Ascensão de um Deus

759 - O Senhor Tem Medo da Tia Le Su?

Autor: Calebe Piccoli Camargo

Le Chang estava sentado dentro de uma grande sala, ela era belamente decorada e cheia de luxo.

As cadeiras eram decoradas com ouro e pedras preciosas e até mesmo o chão era feito com as pedras mais belas e caras que existiam ali.

O cheiro do lugar era levemente adocicado, com uma pitada sutil de ar marinho.

Le Chang apreciava a sensação que o lugar trazia e aguardava tranquilamente sentado sobre uma das cadeiras, enquanto tomava um pouco de chá e comia alguns biscoitos trazidos alguns minutos atrás por uma jovem empregada

Então, alguns minutos depois, uma batida tirou o jovem de seus devaneios.

El Der andava lentamente na frente de um pequeno grupo de pessoas, cinco para ser mais exato.

Eram três mulheres e dois homens.

Os dois homens eram claramente de meia idade e duas das mulheres também.

A outra jovem era juvenil, talvez estando em seus quinze ou dezesseis anos.

Le Chang os observou com cuidado e poderia dizer que eles eram relativamente poderosos.

Os dois casais de meia idade estavam com suas forças firmadas no Ápice do Dao dos Imortais e a jovem estava no Ápice do Dao das Leis.

Apesar de ser complexo, o Caminho Marcial quando seguido com o uso da Energia da Vida proporcionava um avanço muito mais rápido e suave, sendo assim, era normal pessoas novas estarem em Daos avançados.

Claro, normal entre os gênios.

“Como eu disse, eu gostaria de lhe apresentar para aqueles que carregam o nome Le com eles...” El Der fez um leve movimento apontando para as cinco pessoas logo atrás dele.

“É um prazer conhecer vocês, não imaginava que encontraria minha Ancestral nesse lugar...” Le Chang fez uma leve reverência na direção da mulher mais jovem.

“Oh! Você é poderoso, certo?” No mesmo instante, os casais de meia idade desapareceram e restou apenas a jovem no recinto.

Seu cultivo no Dao das Leis? Falso!

Aquele par de olhos castanhos claros revelavam uma profundidade descomunal de poder, e fizeram até mesmo Le Chang sentir um leve temor em sua alma.

Ela, com certeza absoluta, estava no Ápice do Cultivo.

Le Chang sorriu para a jovem e se surpreendeu quando ela instantaneamente apareceu na frente dele, levando sua face bem perto da dele.

Ela o fitava olho no olho, e logo moveu-se para o lado, examinando Le Chang como se ele fosse um produto encomendado e ela estava conferindo se havia sido entregue em boas condições.

“Eu sou Le Su, atualmente sou a Mestra Anciã do Clã Le...” Ela disse com um sorriso no rosto, bem animada.

“Mestra Anciã?...” – Le Chang.

“O Clã Le é regido por um Matriarcado, sempre a mulher mais velha é a Líder do Clã Le, nem sempre ela é a pessoa mais forte no Clã e age mais como uma líder política e administrativa dentro do Clã.

No caso da Senhorita Le Su, ela é tanto a mulher mais velha, como, sem dúvida alguma, a mais forte entre todos...” El Der falava em um tom bem respeitoso.

“Entendo, de qualquer forma, a Senhorita se importaria se eu testasse o nosso parentesco?...” – Le Chang.

A jovem olhou para ele com curiosidade, seus longos cabelos castanhos claros e seus olhos de mesma cor, brilhavam com um tom amendoado e sua pele branca como a neve, unida com seus lábios rosados, a deixavam com uma beleza estonteante e cheia de vida.

“Claro...” – Le Su.

Le Chang pediu um fio de cabelo para ela, a qual foi rapidamente providenciado por Le Su.

Le Chang colocou o fio de cabelo na sua palma direita e enviou grandes quantidades de Energia da Criação, Energia da Realidade, Energia da Vida, Energia Dourada e Energia Primal.

No mesmo instante, ele pegou um fio de cabelo seu e levou para sua mão esquerda, enviando as mesmas energias.

Em alguns segundos, lentamente um fio dourado começou a criar-se, unindo o conteúdo da mão esquerda e direita de Le Chang, como uma ponte dourada.

“Parece que nós realmente somos parentes...” Le Chang tinha os olhos levemente marejados e era possível ver que ele estava muito feliz.

Ele simplesmente tremia e seus olhos enchiam-se cada vez mais com lágrimas.

Suas mãos trêmulas e seu queixo levemente aberto, com seu rosto vermelho e molhado pelas lágrimas que começavam a escorrer, o deixavam com uma aparência extremamente indefesa.

Le Su foi até ele e o abraçou, acariciando as costas do jovem levemente, afinal, ela era como uma avó para ele.

“O que houve?... O que houve?...” Dizia ela fazendo carinho nas costas de Le Chang.

Demorou um pouco para ele se acalmar, mas após a comoção, ele explicou tudo o que aconteceu com o Clã Le no Planeta Plumas ao Vento.

“Entendo...” Le Su fez uma cara cheia de ressentimento e raiva, imaginar que alguém havia feito isso com o Clã Le, mesmo ela não o conhecendo, a enfurecia de várias formas.

“Eu... Eu... Eu pensei que o Clã se resumia a mim e meus filhos, pensei que havia perdido todos, nossa história, meu pai, tudo... Pensei que se resumiria apenas a mim. Saber que existem outras pessoas do Clã Le, isso me deixa muito feliz...” Le Chang sorria para Le Su, ele claramente estava feliz.

“Certo... Certo... Chega de chorar, já que o meu netinho super distante apareceu, acredito que nosso Clã Le merece uma festa...” Le Su disse sorrindo e limpando as lágrimas do rosto de Le Chang.

Ele sorriu animado.

“Garoto, eu vou levar meu netinho comigo, lembre-se que amanhã temos que ir até a Reunião dos Anciãos...” Le Su disse para El Der em um tom sério e importante.

“Garoto?...” Le Chang murmurou.

“Hehehe! Você pode não perceber pela minha aparência linda e juvenil, mas Elder é um dos meus Discípulos, eu que ensinei ele os mistérios do Dao Marcial...” Le Su estufou o peito orgulhosa e El Der apenas sorriu em derrota, ele realmente era Discípulo de Le Su e, claramente, ela era mais forte do que ele, e mais velha também.

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“Oh! A Senhorita Le Su é bem velha então, certo Senhor Han?...” Disse uma menininha com olhinhos animados e radiantes.

“Sim, mas não fale isso para ela, do contrário ela vai saber que fui eu...” – Le Han.

“Hahaha! Senhor Han, o senhor tem medo da Tia Le Su?...” Disse um menino com um rosto travesso e hiperativo.

“M... M... Medo? Pequeno Chen, eu não tenho m... medo de nada...” Le Han sorria e estufava o peito, mas sua risada parecia o lembrar do dia em que ele era pequeno e acabou chamando Le Su de velha esquisita, porque ela sempre parecia ser uma jovem de dezesseis anos.

Dizem que Le Han, com dez anos, lutou contra Le Su por três dias antes de ela desistir e sair pisando indignada por ter sido derrotada por uma criança.

O que Le Han temia não era Le Su, era sua mãe, que quando soube o que ele fez, colocou ele de castigo e ainda tomou umas chineladas e ele jamais se esqueceu daquilo.

Se o chinelo de uma mãe mortal é supremo, o que dizer de uma mãe que também é uma Deusa Suprema?




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