O Herdeiro do Mundo

025 - A Chegada de Rose

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Yan Fonseca

 

Ralf aterrissou na parte norte da cidade, a cerca de dois quilômetros de distância.

Rael chamou Ralf de volta, e ficou sozinho com Rose.

― Você não fala como uma pessoa Rose, esse será um pequeno problema, porque só eu vou entender você ― disse Rael, olhando ela de lado.

― Eu vou tentar aprender aos poucos, não estou acostumada a usar todas essas partes desse corpo ― disse Rose de volta, em pensamentos.

― Tudo bem, vamos ― disse Rael, seguindo na frente, e Rose o acompanhou, caminhando apressada, até chegar ao lado dele e ambos seguiram juntos.

Atravessando a cidade, Rose fez várias pessoas quase quebrarem os pescoços, a beleza dela estava em um nível fora do comum. Ela agora não usava véu, e seu lindo rosto estava  exposto, para todos que passavam próximos a ela.

Ao a verem do lado de Rael ninguém ousava mexer, pois todos conheciam o tal Samuel, e seu nome naquela cidade já era bem conhecido.

No meio do percurso, Rael acabou encontrando Sérgio.

Sérgio e outros três homens estavam acompanhando um jovem rapaz de roupas bem chiques e com várias insígnias nas roupas. O jovem rapaz tinha aparência notável e podia-se ver seu ar arrogante a quilômetros, ele deveria ter um cargo muito importante dentro da família Asura.

Quando o olhar do jovem chique bateu em Rael não ocorreu nada, mas ao parar em Rose sua expressão mudou, sua boca se abriu e seus olhos aumentaram de tamanho. Aquela com certeza seria a reação da maioria dos homens que viam Rose, mas evitavam deixar aquilo durar muito tempo por causa de Rael, que estava ao lado dela.

O jovem chique não pareceu pensar em Rael e como já estava indo de encontro aos dois, ele acelerou os passos.

Sérgio, quando viu Rael, gelou, porque ele se lembrou da surra que tomara da última vez, e isso o fez se lembrar de uma besta, que passaram dias caçando com seus homens e não encontraram. Ele havia se perguntado como Rael conseguiu escapar com vida.

Os últimos dias, ele havia passado sobre constante preocupação e culpa da morte dos outros, tanto que nem conseguiu pensar em uma vingança. Mas, ele obviamente não ia fazer nada em público devido aquele pequeno problema envolvendo Mara.

― Será que eu o mestre James, filho do patriarca da família Asura, poderia saber o nome dessa bela flor de lótus? ― perguntou o jovem chique, parando na frente de Rose, ignorando completamente Rael como se o mesmo não existisse.

Isso fez Rael e Rose pararem. Rael pensou em ignorar aqueles palhaços, mas os mesmos resolveram cruzar o seu caminho.

― Isso não te interessa, agora vaza! ― Rael empurrou James com as duas mãos o fazendo recuar uns três metros.

Ele foi segurado por seus homens. Em seguida os três cercaram Rael, menos Sérgio, que ficou ao lado de James.

― Eu não tinha visto você ― disse James um pouco surpreso, olhando Rael. ― você deve ser aquele tal Samuel. Eu ouvi rumores que você estava envolvido com a mestra da família Torres, então achei que essa garota não estivesse o acompanhando ― disse James, se aproximou e educadamente afastou seus homens que cercavam Rael.

Quando os homens ouviram isso, eles quase se afastaram sem sequer James os empurrar.

― Então você e Tomas são mais parecidos do que eu pensava, ele também não costuma ver as coisas antes de agir. Você pelo menos tem uma vantagem. Parece que escuta, embora eu ainda não esteja vendo você se retirando― observou Rael.

― Ter a proteção de uma jovem mestra do clã Torres deixa qualquer pessoa bem arrogante. Em todo caso, o que essa jovem acompanhante é de você? ― perguntou James educadamente, mesmo após ter sido empurrado e ameaçado.

Ele parecia sorrir, ignorando os avisos de Rael como se isso não valesse de nada.

― Ela é minha concubina, então não se atreva a dirigir a palavra para ela novamente ― Rael agora tinha tomado a mão de Rose a segurando firme.

Quando Rael disse que ela era sua concubina, todos ficaram de olhos esbugalhados. Rael tinha apenas quinze anos e a maioria já sabia disso, o problema é que essa jovem também tinha uma idade parecida.

Para fazer uma mulher ser sua concubina, ela tinha que ter pelo menos dezesseis anos e o homem tinha que ter casa própria.

Adicionando o fato, que aquela mulher parecia uma deusa tirada de um sonho, qualquer um casaria com ela, a teria como primeira esposa se pudessem, mas Rael a tinha como concubina. Isso era demais para qualquer um engoli.

Isso fez muitos olhares surpresos se dirigirem para a jovem, esperando que ela mesma negasse aquelas palavras. No entanto, os olhos dela continuavam firmes e sua expressão séria. Ela não soltou a mão de Rael, o que dava a entender que ele estava dizendo a verdade.

― Isso não é possível! Como alguém como você tem uma concubina sendo tão novo? Você nem é qualificado para isso, ainda mais uma garota como essa! ― gritou James perdendo o controle completamente.

Várias pessoas na rua pararam com aquela cena e cochichos começaram a se espalhar.

― Rose, você não é minha concubina? ― perguntou Rael para a jovem.

Ela fez um firme sim com a cabeça. Todos em volta quase passaram mal, ela tinha acabado de confirmar que tudo era mesmo verdade.

― Agora saiam da frente, eu e ela temos muito o que fazer quando chegarmos em casa ― Rael praticamente saiu empurrando James, puxando a bela Rose pelas mãos.

Não foi somente James e o grupo dele que ouviu aquele discurso de Rael afirmando que Rose era sua concubina, muitos homens e mulheres em volta ouviram. Aquilo era simplesmente muito chocante, mas considerando o que Rael estava começando a se tornar, até era um pouco aceitável.

― Como esse desgraçado conseguiu uma mulher tão bonita assim? Ela nem é de nenhuma família importante ― reclamou James, que havia procurado qualquer sinal no vestido dela.

― Jovem mestre James, eu aconselho a não mexer publicamente com ele ― disse Sérgio do lado.

― Eu sei disso, então foi esse cara que você falhou em matar da última vez não é? ― perguntou James, encarando as costas de Rael.

― Sim, como eu disse, uma besta apareceu e atacou a todos nós, eu só consegui fugir por um milagre ― explicou Sérgio.

― Hunf! Não haverá milagres quando eu mesmo providenciar o ataque. Eu não falharei em tirar a vida desse miserável, e então pegarei aquela tal de Rose para mim ― disse James, com um sorriso frio.

Sérgio ficou quieto, porque da ultima vez que ele se vangloriou antes do tempo, acabou tomando uma surra de Rael. Ainda mais, ele percebeu que Rael estava no terceiro reino.

Rael pulou seis níveis em poucos dias. Se antes, ele já apanhava, imagine agora. Mas James não sabia daquilo, ele não fazia ideia de que Sérgio tinha tomado uma baita surra.


Rael chegou de mãos dadas com Rose. Desde que seguraram as mãos depois do encontro com James e os outros eles não soltaram.

Adam estava em sua barraca fechando um negócio, quando se virou e viu Rael se encostando com Rose do lado. Aquela cena o pegou desprevenido, porque a jovem com Rael deixava qualquer um sem graça, até mesmo um homem como ele.

Violeta causava impacto também, porém como ele havia sido hipnotizado por Violeta, não ficava mais impressionado com a mesma. Já Rose, era outra história.

― Senhor Adam, esta é minha concubina Rose e minha futura noiva ― apresentou Rael.

Adam pensou ter escutado algo estranho por um momento, e ficou em silêncio olhando seu falso filho sem reações.

― Ela irá morar conosco a partir de agora, espero que isso não seja um problema. Ela ficará em meu quarto, junto comigo ― disse Rael, alguns segundos após.

Um cliente, um velho homem, que estava fazendo uma compra do outro lado do balcão da barraca, ficou de queixo caído.

― Este é meu pai Adam e esta é Rose ― apresentou Rael, um para o outro.

Rose fez um cumprimento com a cabeça, e só naquele momento Adam pareceu despertar.

― É um prazer conhecer a senhorita Rose…

― Rose Livial ― Acrescentou Rael, porque sabia que ela tinha dificuldades em falar.

― Filho, você nunca mencionou que tinha uma con… uma noiva tão jovem ― disse Adam abrindo um sorriso, tentando parecer descontraído.

― Ordens da minha mestra. Ela tinha uma promessa com a patriarca da família de Rose, de que treinaria um discípulo e casaria com a filha dela, e aqui estamos ― disse Rael, que no meio do caminho inventou uma ideia melhor, embora não tenha pensado nos detalhes.

― Filho, você a chamou de concubina antes, afinal ela é sua noiva ou concubina? ― perguntou Adam, ainda um pouco atrapalhado.

― É que meu relacionamento com ela é bom, então já avançamos pra concubina. E ela também é minha noiva ― disse Rael.

O velho cliente teve uma crise de tosse, porque para ele e Adam aqueles dois já tinham…

Em pensar na cena de uma moça jovem daquelas sem roupas os fez quase terem um infarto, e isso não era num sentido ruim.

― Bom é claro esse pai entende. Ela é bem vinda a nossa casa, se ela é sua noiva, então não há nenhum problema, apenas apresente-a para Barbara e Rita certo? Agora, deixe esse velho pai trabalhar! ― disse Adam animado, e virou-se para continuar atendendo o velho.

Na sala, a próxima a ouvir as apresentações de Rael foi Barbara.

― Esta é Rose Livial, minha concubina e minha noiva ― apresentou Rael com um sorriso descontraído.

Barbara também ficou chocada com a apresentação de Rael, e quem não ficaria? Rael não sabia que dizer concubina seria um fato tão estranho, e ele nem percebia, ele acreditava que a pessoas se chocavam com o fato de dizer que Rose seria sua noiva.

Para piorar o choque, Rose sempre confirmava com uma expressão bem séria e sem nenhuma vergonha, nem qualquer traço de dúvida. Até mulheres mais velhas quando apresentadas como concubinas de alguém franziriam pelo menos um pouco. Rose não! Rose era firme como uma rocha!

― Esta é Barbara, esposa do meu pai ― explicou Rael.

Rose a cumprimentou de volta. Os cabelos azuis de Rose eram tão brilhantes como as águas de um mar, eram puros e cheios de beleza, combinado a um rosto divino, tornavam Rose, uma jovem absolutamente perfeita, até para a opinião de outras mulheres.

Barbara ficou ali em silêncio travada. Ela sabia que sua filha tinha um caso com Rael, mas não sabia que Rael tinha uma noiva, muito menos uma concubina.

― Eu já conversei com o pai, e ele deu permissão que Rose poderia morar conosco, não se preocupe, ela ficará comigo em meu quarto ― explicou Rael.

Barbara estava lá, ainda de boca semi-aberta, tentando criar alguma frase ou dizer alguma coisa, mas nada saia.

― Bom, então, com licença ― Rael puxou Rose e seguiu pelo corredor.

Barbara ainda ficou lá, estagnada, sem qualquer reação.

Como Rita estava cultivando, Rael não foi apresentar Rose a ela. Ele apenas trocou a cama de solteiro pela de casal no quarto, e arrumou os móveis.

Durante o processo, Rose ficou parada em pé olhando Rael, como uma estátua com as mãos juntas em frente ao ventre.

Depois que Rael arrumou tudo ele se virou para Rose.

― Você tá com fome? Quer tomar alguma coisa? ― perguntou Rael.

― Eu estou bem, aviso se sentir alguma coisa diferente ― disse ela de volta, em pensamentos.

― Vem, senta aqui ― Rael bateu a mão do lado da cama.

Rose obedientemente se aproximou e sentou-se ao lado de Rael.

Rael olhou cuidadosamente a jovem ao seu lado. Era estranho ver ela assim, sabendo que a um tempo atrás ela era uma besta celestial, ainda mais a besta que ele salvou. A raça dela permitia essa evolução, mas Rael jamais esperou que ela fosse se tornar humana. Ou algo próximo a uma humana.

― Eu sei que Violeta quer você comigo para me deixar na defensiva. Agora eu quero saber de você, por que você quer tanto ficar ao meu lado? Porque se você não quisesse, nem sua mãe, nem Violeta poderiam obrigar ― perguntou Rael.

― Eu já disse, você foi escolhido como macho da nossa nova espécie, agora eu tenho que ficar ao seu lado ― disse ela de volta.

― Tá certo, mas eu não entendo o que isso quer dizer e você não explicou ― disse Rael de volta.

― Quer dizer que você deve procriar comigo ― disse ela de volta.

― Procriar? O que significa, exatamente, isso?

― Me dar filhos Rael, me dar filhos… ― explicou a moça, o olhando de lado.

― Eu e você, filhos? Como assim Rose? Ninguém me contou nada sobre essa história, eu não tenho tempo para cuidar de crianças. Mesmo se eu soubesse como fazer um, eu não faria ― disse Rael um pouco irritado.

― Você não sabe como fazer filhos? ― perguntou Rose, chocada.

― Não, e nem quero saber. Por acaso você sabe? ― perguntou Rael de volta.

Rose virou-se para frente.

― Não sei. Quando perguntei pra Violeta, ela nos disse que era algo muito bom, disse que era a melhor coisa que os seres humanos podiam fazer. Mas não nos disse o que era. ― explicou Rose.

― Ótimo, então como vocês faziam na outra espécie? ― perguntou Rael.

― Nós uníamos as nossas energias, cruzavamos as cabeças e ficávamos assim até a energia ser formada e surgir o filho ou filha ― explicou Rose.

― Nunca vi nenhum humano fazer tal coisa antes, talvez os humanos façam isso diferente. Por acaso, fazer isso era bom pra vocês? ― perguntou Rael.

― Minha mãe disse que foi bom, porque eu nasci desse ato.

― Huum…

Alguns minutos depois, Barbara bateu na porta e entrou encontrando os dois sentados na cama. Ela se aproximou com uma bandeja e duas xícaras de chá em cima, havia também alguns biscoitos.

― Eu trouxe esse chá pra vocês dois, quero me desculpar por mais cedo, eu fiquei um pouco surpresa ― explicou ela sorrindo, enquanto Rael e Rose estendiam as mãos aceitando. O chá estava quente, por isso Rael começou a soprar e ao mesmo tempo impediu que Rose levasse aos lábios.

― Assopre, isso está quente ― disse Rael em pensamentos a ela.

Rose olhou Rael soprando, e somente depois, começou a fazer a mesma coisa. Barbara tinha notado essa ação entre os dois, mas como não ouviu nenhuma conversa não achou muito estranho.

― Então você é de onde Rose? Posso te chamar assim, não é? ― perguntou Barbara curiosa, parada em frente a eles segurando a bandeja.

Rose olhou Barbara enquanto segurava a xícara, mas não disse nada, ela não disse uma só palavra desde que chegou.

― Dona Barbara, ela não fala muito, ela tem dificuldade de se comunicar ― explicou Rael do lado.

― Sério? Desculpe querida, eu não sabia ― disse Barbara de volta sem jeito.

Rose ficou ali sem emoções, olhando Barbara a frente.

Mais uma pessoa entrou no quarto, e dessa vez era Rita. Ela tinha entrado sorrindo, mas ao ver Rose, parou confusa diante dos três.




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