Ascensão de um Deus

667 - Sol Que Iluminará Toda a Criação!

“Eu não entendo...” Le Chang falava enquanto andava lentamente em direção a Ar Rog que a esse momento estava apavorado, ele não tinha ideia que o jovem estava tão poderoso.

Ele sabia, com absoluta certeza, de que nem mesmo se ele se unisse com os outros dois cultivadores de igual poder a ele e todo o restante de cultivadores aliados, ele venceria Le Chang.

A força que o jovem mostrou simplesmente estava além.

Além da lógica, além da realidade, além do tempo, além de tudo.

“Eu não entendo, como vocês surgem aos montes, sem um pingo de compaixão, moral ou ética.

A existência é recheada de caos e destruição e isso dói, minha alma chora ao ver tanta desgraça.

Quando eu atingi o domínio sobre a Energia da Realidade, por um instante, eu ouvi todos.

Ouvi o clamor dos fracos, ouvi o grito de desespero dos depressivos, escutei os últimos suspiros das vítimas, escutei o choro das almas massacradas, senti a dor daqueles que sofrem, senti a angústia daqueles que tem a certeza de que seus agressores retornarão à noite.

Eu, sofri junto deles, lágrimas molharam meu rosto e eu entendi algo, o mal é inerente e sempre será, se não for, nós perdemos metade de nossas características.

Todos os seres vivos vivem em uma dualidade diária, lutando para ir até a luz, enquanto a escuridão sussurra em seus ouvidos.

Contudo, a escuridão não existe, ela é apenas a ausência da luz.

E a pouco tempo, eu li um livro muito especial e ele me tocou como nenhum outro jamais havia tocado, foi a mais linda sabedoria que eu já havia presenciado, o mais belo dos conselhos, ali eu vi o manual para a vida.

E em um lugar está escrito: “Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo”.

Contudo, eu não havia entendido esta profundidade até este momento, quando vi a cabeça de meus amigos pelo chão, quando vi o sofrimento daqueles que estavam dispostos a sacrificarem tudo por mim, quando vi que a honra e o caráter prevaleceram sobre suas próprias vidas, isso para mim é ser luz, é ser digno.

Foi nesses cultivadores que você tanto desprezou, que eu aprendi minha maior lição.

Se a Existência jaz na escuridão, eu serei a luz que iluminará até os cantos mais sombrios.

Eu serei a voz dos fracos, serei a força dos oprimidos, eu serei a luz nos becos, eu ouvirei cada clamor, cada choro, verei cada lágrima, cada angústia e então, eu responderei os clamores, acalentarei as almas que choram, secarei cada lágrima, destruirei cada angústia”. – Le Chang.

Enquanto isso, Le Chang andava, serenamente, seu rosto antes repleto de ódio e tristeza, agora demonstrava uma paz tão profunda que não poderia ser explicada.

Era como olhar nos olhos de alguém que sabe seu papel no mundo.

Era como olhar nos olhos de uma mãe que após sofrer as dores do parto, é capaz de pegar seu filho no colo e sorrir com o amor mais profundo que existe.

Os olhos de Le Chang haviam encontrado paz, calma, propósito.

Se antes, seu maior sonho era viver com sua família em um mundo utópico, ele pensou: “Para eu realizar meu desejo, o poder que eu preciso é infinito e se eu conseguir chegar nesse nível, porque não melhorar a vida de todos?”

Afinal, aqueles que choram não mereciam um alívio?

Aqueles que sofrem horrores não merecem paz e alegria?

Os que veem os olhos de seus agressores de perto, não merecem ver os olhos de seu salvador de perto?

O mundo que Le Chang sonhava não era um sonho só dele.

Quantos pais vendo seus filhos morrerem de fome não desejariam ter não onipotência, mas um pedaço de pão?

Quantas mulheres enfrentando o medo não desejariam apenas não estarem ali naquele dia, naquele momento?

Quantos homens enfrentando os inimigos e vendo seus amigos sendo arrasados por bombas, não desejariam apenas um cessar fogo para tentar salvar seus companheiros?

Quantos, quantos, quantos, quantos seriam os pequenos sonhos?

E isso foi algo que nasceu em Le Chang em uma fração de segundo, quando ele ouviu todos.

Naquele instante, Le Chang havia sido surpreendido, mas ainda, parecia tudo tão nublado.

Entretanto, ao ver seus amigos pelo chão, ele entendeu a dor não dele, mas de todos os clamores ouvidos.

E Ar Rog viu o olhar de Le Chang e naquele instante percebeu que ele não veio buscar um garoto com um tesouro, mas sim um Homem com um propósito.

Ele percebeu que naqueles olhos não haviam um menino absorvido pelo prazer do poder, mas um homem com uma razão para viver.

Um homem que seria a Luz, não apenas no seu planeta, mas um sol que iluminará toda a Criação.

E então, quando Le Chang chegou bem perto de Ar Rog, este último se ajoelhou e era possível ver seu olhar de súplica, como se sua alma clamasse.

“Agora você entende, certo? Ouça, ouça e entenda o grito de suas vítimas, o amargor das mães que tiveram seus filhos e filhas ceifadas por você...” Le Chang levou seu dedo indicador na testa de Ar Rog e proporcionou a ele o mesmo momento que teve, o de ouvir, por uma fração de segundo, todos, bons e maus, vítima e agressores, santos e demônios, deuses e mortais.

O golpe em sua mente foi colossal, era possível ver sangue escorrendo do corpo de Ar Rog, afinal, seu cérebro era poderoso, mas não era como o de Le Chang e ouvir toda a Criação, mesmo que por um instante, é algo ensurdecedor.

E após esta fração de segundos, Ar Rog não pode esconder, lágrimas escorriam por seus olhos e juntavam-se ao sangue em seu rosto, dando um olhar singular, afinal, naquele olhar era possível ver que seu orgulho foi esmagado e a escuridão em seu coração foi iluminada.

E na sua frente, estava sua luz.

“E... Eu sinto muito... Eu... Eu realmente sinto muito... E... Eu não sei... Eu não sei o que fazer...” Ar Rog implorava agarrando os pés de Le Chang, como se o jovem à sua frente fosse o único alívio para sua angústia interior.

“Eu não lhe responderei nada, eu não lhe aliviarei, mas deixarei que viva, com este sentimento. Você não pagará com sua vida, mas com sua consciência até que dê seus últimos suspiros e para isso, eu selarei seu cultivo, você jamais avançará para o próximo Dao, sua força jamais será elevada, sua vida jamais será renovada, mas não será apenas isso.

Ao selar seu cultivo, o farei de forma que você tenha apenas a força de um cultivador no Pico do Dao da Integração, mas você ainda viverá as dezenas de milhares de anos que lhe restam.

Não apenas isso, eu colocarei uma barreira ao seu redor, forte o suficiente para que seja necessário alguém no Dao Celestial para a quebrar, mas também ela será suas rédeas, lendo a cada instante suas intenções, se você tentar machucar alguém fazendo uso de minha proteção, você sofrerá dores horríveis, mas não morrerá.

E se você tentar se matar, ela também o impedirá.

Então, sua pena será conviver com você mesmo, e quando você finalmente perdoar a si mesmo, é nesse momento, nessa fração de segundo que você será capaz de fazer o bem genuinamente e não por peso em sua consciência.

Me pedir perdão de joelhos e implorando, não é nada além da sua moral recém recuperada clamando para que a dor seja apaziguada, mas ela é necessária para que você aprenda.

A dor ensina, a angústia educa, a vida molda, basta você perceber e aceitar, que tudo, tudo, coopera para o bem daqueles que desejam ser luz...” – Le Chang.




O site Central de Mangás é gratuito e sempre será!

Para colaborar com a existencia do site, por favor,
desative o bloqueador de anúncios.