O Herdeiro do Mundo

018 - O Início das Caçadas

Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor: Yan Fonseca

Antes de Rael ir para o quarto, ainda no corredor, ele sentiu Rita cultivando e se surpreendeu.

Rita estava no segundo reino já dentro do nível três. A pílula que ela tomou teve um efeito muito mais incomum do que o esperado.

Abrindo a porta, ele a encontrou sentada no meio do quarto, concentrada e cultivando. Seus longos cabelos flutuavam no ar enquanto sua imensa aura se espalhava em volta dela.

Rael percebeu que ela provavelmente estava ainda aprendendo a concentrar a energia, e que possivelmente, antes, aquilo estava muito pior. Ele ficou feliz por ela, pelo menos alguém estava tendo sucesso em aumentar a força.

No dia seguinte, os dois seguiam para a escola, e Rita não parava de falar animada do quanto sua força tinha aumentado em apenas uma noite, e tudo graças a Rael.

Os dois estavam novamente de mãos dadas e pareciam não se preocupar com os avisos de Mara. Na verdade, Rita nem fazia ideia que quase foi morta por aqueles dois a mando de Mara, e que ela tinha ainda avisado Rael.

Mara não apareceu na escola pela manhã, nem mesmo Tomas ou Sérgio. As aulas seguiram um padrão tranquilo, falando sobre liberações e boas combinações de cultivo.

Rael foi chamado durante a aula pelo próprio Mestre Alquimista que fez questão de parar a aula do outro instrutor apenas para chamá-lo.

No corredor do lado de fora da sala, ele se desculpou com Rael pelo incomodo e explicou que não estava conseguindo ter êxito na criação das pílulas. Rael retirou do bracelete duas dezenas de ervas camomilas banhadas em sua energia e entregou ao Mestre Alquimista.

― Minha mestra é quem colhe as ervas por isso eu não sei a diferença, mas usando essas o senhor terá sucesso. ― Rael foi bastante gentil com ele, porque sabia que ele era um senhor humilde. O velho recebeu as ervas e agradeceu diversas vezes a Rael.

― Me pergunto se esse velho homem algum dia teria a chance de conhecer essa grande mestra? ― perguntou ele de volta com um ar suplicante.

― Não quero desapontar o Mestre Alquimista, mas minha mestra não é muito sociável ― disse Rael de volta.

― Ah isso é uma pena, imagino que sua grande mestra seja uma pessoa muito ocupada. Haha. Eu tomei a liberdade de enviar uma mensagem para a nossa escola principal da capital e em breve eles poderão estar mandando um convite a você, mas considerando que você já tem uma mestra tão excepcional não sei se seria do seu interesse ― disse ele.

― Quando o convite chegar pensarei no assunto ― disse Rael, depois voltou para a sala.

O preço da erva camomila tinha aumentado de preço, embora não tenha subido mais devido as inúmeras falhas que centenas de pessoas que tentaram estavam tendo. Por ser algo relativamente de baixa importância isso ainda não atraiu a atenção de muitos. Mas o nome Samuel ainda foi muito falado em muitos locais, e ainda estava sendo.

Quando ele e Rita estavam indo embora com outros colegas encontraram Mara na saída, ela estava esperando Rael do lado do portão. Por sorte naquele momento os dois estavam apenas lado a lado, o que não deixou Mara irritada.

― O que você quer? ― Rael foi diretamente a ela com Rita do lado.

Todos os outros se afastaram, tomando distância. Apesar de Rita ir com Rael, ela ficou um pouco tímida, com vergonha até de olhar para Mara. Mara por outro lado não ligava pra isso.

― Isso é jeito de me tratar? Depois de ontem, eu achei que fossemos ficar mais íntimos ― disse ela e levantou a mão para passar no rosto de Rael, mas foi segurada por ele, impedida de continuar.

― Eu disse que ajudaria você, mas não prometi nada além disso ― disse Rael, soltando a mão dela.

Por incrível que parecesse Mara não ficou irritada. Depois da noite passada, não importava como Rael agisse, ela não se zangaria tão facilmente.

Ela acreditava que esse era o jeito dele, mas que no fundo se sentia atraído por ela, afinal ela era muito mais bonita que Rita e que qualquer jovem nessa escola.

― Você poderia ser menos grosseiro. Hoje vim aqui para lhe entregar esse convite ― Mara fez um rolo de pergaminho com uma fita vermelha surgir nas mãos ― Não sei se conhece a cidade Améria, fica ao sul daqui, a setenta quilômetros. Lá vai acontecer um evento daqui a duas semanas que irá reunir um grande número de participantes.

― Eu não tenho tempo pra isso ― reclamou Rael sem querer aceitar o convite.

― Eu ainda não disse tudo ― insistiu ela.

― Quando você for me levar para seu clã me avise que me prepararei, agora para esses eventos eu não quero fazer parte.

― Você não tem escolha! Se meu pai não der o consentimento, eu não poderei levá-lo. Ele estará presente neste evento apenas como um pedido meu para conhecer você pessoalmente, então você não pode negar isso ― disse ela apressada e empurrou o convite contra o peito dele.

Dessa vez ele aceitou e guardou no bracelete, fazendo o convite desaparecer. Se isso era para fazer ele avançar nos planos, então ele não recusaria.

― Você ainda está um trapo, deveria descansar para se recuperar totalmente ― depois de dizer isso Mara virou-se e saiu deixando os dois. Rael ficou olhando as costas dela até ela sumir na rua.

Rael estava atualmente com apenas 45% de sua força total.

― Samuel você conversou com ela? ― perguntou Rita de lado.

― Um pouco ― respondeu Rael e voltou a caminhar o que fez Rita o acompanhar.

― Então o que ela quer de você? ― perguntou Rita.

― Eu não quero fala disso agora. Preciso ir a um lugar, volto pra casa em breve ― Disse Rael saindo apressado.

― Eu posso ir com você? ― perguntou ela rapidamente.

― Não vou demorar, é algo que preciso fazer sozinho. Volte para casa e cultive ― disse ele. Rita não pôde dizer mais nada a não ser deixar ele ir.

A Guilda ficava localizada no centro da cidade em uma rua lotada de barracas com vários tipos de vendas.

O lugar era bastante movimento por pessoas de vários níveis e usando roupas bem variadas, o que incluía até uma diversidade de armaduras.

Homens usavam desde armaduras pesadas de metal, até armaduras de couro ou vestimentas comuns. As mulheres usavam armaduras de couro e outras roupas mais sensuais, enquanto poucas se arriscavam dentro de armaduras pesadas.

Rael não pôde deixar de apreciar a visão de belas mulheres vestidas com as mais sutis roupas, mas todas aparentemente armadas com pelo menos uma adaga presa em algum lugar das roupas, como na perna, na cintura etc…

Rael seguiu para onde o fluxo parecia ser maior. Um prédio de dois andares e bem largo, ele praticamente ocupava metade da rua. Havia vários guardas logo na entrada, cerca de umas três dezenas, esses guardas bem vestidos e armados, não paravam ninguém, pareciam estar ali presentes apenas mesmo para manter as aparências.

Entrando no prédio havia murais de madeira por todas as partes, havia vários cartazes espalhados nesses murais, alguns continham até imagens, de bestas ou de pessoas.

Rael seguiu para o fundo ignorando os murais, onde havia uma recepção. Uma bela mulher de óculos fazia anotações sentada numa cadeira atrás do balcão. Rael apenas parou na frente e esperou alguns segundos.

― Pois não jovem mestre? No que posso ajudar? ― perguntou a jovem cordialmente.

Ela usava um belo conjunto de roupas brancas. Podia-se notar o símbolo de um grifo no peito dela e havia também uma pequena corrente onde havia o nome “Arlete”.

― Eu gostaria de me tornar um membro da guilda, estou a procura de trabalho ― explicou Rael.

― Sempre estamos em busca de novos membros, mas acho que não será possível aceitá-lo ― a mulher então sacou um espelho de seu bracelete e estendeu para Rael. ― Só aceitamos membros que estejam pelo menos no terceiro reino ― obviamente ela havia sentido a força de Rael e já previa o resultado, mesmo assim estendeu o espelho para confirmar sua hipótese.

Rael não teve o que fazer, mas liberar o controle de seu próprio poder deixando transparecer seu nível real, o terceiro reino no nível dois.

Depois de tirar a mão do espelho, rapidamente virou a tela, onde a atendente pôde ver. Ela manteve um ar sério e respeitoso desde o início, mas ficou surpresa com aquilo.

Rael tinha apenas quinze anos e estava no terceiro reino. Isso era extremamente chocante para um jovem de apenas quinze anos. Ela olhou para Rael mais uma vez como se não tivesse olhado antes.

Ele tinha uma boa aparência e parecia ter uns vinte anos, quem diria que ele teria apenas quinze? Ela já tinha visto de quase tudo por ali, mas um jovem de quinze anos no terceiro reino era a primeira vez.

― Eu estava errada jovem mestre. Por favor, apresente seu cartão com dados de nascimento…

Trinta minutos depois, Rael pagou uma taxa em ouro e recebeu um cartão mágico onde marcava o atual rank dele: G – Cem.

A moça havia explicado que conforme ele fosse cumprindo missões, a numeração iria caindo e assim haveria mudança de rank, indo para uma letra anterior. Um cartão F teria quase nenhum benefício, enquanto outros cartões de ranks mais avançados tinham algumas regalias como: Direito a desconto nas compras da guilda, não pagar por determinadas pousadas, autorizações para entrar em alguns locais, entre outras coisas que iam até mesmo de premiações mensais.

Rael passou nos murais e tentou decorar o máximo de rostos procurados que tivesse. Desde que ele voltasse com a cabeça poderia adquiri os prêmios, assim como as bestas que deveria caçar. Embora Rael tivesse a herança de Violeta, nem ele, nem as bestas eram obrigados a responder com respeito um ao outro.

Havia prêmios para vários tipos de bestas e alguns eram dados apenas trazendo o corpo inteiro. Rael decorou o máximo que podia olhando os cartazes e então saiu da guilda voltando para a movimentada rua.

Depois disso ele seguiu para casa. Embora quisesse começar seus planos imediatamente, ele ainda precisava recuperar pelo menos 80% de sua força.

Também queria preparar alguns remédios e pílulas de recuperação. Para isso ele passou em uma das vendas e comprou algumas ervas que faltava para a criação de outras pílulas.

Em casa ele sentiu Rita mais uma vez cultivando no quarto dela. Ele apenas seguiu para o próprio quarto e começou a preparar as pílulas. Assim que prontas já tomou uma. Ela ia acelerar a recuperação de sua energia em até duas vezes. Com um bom dia de descanso e uma noite, ele já poderia partir no dia seguinte.

Pela manhã ele se despediu de Adam e de Barbara dizendo que ia treinar com sua mestra por alguns dias e por isso ficaria fora por um tempo. Um tempo que ele não sabia ao certo.

Rita e Rael saíram para fora para se despedirem em particular.

― Então você vai passar um tempo com sua mestra? ― perguntou ela sem jeito. Ela entendeu que Rael teria saudades de sua mestra, isso era algo mais do que comum.

― Vou sim. Não sei quanto tempo ficarei fora, eu quero você não vá para a escola por esses dias. Você deve ficar em casa cultivando a maior tempo que puder ― disse Rael. Obviamente ele estaria preocupado que Mara poderia armar alguma coisa.

― Eu não posso mesmo ir com você? Ou isso iria atrapalhar seu treino? ― perguntou Rita acanhada. É claro que Rael jamais levaria ela para um lugar perigoso.

― Não dá pra te levar ― disse Rael.

Ele se aproximou dela e a abraçou puxando o rosto dela para seu peito.

― Quando eu voltar quero ver você mais forte viu ― disse ele no ouvido dela e alisou as costas dela gentilmente.

Ela apenas sorriu sem jeito e abraçou Rael de volta sem nenhuma vergonha. A porta se abriu e Adam saiu encontrando os dois daquele jeito. Ele realmente não se incomodou, passou por eles, mexeu no bracelete e lançou a barraca para fora.

Rael e Rita ficaram ali juntos lado a lado vendo Adam montando a barraca. Depois Rael se virou e partiu deixando os dois.

Rael tinha duas opções, norte ou sudoeste. O norte foi a região que Rael ajudou Rika e Rose. O sudoeste ele ainda não tinha visitado, mas seria uma área extensa com grandes florestas e alguns vilarejos afastado do império, onde geralmente pessoas procuradas poderiam agir com mais facilidade, pelo fato de não haver bestas de rank tão alto.

Decidido, Rael seguiu seu caminho. Ele passaria dias e dias fora da cidade apenas para cumprir seus objetivos. Ficar mais e mais forte, tão forte quanto pudesse para então se apresentar ao clã Torres.

Depois de conseguir sair da cidade e entrar na floresta. Rael seguiu caminho pela sua rota por mais de três horas seguidas parando apenas poucas vezes para colher algumas ervas. Até que finalmente ele sentiu duas presenças dentro do terceiro reino a frente, a cerca de uns trezentos metros.

Rael acelerou o passo empolgado, esperando que fossem bandidos, ou pessoas procuradas. Então ele avançou correndo usando sua velocidade máxima e apareceu diante dos dois homens já em estado de alerta.

Os dois homens adultos vendo Rael surgir do nada sacaram suas espadas e ficaram em posição de combate. Então eles analisaram a força de Rael e perceberam que ele estava no segundo reino e sozinho.

Imediatamente suspiraram e deixaram suas espadas voltarem para os braceletes enquanto saiam da posição de combate. Afinal, Rael estava desarmado e não era ninguém de nenhuma lista de procurados. A fisionomia de Rael dificilmente seria esquecida caso fosse alguém de uma lista.

Já Rael foi o que mais se desanimou. Os dois eram dois sujeitos comuns e sem símbolos de clãs. Sem marca de escravos, sem parecer com procurados, nada, não havia nenhum motivo para Rael atacar aqueles dois, a não ser que ele quisesse mesmo sujar suas mãos com inocentes.

― Que susto você nos deu rapaz! Essa floresta é perigosa e não é bom você andar sozinho. O que faz aqui? ― perguntou o homem mais alto dos dois com educação.

― Estou caçando, desculpem assustar vocês ― disse Rael e passou por eles normalmente.

― Você não quer se juntar a nós? Caçar sozinho pode ser perigoso pra você que está apenas no segundo reino. Desde que você se junte a nós, dividiremos todos os futuros ganhos entre nós três igualmente ― sugeriu o mesmo homem.

Rael parou por um momento. Não esperava que houvesse pessoas assim nesse mundo de hoje. O homem estava preocupado com Rael.

― Obrigado pelo convite, mas prefiro caçar sozinho ― disse Rael se virando para eles. Sacou duas pílulas redondas verdes e jogou para o homem que as pegou no ar.

― Essas pílulas podem ajudar a curar ferimentos, podem ajudar vocês em algum momento  ― depois de dizer isso ele partiu.

Ficou apenas ouvindo o obrigado do homem, que gritou enquanto Rael voltava a correr.

Rael topou com mais cinco grupos de pessoas e todas normais como aqueles dois, porém é claro, nem todas ofereciam qualquer apoio, a maioria apenas o ignoravam assim como ele fazia depois de perceber que eram pessoas comuns.

Isso apenas no primeiro dia.

Durante dois dias seguindo caminho. Rael colheu uma série de ervas, matou várias bestas de Rank baixo, as quais não mudou em nada seu poder.

Ele descansava no alto de árvores para dormir. Fazia fogueiras para assar a carne das bestas que caçava quando ficava com forme, e usava algumas ervas que serviam como tempero. Ele estava começando a pensar que não encontraria situações diferentes e aquilo o desanimava.

Conforme chegou o terceiro e quarto dia. O número de encontro com pessoas foi drasticamente reduzido e Rael continuava seguindo sempre a mesma rota.

Foi no início do quarto dia que ele finalmente encontrou algo que o fez se animar completamente.

Dois homens armados estavam perseguindo uma bela mulher adulta. Talvez aquela não fosse uma cena para sorrir, mas Rael não conseguiu se conter.

Ele saltou, caindo atrás da mulher, de frente aos homens, que pararam bruscamente pela surpresa.

A mulher que estava cansada de fugir, caiu um pouco a frente, quase sem fôlego e se sentiu aliviada por ter aparecido alguém que parecia estar prestes a protegê-la. Ela analisou o poder de Rael e descobriu que estava no segundo reino, Rael parecia ser mais fraco que ela.

A mulher estava no terceiro reino nível quatro, enquanto os perseguidores ambos estavam no terceiro reino nível seis. A mulher ainda olhou em volta tentando encontrar alguma companhia de Rael ou algo assim, não havia nada, era somente ele sua única esperança. Aquilo a preencheu de desespero mais uma vez.

Os dois homens tiveram alguns segundos de choque, e então ao perceberem o nível de Rael voltaram a ficar calmos. O fato estranho que não saia da mente deles, era que Rael era mais fraco, mas estava sorrindo alegre como se ele fosse superior e como se aquela intervenção dele fosse de alguma forma um heroísmo.

― Veja só, o chefe vai ficar feliz, achamos mais um futuro escravo ― disse o homem um pouco gordo, dando um passo à frente apertando suas duas adagas.

― Jovem idiota, em vez de fingir que não nos viu e ignorar isso, veio para nosso caminho ― disse o magrelo do lado, juntando as duas mãos na espada de porte médio.

A mulher não sabia o que fazer, Rael ter aparecido deu a ela somente um tempo de descanso, no qual ela estava aproveitando para recuperar o fôlego. Quando aqueles dois estivessem atacando Rael, ela definitivamente voltaria a fugir, pois eles estariam ocupados.

Não que ela fosse insensível, mas ela não conhecia Rael, se ela fosse pega seria abusada por dezenas de homens nojentos e sua família tinha se sacrificado para que ela fugisse em vão.

― Então vamos começar? ― perguntou Rael, ainda sorrindo enquanto se preparava para atacar.

Os dois homens se olharam e riram. Para eles Rael tinha problemas na cabeça.

 

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Rita voltava das compras que os pais pediram para ela fazer e acabou sendo barrada por Mara. Mara estava muito bem vestida em um lindo vestido de prata que brilhava com os raios do Sol da manhã.

― Olá pequena irmã Rita, eu gostaria que você me dissesse onde está Samuel? Não vejo você e ele frequentando a escola a alguns dias ― perguntou ela. Rita ficou um pouco inquieta, mas conteve o máximo seu nervosismo.

― Ele está em treinamento com sua mestra, partiu já fazem quatro dias ― explicou Rita.

Mara ficou analisando cuidadosamente o rosto de Rita, como se buscasse uma brecha para uma possível mentira.

― Se a pequena irmã Rita está dizendo, então eu irei acreditar ― disse Mara de volta.

― Pode me dizer o que a irmã sênior quer com ele? Ele não me conta essas coisas ― disse Rita um pouco acanhada.

― Como não? Eu e ele já estamos saindo e ele é meu futuro marido, como a pequena irmã Rita não saberia disso? ― perguntou Mara de volta com um ar gracioso.

Rita não ficou tão surpresa, ela apenas veio tentando evitar que fosse esse o caso, mas no fim aquilo acabou sendo o que ela já esperava.

― Irmã sênior estou indo agora, se meu irmão aparecer aviso que você quer falar com ele. Tem algum endereço que gostaria de me dar para entregá-lo quando ele chegar? ― perguntou Rita, educadamente, de volta, ela soou bem natural mesmo depois de ouvir a resposta de Mara.

― Aqui ― Mara passou um papel a ela com tudo anotado. ― Diga a ele para e me ver assim que voltar ― depois de dizer isso, Mara fez um comprimento com a cabeça e seguiu caminho.

Rita ficou em silêncio segurando o papel. Ela definitivamente não podia ganhar de uma mulher tão bonita quanto Mara. Rita sabia que seu corpo ainda estava se desenvolvendo e não pôde fazer mais nada, a não ser guardar o bilhete no bracelete.