simplesmente estar ao meu lado quando eu subir, então não fique se achando ― disse ela encarando Rael que a olhava de volta com um olhar impaciente.

― Sério isso? Por que você não desiste e fica obediente? Você já sabe que me ameaçar não resolve seus problemas mais fica insistindo. Isso já está chato Mara ― disse Rael. Não só o olhar como até mesma as palavras de Rael mostrava que ele não se importava com o que ela dizia.

― Você! ― disse Mara furiosa. Ela veio para o quarto com outros pensamentos em mente e aquilo estava se tornando tudo o contrario do que ela esperava.

― Você o que? Vai começar tudo outra vez? ― perguntou Rael.

― Você não pode ficar tratando assim! Lembre-se de quem eu sou! Com uma simples ordem eu posso destruir tudo que é importante pra você! ― ameaçou ela. Rael subiu por cima dela até chegar na frente do rosto.

― Você quer ser tratada diferente? Então faça o papel de minha noiva e seja obediente, igual a Rose, ela entende o que eu falo e me obedece, mesmo que ela não fale ― disse Rael e deslizou seus lábios pelo pescoço de Mara. Ela estava furiosa com ele e queria tira-lo de cima, mas seu corpo não respondia aquele pensamento porque ela o queria, o queria tanto que não se importava nem mesmo com Rose do lado nem com suas atuais reclamações.

Mara não achou que os instintos sexuais fossem mais fortes que sua própria vontade. Quando Rael beijou e chupou seu pescoço ela simplesmente esqueceu de tudo que ia dizer. Ela também percebeu que não encontraria nenhum homem como Rael, que ignoraria os status dela e a trataria como uma mulher normal. Disso ela reclamava, mas no fim era o que sempre queria.

Seus lábios foram tomados por Rael, ela fechou os olhos mergulhando naquele sentimento de desejo e sentindo o desejo de Rael. A mão de Rael correu por cima de sua coxa apertando e deixando ela louca, foi subindo, e subindo até chegar aos peitos. Mara não estava de sutiã, então por baixo da camisola Rael sentiu os peitos perfeitos em sua luva, que infelizmente ele tinha que usar para esconder o braço.

Não era só Mara que estava sobre aqueles instintos, Rael também estava. Ele tentou usar aquilo para domar Mara e acabou se deixando levar, afinal, ele sentia cada vez mais vontade de senti a pele de Mara de beija aquela boca. Ele não esquecia o fato de que a odiava, o problema é que aquele desejo era mais dominante.

Mara era jovem e não tinha a mesma experiência de Janete, por isso ela nem mesmo retirava a camiseta de Rael. Dessa vez era Rael que estava agindo, ele ia arrastando a camisola de Mara pouco a pouco deixando cada vez mais pele exposta, até o ponto onde ele tirou deixando ela apenas de calcinha. Mara cobria os peitos com vergonha e seu olhar duro e soberano de antes, agora era o de uma garotinha assustada, envergonhada, porque ela sentia que Rael finalmente ia toma-la.

Rael só não tinha tirado as luvas e a camiseta por causa do braço, ele sabia que em algum momento Mara ia descobrir, e ele já tinha uma desculpa em mente, só não sabia exatamente quando ia ter que colocar isso em pratica.

Os beijos, as caricias continuaram, Rael estava tão duro que poderia explodir, e Mara sentia isso roçando a coxa dela. E não era só isso, Mara estava mais quente e mais molhada lá embaixo do que se podia imaginar. Do lado Rose acompanhava tudo de olhos bem abertos, ela começou a se sentir estranhamente bem e de repente…

― Rael ― chamou Rose mentalmente. Não só Rael como Mara pararam tudo e se viraram porque sentiram a aura de Rose se elevar. Raios estavam correndo por todo o corpo da moça do lado dos dois. Rael não teve o que se não escorregar para o lado ficando entre Mara e Rose.

― Rose cuidado! ― Rael ainda tentou pará-la mentalmente, foi inútil.

Booom!

A cama se partiu. Rael voou em cima de Mara e os dois rolaram para fora da cama que saltou para o ar. Os dois foram parar no canto da parede. A cama saltou se destruindo de um lado e parte dela começou a pegar fogo. Esse descontrole tinha sido muito pior do que o primeiro de Rose. Rose por outro lado estava completamente bem, nenhuma de suas roupas havia sido afetada. Ela apenas saltou e ficou de pé assim que sua aura explodiu, mas não deu tempo sair completamente de perto dos dois antes disso.

As janelas foram quebradas e dois cultivadores da família Torres de níveis desconhecidos saltaram para dentro. Eles estavam de armas nas mãos e aura pelo corpo pronto para lutarem, mas de cara, não viram nenhum inimigo, estava lá Rose em pé, Rael e Mara no canto da parede, ambos ainda se recuperando, a cama destruída e parte pegando fogo.

Mara ainda estava atordoada com o que havia ocorrido e Rael cobria sua nudez dos dois invasores porque estava caído por cima dela. Se não fosse por Rael ela teria com certeza sofrido alguns danos. Era possível senti o cheiro de carne queimada e todos viram as costas de Rael fumaçando e um pouco da camiseta queimada.

― Senhora você está bem? Quem atacou vocês? Quem ousaria? ― perguntou um dos protetores se aproximando e ao perceber Mara nua abraçada a Rael ele se lançou para trás virando o rosto, mas já era tarde demais.

― Como vocês ousam entrar no quarto assim? Saiam imediatamente! ― ordenou Mara. Os dois não tiveram o que fazer mais pular janela afora, uma vez que não havia inimigos a vista nem possíveis forças sentidas, eles só poderiam imaginar que aquilo não passou de um acidente. O fator principal é que ninguém ousaria desobedece-la, eles preferiam morrer a desobedecer a ordem daquela mulher.

Rael se levantou de cima de Mara. Suas roupas estavam destroçadas porque ele foi o mais atingido pela explosão gerada de Rose. Quando ele se afastou parte das mangas dos braços estavam em farrapos e assim Mara pôde ver o braço azul, além disso, a luva direita de Rael foi completamente destruída dando assim uma visão quase completa de todo o braço azul de Rael. Ela pôde perceber que apesar da cor diferente parecia um braço normal.

Mara vestiu uma roupa com urgência antes de tomar qualquer atitude. Depois chamou os escravos que apagaram o fogo e tomaram conta da situação.

Depois daquilo Rael sabia que devia muitas explicações a Mara e ela mesma, estava sendo muito cuidadosa para não dizer que a culpa daquilo era de Rose. Sempre que alguém perguntava ela ocultava esse fato sem maiores explicações.

No quintal Mara começou a ajudar Rael com alguns curativos na parte das costas. Tinha alguns locais que haviam feridas e pele queimada. Rose ficou deprimida do lado deles sentada uma cadeira. A moça não parava de se desculpar mentalmente com Rael. Ele apenas dizia para não se preocupar de volta em pensamentos. O fato impressionante é que Rael tomou esse ataque praticamente de frente e sofreu poucos danos. Seu braço direito não sofreu se quer um arranhão quando comparado ao resto do corpo.

― Obrigado por não contar a ninguém sobre o que aconteceu ― disse Rael para Mara que estava atrás dele fazendo os curativos.

― Não agradeça, eu não contei ainda, mas posso mudar de ideia se você não me der uma boa explicação sobre isso ― ameaçou Mara concentrada em cuidar das costas de Rael.

― Você não perde mesmo a chance de me ameaçar ― disse Rael.

― Não é uma ameaça, isso é um aviso, nós quase morremos por causa dela ― disse Mara lançando um olhar duro para Rose. Rose não podia está mais deprimida. Sua expressão não era séria como de costume, mas também não chegava a ser de alguém muito triste, parecia que ela apenas tinha derrubado uma pessoa sem querer e estava um pouco arrependida.

― O motivo de Rose dormir comigo é pra se acostumar com seu poder ganho. Ela não tem muito controle quando está entre as pessoas. Como ver coisas assim podem acontecer ― disse Rael para amenizar a raiva de Mara.

Mara não estava com muita raiva. Ela estava feliz com tudo que ocorreu, no meio de toda aquela bagunça, Rael a protegeu. Por mais que ele fosse duro com ela como era, no momento certo ele tomou a frente e aquilo foi para protegê-la. Devido Rose está com Rael e acompanhá-lo como uma noiva, foi o motivo dela não contar aos seus homens, se ela contasse, Rose iria ser detida imediatamente por ameaçar a segurança de Mara.

― Então é por isso que sua mestra exige que ela durma com você? ― perguntou Mara.

― Sim é um dos motivos pelo que sei ― disse Rael.

― Eu não quero que tenha raiva dela por isso Mara, ela ainda não controla bem seu poder ― disse Rael voltando ao ponto.

― Não vou ficar com raiva, só preocupada, isso costuma ocorrer com frequência? ― perguntou Mara. Se Rael dissesse que não isso ia parecer muito estranho, então naquela hora era melhor dizer a verdade.

― Essa é a segunda vez ― disse Rael.

― E como ocorreu na primeira? ― perguntou Mara curiosa ela ainda estava fazendo cuidadosamente os curativos. Rael já tinha tomado algumas pílulas também que estava ajudando a aliviar a queimação e acelerar a cura.

― Eu estava dormindo e acordei com a explosão ― explicou Rael sem mentir.

― Você não tem medo de morrer enquanto dorme? ― Mara não conseguiu deixar de pensar nisso. Bem era um pensamento comum depois de ver algo como aquilo ocorrer.

― Na verdade eu tenho, mas como é uma ordem da minha mestra então tenho que obedecer ― explicou Rael.

― Você pode escolher não obedecer até ela poder se controlar, você não deve colocar sua vida em risco só porque sua mestra manda ― reclamou Mara.

― É porque você não a conhece ― disse Rael se lembrando de Violeta com uma certa irritação. Afinal a culpa era dela de Rose ter que acompanhá-lo.

― E o seu braço direito? Porque ele é diferente? ― perguntou Mara. Rael já vinha pensando nesse momento por isso aquela pergunta não o chocou.

― No passado eu sofri um acidente, minha mestra para me curar teve que transformar meu braço como você viu hoje. Você acha ele estranho? ― perguntou Rael como um pouco de receio.

― Não muito. No fim esse é o motivo de você sempre andar todo coberto, eu entendo um pouco ― disse Mara.

― É um dos motivos.

― Já vi casos piores, tem gente que tem pernas e mãos de ferro. Mas to curiosa, além do braço você tem alguma outra coisa diferente? ― perguntou Mara.

― Não que eu saiba ― disse Rael. Mara ficou em silencio. Ela não achava tão estranho Rael ter um braço diferente, mas ao mesmo tempo, aquilo deu a ela um estranho sentimento familiar que ela não soube como explicar.

― Eu não vou contar nada a ninguém do aconteceu hoje desde que você concorde com uma simples condição ― propôs Mara.

― Qual é?

― Na próxima vez que nós… ficarmos juntos como hoje, essa garota vai ficar afastada de nós e mais uma coisa. Quando nos casarmos, ela não vai dormir no mesmo quarto em que eu e você estivermos. Já deixo isso bem claro e não é um aviso nem uma ameaça, é um acordo para eu manter minha boca fechada ― disse Mara.

― Isso inclui manter segredo do meu braço diferente? ― perguntou Rael aproveitando o embalo.

― Bom se você está concordando então posso acrescentar isso a lista ― concordou Mara.

― Então está bem ― concordou Rael.

Quando Mara terminou de fazer os curativos ela cobriu as costas de Rael deixando a camiseta descer. Rael já estava com um novo conjunto de luvas e camiseta e até calça. Sua antiga calça também tinha sofrido alguns danos.

― Filha o que aconteceu! Você está bem? ― perguntou Rayger cruzando a porta com velocidade e chegando até a filha. Ele agarrou Mara pelos ombros e olhou o rosto dela, depois as partes do corpo como braços, pernas, pés.

― Estou pai, não precisa ficar tão preocupado ― disse Mara rapidamente.

― Todos disseram que ninguém explicou o que houve, afinal o que aconteceu essa noite? ― perguntou Rayger. Mara sabia que se contasse a verdade, esse ato ia ser tomado como uma tentativa de assassinato por parte de Rose e as coisas ficariam difíceis para a moça. Rael também sabia disso e por isso concordou com os termos tão facilmente de Mara, ele não teve escolha a não ser ceder e confiar em Mara. Mara ainda estava em divida com ele pela tentativa de matar Rita e por isso se apegou aquela ideia. Se ela ocultasse aquilo então seria perdoada por Rael e ainda ganharia pontos.

― Foi minha culpa, eu ainda não estou controlando meu poder muito bem e quando fui fazer uma demonstração a Samuel acabei perdendo o controle ― mentiu Mara. Rayger encarou a filha no fundo dos olhos. Os dois sabiam que Mara tinha um crescimento acelerado e isso poderia ser comum. Mas Rayger sentiu no olhar da filha que ela escondia algo dele, uma filha nunca conseguiria enganar completamente os pais. Mas bem, ele passou muito longe da possível verdade…

― Então é isso? ― perguntou ele se virando para Rael. ― E você Samuel está bem?

― Estou sim senhor Rayger, obrigado por perguntar ― disse Rael.

― Por acaso você não estava tentando forçar minha filha e ela o repeliu? Se esse for o caso eu devo lembrar que o casamento de vocês ainda é daqui a um mês, não quero você forçando minha filha a nada antes disso ― disse Rayger. Ele parecia apenas falar algo natural, mas todos podiam notar que aquilo era um tom de aviso.

― Pai você entendeu errado! Eu que fui para o quarto dele e não o contrario, tudo foi culpa minha ― disse Mara. Ela não queria seu pai se metendo em seu caminho. Principalmente no que se referia a ela e Rael. Rayger também não era um idiota, por mais difícil que fosse entregar sua filha assim a um homem era preciso, além do casamento dos dois, seria ótimo também ter um neto daquele fruto o mais rápido possível. Por isso ele não pretendia dificultar a situação dos dois.

― Se é isso, esqueçam o que eu disse ― disse Rayger formando uma meia careta, virou-se depois de olhar Rose e saiu caminhando. Ele não se importava muito com essa mulher, só estava aceitando aquilo porque parecia não ter escolhas, aquela era afinal a decisão de sua filha. Assim ele pensava…