Ascensão de um Deus

653 - Nem Mesmo Pelos Deuses

Os três pilares eram estranhamente brilhantes, sendo assim, eles próprios não deveriam emitir sombra alguma, já que toda a superfície deles produzia luz.

Contudo, Le Chang atento aos detalhes, viu que alguns metros à frente, haviam três sombras que se encontravam no mesmo ponto.

Ele viu que eram provenientes dos pilares e então foi até o local.

Quando chegou lá, analisou a sombra e percebeu que a intensidade da sombra variava em alguns pontos.

Para um olho menos treinado ou alguém com um conhecimento simplório, acabaria por não perceber que isto era um método antigo de comunicação, utilizando sombras e variações na luz.

Foi um estilo de criptografia avançada usada nas Primeiras Eras da Criação, por algumas civilizações avançadas.

O problema era que elas eram inquebráveis e apenas aqueles com palavras ou símbolos chaves, poderiam decifrar a mensagem.

Foi largamente utilizada no envio de informações por mensageiros, já que a tecnologia de Jades de Comunicação não era perfeitamente difundida e o conhecimento era restrito aos poucos pesquisadores da época.

Porém, Le Chang conhecia o método pelos livros que ele leu, mas, ainda assim, faltava a chave para descriptografar a mensagem.

Ele então começou a pensar.

“Três pilares... Três heranças... Sombra... Luz... Segredo... Mensagem... Oculto... Escondido... Conhecimento... Primeiras Eras...” Em sua mente passavam diversas possiblidades e ele mesmo tentando comunicar-se com suas heranças viu que elas haviam sido bloqueadas, ou seja, ele deveria sozinho atravessar estes desafios.

E após algumas horas, dias, quando enfim, uma semana havia se passado, Le Chang lembrou-se de algo.

Em um livro velho, no canto de uma das prateleiras, haviam vários ditados, escritos por um antigo sábio de uma raça já extinta.

Esta raça era conhecida por usar complexos padrões linguísticos, mas, além disso, eles eram famosos por seus poemas com significados subjetivos, era dito que de uma frase eles eram capazes de descrever todos os mistérios da vida.

Sua sabedoria e conhecimento foi tão procurada que guerras foram travadas por seus sábios, de tal forma que boa parte da população foi morta em poucos anos.

Outra parte se tornou escrava e conselheiros dos poderosos, mas, fadados a serem escravos, a população começou a diminuir drasticamente devido aos maus tratos.

Até que enfim desapareceram.

Dizem que esta raça não era feita de carne e osso, mas de um aglomerado de Energia, que podia assumir formas diversas, imitando várias raças.

E Le Chang, havia lido este livro, mas ele foi um dos mais complexos que ele leu nos milhares de anos que ficou em introspecção.

O livro surrado e antigo tinha pouco mais de cem páginas, e Le Chang demorou um ano para ler cada página, devido a dor que sentia em sua cabeça devido à complexidade da escrita.

Mesmo lembrando disso, Le Chang demorou mais uma semana para tentar achar lógica e então, ao entrar em seu Modo Desperto, usar todas as suas forças para enviar sua mente em um frenesi sem igual, ele finalmente entendeu.

“Quando os Três Pilares se juntam, eles dão vida a Santa Trindade da Vida e ela caminha entre o dia e à noite, a vida dança entre o existir e o não existir, em sua batalha contra a morte, ela terá, inevitavelmente, que pisar na sombra da morte. Porém, ela sempre escondeu pequenas mensagens, segredos ocultos nas nuances de sua existência, um conhecimento que veio da Primeira Era, quando a vida recebeu o primeiro fôlego e tal conhecimento era o sentido da vida, a razão de tudo, não apenas dos seres, mas das coisas, dos átomos às galáxias, das gotas de água até os oceanos, dos mortais até o Deuses...” Quando Le Chang pronunciou tais palavras em alta voz, os três pilares a sua frente se desfizeram e como se fossem feitos de areia, foram levados pelo vento.

Ele ainda ficou em introspecção, afinal, os Três Pilares, o que seriam? Qual seria o segredo que a vida ocultava?

Tais pensamentos pareciam consumir sua mente e ele por um instante sentiu-se caindo em um precipício, mas rapidamente percebeu que era o lugar tentando tragar sua mente.

Le Chang ficou um pouco surpreso, ele apenas notou tal discrepância por algo muito sútil, como um aviso de que estava indo em direção a uma armadilha.

“Que lugar assustador, usou as indagações do primeiro desafio para criar uma armadilha no segundo desafio... Realmente assustador...” – Le Chang.

Ele então voltou a andar e ficou andando por uma semana, completando assim três semanas que ele estava naquela longa estrada.

Porém, não demorou e novamente um desafio se impôs à sua frente.

Dessa vez, ele viu doze pessoas, elas vestiam roupas antigas e gastas, quase farrapos, mas eram feitas de linho, um material nobre.

Eram seis homens e seis mulheres, cada um tinha um olhar singular em suas faces.

Suas orelhas levemente pontiagudas e suas aparências deslumbrantes, apesar das roupas, deixava claro quem eles eram.

“Os Elfos Primordiais criados por Xiong Lin.…” Murmurou o jovem e quando o fez, algo aconteceu.

Os elfos deram um passo à frente e disseram em uníssono: “O que você quer com nossa mestra?!”

As elfas deram um passo à frente e disseram em uníssono: “Você não é digno! Você não é digno! ”

Le Chang ficou parado, observando a comoção e quando tentou agir, se surpreendeu, ele não conseguia invocar o poder do seu Título Divino de Deus Élfico e isso trouxe um leve temor em seu coração.

Como conseguiria ele provar para os seres a sua frente que sim, ele era digno.

Lentamente os seis casais élficos começaram a andar em direção a Le Chang e uma sensação de hostilidade e sede de sangue emanava dos seres.

Aquela pressão parecia ser os instantes que antecediam a erupção de um poderoso vulcão ou o prelúdio de um grande maremoto.

Le Chang sabia que aquilo era um teste, mas ele não entendia a lógica, o motivo por detrás dele.

Teria ele que lutar? Teria que forçar o poder dentro de si a vir à tona?

As possibilidades eram vastas, mas as respostas corretas não, havia apenas uma e ela resolveria tudo.

Então, quando os doze seres estavam para chegar perto de Le Chang o jovem os ignorou e passou andando entre eles, como se fossem apenas miragens.

E quando seu corpo os transpassou, afinal, eles não eram reais, Le Chang falou e suas palavras trouxeram resolução para a indagação.

“Os Elfos Primordiais jamais confundiriam seu Deus, mesmo que sua identidade fosse ocultada pelos mais poderosos selamentos, formações ou afins, eles sempre descobririam aquele com o Título de Deus Élfico, pois um poder que nasceu da Própria Vida jamais pode ser suprimido, nem mesmo pelos Deuses...”