Ascensão de um Deus

646 - Le Mao

Le Ya permaneceu abraçada em Le Chang por alguns minutos, e o tempo todo ela chorava de soluçar, como uma pequena menina que reencontrou seus pais após perder-se em uma floresta escura e perigosa.

Le Chang afagava as costas da menina levemente e não podia deixar de imaginar Le Li e Le Liang nessa situação.

Seu coração se apertava ao pensar de que o caminho que havia escolhido poderia levar ele a algo do tipo.

As chances de ele morrer na sua batalha predestinada, eram altíssimas.

Uma coisa era enfrentar oponentes aleatórios, outra era o maior perigo de todo o Vácuo Eterno.

Sem dúvida alguma, o Fim era algo singular.

E por causa disso, Le Chang pensava enquanto confortava a menina em seus braços.

Em sua mente, imagens passavam, como se visse suas duas filhas, chorando em um local escuro.

Ao longe haviam dois meninos, ambos com seus rostos em total desamparo e desespero.

As meninas não podiam ser vistas e Le Chang entendeu, aquele era o medo de falhar e ver aqueles que ele mais amava, caindo em profunda tristeza.

Ele não queria deixar seus filhos e filhas sem um pai, ele não queria deixar suas esposas sem o marido e não aceitaria deixar sua mãe sem seu filho.

Le Chang abraçou com mais força a jovem e ambos ficaram assim, e nesse meio tempo, lágrimas escorriam lentamente pelas bochechas do jovem, como se ele entendesse o medo e a saudade que Le Ya tinha de Le Mei e Xiong Long.

Enquanto isso, Ke Kini havia desaparecido, ele deixou os dois no momento sozinhos, sabendo que isto era algo importante e profundo.

Então, lentamente a comoção se acalmou, Le Ya se desprendeu do pescoço de Le Chang e pulou em direção ao solo.

Ela enxugava as lágrimas de sua face e olhava para Le Chang com um olhar diferente, como se um certo apego tivesse sido criado.

“C... Co... Snif... Snif... Como você tem o papai e mamãe dentro de você?...” Le Ya perguntou com curiosidade e tristeza misturadas.

“Eu sou um Descendente Direto deles, apesar de estarem dormentes, as Heranças e Linhagens advindas de Xiong Lin e Le Mei foram despertadas devido algumas situações extremas, além disso, eu sou atualmente o Detentor da Energia Dourada...” – Le Chang.

Le Ya se acalmou completamente e voltou a comer seus doces, mas um pouco mais devagar e não como um monstro ensandecido atrás de sua presa.

“Entendo... Acredito que você seja descendente de Le Mao, ele era nosso irmão mais velho e foi o único que decidiu casar-se e ter filhos, o restante de nós aceitamos posições nos dadas por nossos pais e os ajudamos a cuidar das coisas após eles partirem...” – Le Ya.

“Você ficou com a tarefa de cuidar da Biblioteca e da Floresta da Criação?...” – Le Chang.

“Oh!... Não.... Não, apenas da Biblioteca, quem cuida da Floresta é minha irmã mais nova, ela normalmente me traz frutas deliciosas, mas nada supera os doces que o tigre velho me traz...” – Le Ya.

Le Chang pareceu meio confuso e a menina percebeu.

“Nós éramos Dez Irmãos, tirando Xiong Lin que nasceu diretamente de uma parte de nosso pai, ela era a mais velha de todos. Todos nós, os dez, viemos depois que ela já era grande e bem poderosa, então ela ajudava a cuidar de nós e temos um grande apreço por ela.

Enfim, eu Le Ya, fiquei encarregada da Biblioteca da Criação.

Le Bo está na Dimensão Suprema Divina.

Le Mao viveu uma vida tranquila e já deve ter partido há muito tempo, aceitando a mortalidade como a mamãe e o papai.

Le Mia, é a que cuida da Floresta da Criação...” Le Ya explicou para Le Chang o papel dos demais irmãos e ele percebeu que cada um estava incumbido de cuidar de algum aspecto ligado diretamente à criação.

Pelo que ela havia dito, apenas Le Mao estava morto e também foi o único que deu continuidade a linhagem de Le Mei e Xiong Long.

Le Chang ficou um pouco triste, por ele estar morto, afinal, foi por sua causa que ele existia atualmente e ele realmente estava animado de ver o seu avô de eras atrás.

“Enfim, nós nos encontramos mais ou menos a cada dez anos e trocamos informações sobre o monitoramento da Criação como um todo...” – Le Ya.

“Então vocês sabem do exército do fim?.... Não seria mais fácil simplesmente erradicar eles?...” – Le Chang.

“Claro que sabemos, mas não podemos simplesmente ir lá e matar todos, além disso, diferente do que você pensa, eles não estão fazendo mal a ninguém, apenas tentando adentrar no Reino Mortal.

Apesar de sabermos que se eles chegassem até você ou seus aliados a chacina seria colossal, não podemos prender ou aplicar uma justiça implacável por um crime ainda não cometido, porém, a tentativa de cometer será impedida com veemência.

Entretanto, não é tão simples.

Os Três Deuses Caídos têm forças além da sua imaginação e o Primeiro Ser Negro pode rivalizar facilmente com qualquer um de nós, individualmente é claro...” – Le Ya.

“Entendo...” Le Chang parecia um pouco decepcionado, mas nada que o colocasse para baixo.

“Ótimo, seguinte... Eu gostaria de falar com o papai e a mamãe, já que senti eles dentro de sua Dimensão Espiritual...” Le Ya mudou de assunto rapidamente.

Le Chang olhou para ela esperando que a jovem começasse a chorar novamente, mas isso só fez ela ficar com uma carranca.

“Hmpf! Eu não vou fazer aquilo de novo, foi apenas um deslize, fui pega de surpresa.... Anda logo e chama eles para fora de sua Dimensão Espiritual...” – Le Ya.

“E... Eu não posso, é impossível...” – Le Chang.

“Por qual motivo?...” – Le Ya.

“Diferente das minhas outras Heranças, Le Mei e Xiong Long foram criados a partir de resquícios ínfimos de suas consciências, sendo assim, eles não têm força, por enquanto, de se manifestarem no Mundo Material...” – Le Chang.

Ele tinha razão, a diferença era óbvia.

Seiryuu era o Espírito do Antigo Deus Dragão, Xiong Lin era uma parte de sua Alma e Espírito, presentes nos Fragmentos da Centelha Divina da Elfa, já Gao Yao era a Alma do Antigo Deus Demônio, Di Yu, fundida com a Personificação da Energia Yin.

Enquanto que Le Mei e Xiong Long eram pequenos fios de consciência, muito fracos para se sustentarem no Mundo Material.

Provavelmente demoraria alguns meses para que isso fosse se tornar possível, já que constantemente eles eram fortalecidos pelo poder de Le Chang.

“Bom, então eu vou entrar na sua Dimensão Espiritual...” – Le Ya.

Le Chang pareceu um pouco apreensivo, afinal, ela era um ser vivo.

Jamais um ser vivo adentrou na Dimensão Espiritual de Le Chang e ele não sabia o que isso causaria, afinal, os corpos que ele fez para Xiong Lin, Seiryuu e Gao Yao não eram realmente seres vivos.

“Fique tranquilo, vai dar tudo certo...”  Le Ya sorriu e então pulou no ar, transformando-se em uma luz brilhante e então sumiu.

Le Chang sentiu imediatamente algo dentro de sua Dimensão Espiritual e quando levou a sua consciência para dentro, ele viu, Le Ya no colo de Xiong Long e Le Mei acariciando os cabelos da menina.

Todos olharam para Le Chang quando ele apareceu e com um sorriso sincero, Le Mei disse: “Garoto, você tem a minha maior gratidão...”

Uma lágrima escorreu dos olhos de Le Mei e então ela pegou a garotinha no colo que se acomodou ao redor do pescoço de sua mãe e parecia querer dormir.

Le Ya de olhos fechados não chorava, mas apreciava um momento tão único e que ela pensou jamais ser possível de se repetir.




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