Ascensão de um Deus

698 - Quantos Foram?

Sil Ny olhou para Le Huo como se encarasse uma montanha que é capaz de transpor as nuvens e tornar-se imensurável.

Quanto mais perto ele chegava do jovem, maior era a sensação de que ele era uma formiga nos pés de um gigante.

Os olhos do garoto pareciam varrer sua alma e desconstruir os mistérios do real e do irreal.

Le Huo era filho de Lian Mei e de Le Chang.

Ele herdou o potencial infinito de seu pai, mas também a genialidade indescritível de sua mãe.

Como suas irmãs e irmão, Le Huo era superior em todos os quesitos.

Ali, nos olhos daquele garoto, era possível ver a real diferença entre as pessoas comuns e os verdadeiros gênios, aqueles que estão destinados desde antes de nascerem a pisar no topo do mundo.

Porém, para muitos que observavam aquelas crianças, um pensamento tolo subia a suas mentes.

A ideia de que eles receberam uma força extrema sem nenhum esforço.

Esses não faziam ideia do quão intenso era o treinamento e os estudos das crianças.

A genialidade é um fator extremamente importante, mas apenas quando o esforço é colocado na equação que verdadeiramente alguém torna-se digno de trilhar o caminho até o topo.

Le Huo, Le Li, Le Liang e Le Kun, estavam além de seu Dao, eles podiam batalhar facilmente com alguém no Dao do Santo Rei, claro, no início do mesmo, mas, essa força não veio do nada.

Eles treinaram todos os dias, estudaram e ouviram os ensinamentos de suas mães e pai.

O poder não foi dado de mão beijada para eles, mas foi o resultado de muito esforço e dedicação.

Quantos foram aqueles capazes de lembrar o fato de Le Li passar a maioria de seu tempo lendo?

Estudando as nuances das matrizes e do conhecimento do Dao Marcial.

Quantos foram aqueles capazes de lembrar o fato de que Le Huo passava a maioria de seu tempo com as Feras Mágicas, aprimorando suas técnicas de Domador?

Até atingir o ponto onde podia fazer um ser de baixo escalão, ascender até o patamar dos Dragões.

Quantos foram aqueles capazes de lembrar o fato de que Le Kun treinava diretamente os guardas da Seita Dragão, todos os dias, com afinco para proteger sua família e sua Seita?

Até que ele fosse capaz de tornar-se não apenas um poderoso combatente, mas um exímio general.

Quantos foram aqueles capazes de lembrar o fato de que Le Liang ajudava a Seita a cultivar Ervas Espirituais e que era extremamente versada no entendimento de plantas e animais, e consequentemente na Energia da Vida?

Até chegar ao ponto de que podia em tão tenra idade e com um cultivo tão baixo, invocar a Árvore e o Deus Dragão da Vida.

Muitos se esqueceram das dificuldades, pois elas normalmente não ficam evidentes e acabam perdendo o brilho diante das grandes conquistas.

Le Chang está agora no topo do Reino Mortal e ali ele é absoluto.

Porém, quantos se lembrar da dor ao perder seu pai?

Quantos se lembram do terror que ele sentiu ao saber que Chi Ziyun estava seriamente ferida por Cui Jia?

Quantos se lembram da dor, da tristeza, da angústia, do medo e do terror que Le Chang passou até chegar ali?

Sendo assim, quantos ignoraram o fato de que as crianças por mais que tivessem tempo de brincar e fazer o que qualquer outra criança fazia, tentavam se esforçar ao máximo para ficarem mais fortes?

Quantos se lembram de que Le Chang chorou a perda de seu pai na frente de seus filhos?

O sucesso é atingido com esforço.

As pessoas são aplaudidas em público pelo que fizeram anos na solidão.

Aqueles que marcaram as Eras, não chegaram lá por acaso, mas por terem feito um esforço além dos seus limites quando ninguém os via.

É fácil ser grande no palco, ser honroso, humilde, gentil, generoso e bondoso, quando você é o centro das atenções.

O verdadeiro “eu” é revelado quando estou sozinho e quando os amigos não veem, quando os meus pais não me enxergam, quando parece que nada me vigia, é ali, naquele instante, que a realidade vem à tona.

O dia em que você for capaz de brilhar quando ninguém estiver por perto, é o dia em que serás a luz que acalma e conforta, o sol que iluminará todos ao seu redor.

Sendo assim, era fácil entender porque muitos achavam o poder das crianças algo ganho de forma simples, afinal, elas tinham um pai poderoso, certo?

No entanto, os ignorem, eles são tolos que não são capazes de mensurar o esforço dos outros, afinal, o que rege suas mentes é: “Se eu não consigo, ninguém mais consegue!”

E acabam por esquecer que a minha falha, a minha fraqueza, a minha preguiça, a minha desistência, não é lei para os demais.

Enquanto uns dormem, outros estudam.

Enquanto uns brigam, outros pacificam.

Enquanto uns roubam, outros doam.

Enquanto uns desistem, outros vão além.

Enquanto uns decidem ficar no chão, outros se colocam de pé quantas vezes forem necessárias.

E tais pensamentos corriam na mente de Sil Ny, ele por um instante chegou a pensar que as crianças eram privilegiadas demais.

Contudo, ao deparar-se com os olhos de Le Huo, ele compreendeu o quão tolo havia sido.

“É um prazer lutar contra você...” Disse Sil Ny curvando sua cabeça levemente.

“O prazer é todo meu...” Disse Le Huo também curvando sua cabeça lentamente.

“Comecem!” Rugiu o Juiz.

Le Huo disparou contra seu oponente, trazendo uma espada de dois gumes em direção a cabeça de Sil Ny.

O mesmo trouxe suas adagas e aparou o golpe, mas ele foi empurrado vários metros.

Sil Ny sorriu e moveu-se pelo espaço, aparecendo bem na frente de Le Huo e desferindo um golpe de cima para baixo em direção ao pescoço do garoto.

No entanto, Le Huo sumiu e reapareceu nas costas do oponente, que também moveu-se pelo espaço e então, dois vultos iniciaram a batalha.

Em um dado momento, eles pararam de mover-se pelo espaço e lutavam como se fossem seres humanos normais, apenas mais velozes.

Não haviam habilidades ou técnicas marciais, não haviam matrizes, nem pílulas ou elixires.

Ali era pura e simples habilidade na arte do combate.

Espada contra Adagas.

Meio do Dao Santo contra o Ápice do mesmo.

Criança contra adulto.

Novo contra o velho.

Poder contra Poder.

Ali estavam dois cultivadores, dando tudo de si para derrotar o outro com honra.

Tanto Sil Ny quanto Le Huo sabiam que o garoto podia vencer facilmente se usasse suas habilidades extremamente poderosas.

No entanto, ambos queriam ter uma boa batalha e um acordo silencioso foi tomado entre eles, de que usariam uma força física equivalente, para que fosse o mais justo possível.

O controle sobre o próprio poder que eles demonstraram era surreal, era quase irreal dois cultivadores igualarem perfeitamente a força física.

No entanto, eles conseguiram e horas se passaram.

 

Até que enfim houve um vencedor.




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