Ascensão de um Deus

716 - Eu Vim Tomar!

Autor: Calebe Piccoli Camargo

A frente de Le Chang havia uma parede feita do próprio tecido espacial.

Ela mudava de forma constantemente, como se não fosse algo definido e pudesse se tornar qualquer coisa.

Ele então levou sua mão até a parede ou melhor, os limites do Reino Mortal e assim que o fez imediatamente ele se viu sendo levado para um outro lugar.

Tudo ao seu redor era branco, mas abaixo dos seus pés, havia um grande disco de mármore.

No centro, havia um Pilar negro e um ser estava preso a ele.

Era como um dos Três Seres Negros, mas era menor, sua estatura era como a de um ser humano normal.

Ele era preso por correntes douradas, suas mãos e pés eram seladas por grilhões pesados e robustos.

O mármore que no começo era totalmente branco, tinha agora manchas negras se espalhando por todo ele, como se uma doença o consumisse pouco a pouco.

Le Chang ficou olhando para aquele ser e sentia-se diante de algo sem explicação.

“Nós dois sabemos que você está acordado...” – Le Chang.

O ser negro levantou sua cabeça, com alguma dificuldade devido a corrente ao redor de seu pescoço.

“Você é o Abismo?...” – Le Chang.

“Interessante, eu consigo sentir a presença de Le Mei emanando de você.... Oh! Entendi, você é o Detentor da Energia Dourada e olha só, também herdou o Pilar da Criação, Controle Absoluto!...” – Abismo.

Le Chang foi completamente ignorado e para sua surpresa, nenhum de seus segredos ficou escondido sob o olhar do ser.

“Sabe, até hoje, vi muitos cultivadores sendo levados à loucura por causa de meu poder e quando aquele outro idiota selou os Títulos dos Pilares da Criação, fiquei um pouco entediado.

Todavia, quem diria, que um dia um ser com a Energia Dourada acabaria sendo morto por mim?

Parece até uma piada de mal gosto do Destino.

Fui selado pela Primeira Detentora da Energia Dourada, mas serei aquele a exterminar com o último dos Detentores...” – Abismo.

Le Chang ficou olhando para o ser a sua frente e indagava-se da real extensão dos seus poderes.

Ele podia sentir que as correntes de energia dourada eram poderosas demais.

Com apenas um olhar, Le Chang podia dizer que a quantidade de Energia que havia nas correntes, era, pelo menos, mil vezes maior do que ele atualmente possuía em seu corpo.

“Eu não vim aqui para lutar com você, eu sei que não tenho esse tipo de força. Eu vim aqui, para controlar o poder que outrora foi seu...” – Le Chang.

“Controlar?...” O Abismo fez uma expressão de surpresa, se é que era possível já que seu rosto era basicamente sem características além de boca e olhos.

“Sim. Eu atualmente estou indo para o Reino Asura e preciso entrar no Castelo do Deus Demônio, mas, para isso, preciso ser capaz de usar o Controle Absoluto...” – Le Chang.

“Garoto, ninguém é capaz de controlar o meu poder. O nome do meu poder é chamado de Controle Absoluto, mas eu prefiro chamar de outra forma: Equilibro Amaldiçoado.

Essa capacidade de controlar tudo e todos me foi dado com a intenção de destruir. Quando esta força se revelar em seu interior, você sentirá um desejo além da compreensão de matar e destruir.

O Caos que existe dentro desse poder foi colocado por mim, mas não nasceu de mim e sim comigo.

Se o Fim busca trazer a destruição para todo o Vácuo Eterno, eu sou aquele que busca trazer a destruição para toda a Criação.

Além disso, esqueça.

Para ter a mínima chance, você precisaria estar, pelo menos, no Pináculo do Cultivo...” – Abismo.

Le Chang continuou olhando para o ser a sua frente.

Ele tentava compreender quais as intenções daquela massa de Energia.

Com apenas um olhar, Le Chang podia sentir perfeitamente que não havia ódio ou desejo de vingança emanando daquele ser, ele era o que dizia ser, uma força destinada a trazer destruição e caos para a Criação.

“Eu não me importo com isso.

Alguém que eu amo, mais do que a mim mesmo, precisa de minha ajuda. Se para a salvar eu precisar esmagar toda a Criação, que assim seja.

Eu jamais desejei ser um herói, é irreal pensar em salvar todos, é utópico pensar em tal possibilidade com a força que possuo em minhas mãos.

Sendo assim, eu, pelo menos, salvarei aqueles que me são importantes.

E eu não vim pedir permissão, implorar ou barganhar...” Le Chang liberou todo o seu cultivo, seus títulos divinos, suas Centelhas Divinas, a Energia Dourada e todas as forças que residiam dentro dele vieram à tona.

“Eu vim para tomar!” E então Le Chang deu um passo para a frente, pisando na parte negra do disco branco.

Quando o fez, uma pressão sem igual despencou sobre ele.

No mesmo instante ele se viu de joelhos e sangue jorrou por seu nariz e boca.

Ele arregalou os olhos, surpreso pela quantidade simples irreal de poder que emanava daquele ser a sua frente.

Todavia, o Abismo surpreendeu-se quando mesmo com o som de seus ossos se rachando, Le Chang ainda se colocou de pé.

“Minha esposa, Chi Ziyun, é a Vida. Uma... Cof... Cof... coisa interessante é que minha Fonte de Vida é particularmente superior a qualquer... Cof... Cof... outra pessoa, talvez por que nossas almas estejam conectadas, mas eu sinto... Cof... Cof... Cof... como se minha vida não fosse capaz de conhecer a morte...” – Le Chang.

Então, no mesmo instante, seu corpo foi envolto por Chamas Douradas, no entanto, elas não eram geradas pela Energia Dourada e sim pela queima de sua Fonte de Vida.

A vida de Le Chang começou a queimar como palha seca lançada ao fogo.

O Abismo arregalou seus olhos quando viu os ossos de Le Chang quebrando e se recuperando instantaneamente.

Ele deu outro passo e novamente foi levado a ficar de joelhos.

Colocou-se de pé novamente e deu outro, dessa vez, caiu deitado e todos os ossos de seu corpo foram esmagados.

Seu crânio afundou, mas ele não parou.

Sua vida queimava com um poder tão grande que parecia que a qualquer momento ele morreria.

E então assim foi, um passo e então caia, levantava-se e dava outro passo e então caia.

Após algum tempo, Le Chang estava na metade do caminho.

Ele estava em pé e apesar do sangue, lágrimas e a dor excruciante que dançava em sua face, seus olhos estavam tomados por um brilho dourado e uma determinação sem precedentes dançava em seu olhar.

Era como se Le Chang ignorasse todas as sensações em seu corpo e simplesmente prosseguia.

O Abismo semicerrou seus olhos e podia perceber que o garoto não estava brincando.

“Chega!” Uma voz cheia de poder soou por todos os lados e Le Chang foi atirado para a parte branca do disco.

O Abismo olhava na direção dele e uma surpresa dançava em seus olhos.

“Escute garoto, mesmo você parecendo ser imortal, nós dois sabemos que você não será capaz de chegar até mim e mesmo que o faça, não lhe restará poder suficiente para tentar subjugar o Caos que reside dentro de mim.

Sendo assim, faça do jeito certo e quando estiver no Pináculo do Cultivo, volte aqui e tente novamente...” – Abismo.

Le Chang ignorou as palavras do ser e começou a colocar-se de pé novamente e entrou na parte negra.

Quando chegava na metade do caminho, o Abismo o jogava para fora de novo e assim foi, por dias, meses, anos, décadas, séculos.

O tempo ali era maleável, sendo assim, o que pareceu ter sido um milênio, não era mais do que um segundo nos outros lugares.

“Eu não vim pedir, implorar ou barganhar! Eu vim tomar!” – Le Chang.




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