Ascensão de um Deus

744 - Capaz de Fazer os Demônios Tremerem!

Autor: Calebe Piccoli Camargo

Ra Che estremeceu e seu coração acelerou.

Min Jia a olhava com uma intensidade incomum, e Ra Che sentia que se mentisse para aqueles olhos, ela morreria com um mero pensamento.

O poder de Min Jia era indescritível e para alguém tão fraco como Ra Che, ele era ainda maior.

“Você esteve o tempo todo pensando que fazendo isso lhe deveríamos um favor e o usaria caso você ou alguém que você ama estivesse em perigo. Contudo, eu tenho certeza que estava enganando a si mesma.

Algo lhe aflige agora, mas com sua inteligência você entendeu que era cedo demais usar esse favor agora e por isso se reteve.

Então, diga-me, Ra Che, qual é o problema? Nós não gostamos de dever favores a ninguém...” A voz de Min Jia era incrivelmente poderosa e antiga, apesar da suavidade e a delicadeza de uma dama, ainda era uma voz capaz de fazer os demônios tremerem.

“E... Eu... Eu...” Ra Che estava sentada e suas mãos estavam fechadas, agarrando os lados de seu vestido, ela claramente estava nervosa.

“E... Eu sou do Clã Ra, é um Clã pequeno e não muito famoso. Nós temos alguns combatentes, mas ninguém é muito forte, eu provavelmente estou a par com o Patriarca do Clã, meu pai.

E... E... Enfim, o... o problema...” Ra Che tinha um olhar distante e a tristeza dançava em sua bela face.

“Eu... Eu tenho... Tenho uma irmã mais nova. E... Ela não é poderosa e seu talento como maga é inferior ao meu, por isso, nenhuma posição resta para ela no nosso Clã, além de ser uma esposa, muito provavelmente no futuro ela será usada como moeda política entre o Clã Ra e algum outro Clã mais poderoso.

É algo comum no Império, os casamentos políticos.

A... Apesar de tudo, te... tenho certeza que meu pai... meu pai escolheria um bom homem para ser o futuro esposa de minha irmã, mas... e... eu soube que alguns Anciãos do Clã Ra estão tentando unir-se com o Clã Jas e eles não são boas pessoas, são conhecidos por atrocidades e a lista de seus crimes são longas.

No momento, as coisas estão apenas começando, provavelmente eles vão esperar mais um ou dois anos para tomarem uma atitude, todavia, eu estou tentando desde agora reunir poder o suficiente para quando o dia chegar, eu ser capaz de frear tal união, que deverá ser concretizada com a minha irmã mais nova se casando com o filho do Patriarca do Clã Jas...” – Ra Che.

Min Jia em nenhum momento parou de analisar a Alma de Ra Che.

Ela sabia que a mulher não estava mentindo para ela.

Em suma, ela não tinha um problema imediato, como ela mesmo disse, uma atitude demoraria, pelo menos, mais um ano antes de ser tomada e mesmo que fosse, o casamento não aconteceria imediatamente.

“Minha irmã mais nova tem apenas treze anos, mas ela estará na idade comum de se casar quando atingir seus dezesseis anos, sendo assim, tenho três anos até precisar tomar alguma atitude...” – Ra Che.

“E o que você pretendia pedir para nós quando o dia chegasse?...” – Min Jia.

“E... Eu não sei. Sinceramente ficaria contente caso vocês pudessem fugir com ela para o lugar de onde vocês vieram, saber que ela está longe daqui e segura, é mais do que o suficiente para mim...” – Ra Che.

“Se isso vier a acontecer, a culpa recairia sobre você...” – Min Jia.

“Eu não me importo, a felicidade de minha irmã é mais importante... Nossa mãe morreu a alguns anos e minha irmãzinha se parece muito com ela, nossa mãe era amorosa, gentil e tinha um sorriso cheio de amor, e eu vejo o mesmo na face de minha irmã...” – Ra Che.

“Você provavelmente seria expulsa do Clã, talvez até mesmo morta...” – Min Jia.

“Sim, provavelmente se revoltariam por eu acabar com as chances de nosso Clã ficar rico ao unir-se com o Clã Jas, tenho certeza que meu pai perderia seu posto e eu seria caçada, morta ou vendida como escrava...” Ra Che se abraçou, como se tentasse confortar ela mesma do futuro que estava reservado para ela.

“Não tem nenhuma outra solução?...” – Min Jia.

Ra Che ergueu seus olhos em direção a Min Jia e suspirou.

“A única forma de ela não ser forçada a um casamento político seria se ela tivesse um talento, pelo menos, igual ao meu. A outra forma era o nosso Clã não ter nenhuma vantagem em se unir ao Clã Jas, mas eles são, pelo menos, dez vezes mais ricos do que nós e os mais poderosos entre eles são cerca de cinco vezes mais fortes que eu...” – Ra Che.

“Hm... Então ela só precisa ficar mais forte? Isso é simples...” Min Jia disse com um sorriso em seu rosto.

Ra Che olhou para ela e sua face dizia que ela não havia entendido.

“Ficar forte ela com certeza poderia, mas com o seu talento, mesmo se ela treinasse sua vida inteira, ela provavelmente acabaria estagnando na metade do meu poder.

Talento é tudo aqui.

Ao nascer, sua Janela de Status lhe diz muitas coisas, obviamente que o poder pode ser acumulado, mas os limites impostos ao nascer, eles são absolutos.

Heróis, Magos, Guerreiros, Reis, Imperadores, Princesas, Rainhas e Imperatrizes, Sábios ou Paladinos, todos eles nascem com um talento, um potencial, mas no fim, até mesmo os grandes chegam ao limite de suas forças.

Um exemplo sou eu, meu potencial já foi praticamente todo explorado, eu provavelmente ficarei uns 10% mais forte do que sou hoje e esse será o meu ápice, depois, é só declínio...” As palavras de Ra Che carregavam uma grande melancolia, era óbvio que ela havia passado muito tempo pensando em várias possibilidades.

“Você subestima o Poder da Vida...” Uma voz singular se fez presente ao redor de Ra Che, ela não via ninguém e sabia que não era Min Jia que falava, mas era como se alguém sussurrasse bem perto de seu ouvido algumas palavras.

“A Vida luta contra a Morte de forma incansável, desde o início dos tempos foi assim e continuará sendo pela eternidade.

Uma batalha literalmente mortal.

A Vida nunca venceu, mas cada vez que perde, ela vem mais forte, caindo e se levantando, perdendo e perdendo, sem jamais ver a menor chance de vencer, todavia, a Vida guarda um potencial oculto que as pessoas não percebem até precisar dele.

As pessoas tendem a rotular a si mesmo e impor limites aos seus sonhos e metas como se fosse preciso uma benção divina para seguir em frente e lutar pelos seus objetivos.

Todos são capazes, esse potencial reside dentro de nós e ele só aparece nas horas de necessidade, quando tudo ao nosso redor nos oprime e nos obriga a fazer coisas que jamais pensamos que seríamos capazes de fazer.

Uma mãe que tira energias além do limite de seu corpo, para ser capaz de trabalhar, estudar e ainda ter tempo de ler uma história para seu filho antes de dormir.

O poder reside dentro de todos, basta pedirmos...” Chi Ziyun apareceu ao lado de Min Jia e seus olhos eram Dourados, a Energia da Vida dançava ao redor da jovem e Ra Che viu lágrimas rolando por suas bochechas, ela não havia entendido, mas não era ela que chorava, era a Vida dentro de si que havia finalmente encontrado Chi Ziyun, a Fonte da Vida.




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