Ascensão de um Deus

537 - Sabedoria

Le Chang batalhou por horas a fio, o local há muito perdeu sua aparência cheia de vida.

As árvores eram apenas lascas de madeira queimada e o solo verde era tão negro quanto carvão.

Nuvens de poeira permeavam o ar e o cheiro de madeira verde queimada entorpecia os sentidos.

O céu estava negro e gotas de uma chuva caótica molhavam o solo, transformando-o em um lamaçal de fuligem e terra.

Le Chang estava de pé, seus braços estavam estendidos como se estivesse abraçando as gotas d’água.

Seus olhos fechados e sua face serena o deixavam com um ar de paz, destoando de todo o cenário caótico que lhe rodeava.

Não muito longe, era possível ver corpos imensos, feitos de puro Ouro Celestial, com vários sinais de grande dano, alguns estavam cortados ao meio, outros foram achatados e até rasgados.

Se qualquer um olhasse de longe, pensaria que um dragão havia massacrado estes autômatos, mas no fim, era apenas um jovem, carregando consigo o Sangue dos Deuses Dragões, aclamados como os Reis das Feras Mágicas.

Sua pele branca, ainda tinha um leve tom dourado e por alguns instantes foi possível ver pequenas escamas, feitas de pura Energia Dourada, transformarem-se em um fino pó, que caíram no solo e desapareceram.

A Arma Épica de Trinta Refinamentos estava quebrada, junto dela havia mais uma dezena de outras espadas, arcos e até cajados Épicos.

Havia resquícios de vários tesouros, que agora nada mais eram que pedaços de metais retorcidos e/ou quebrados.

Le Chang permaneceu em pé, aproveitando a sensação das gotas de chuva que desciam por seu rosto, indo até seu queixo e então caíam sobre o solo.

As fendas e rasgos criados pelas ondas de choque, lentamente se preenchiam de lama e água, como se fosse a maneira da natureza recuperar-se de suas feridas.

O cheiro de madeira queimada lentamente foi extinto, dando lugar ao cheiro de grama verde e terra molhada.

Não demorou mais que alguns minutos, para que os primeiros brotos fossem vistos, elevando-se em meio ao lamaçal.

Como uma Fênix renasce das cinzas, a natureza lentamente se erguia em meio a lama.

Le Chang era capaz de ver dezenas de diferentes tipos de Energia sendo sugados pelo solo, como se fosse a mais bela flor do jardim, atraindo dezenas de beija-flores.

A Energia da Vida estimulava as sementes ocultas, os brotos esquecidos e a vida amedrontada, como se surrasse a todos que o pior já havia passado.

Reafirmando que após a tempestade sempre vem a calmaria, que após a morte, há um novo começo e que a esperança jamais morre, mas é renovada a cada respirar, a cada nascer, a cada último suspiro, após cada adeus.

Le Chang encontrou um fio de sabedoria, presenciando a recuperação da antiga floresta.

Viu os autômatos feitos de um dos metais mais raros e duráveis de toda a Existência, ser absorvido pelo solo, transformando-se em nutrientes para a vida.

Ele então percebeu, ao chegar no local, ele viu uma linda floresta, mas algo chegou para trazer o caos, o qual destruiu a vida que havia ali, mas que no fim, foi usado para restaurar a vítima de sua destruição.

Um sorriso dançou em seus lábios, quando finalmente entendeu os mistérios da Área onde estava.

O desafio não era derrotar os Autômatos, mas entender a sabedoria que lhe foi entregue a cada instante que estava aqui.

“Dragões são seres com a mais bela sabedoria, não é à toa que o Título de Deus dos Dragões somente é passado para aquele que demonstra a capacidade de elevar-se acima da Sabedoria do Antigo Deus dos Dragões...” As palavras saíram da boca de Le Chang carregadas de um sentimento de epifania, como ao descobrir algo que sempre esteve à sua frente, mas era encoberto por sua falta de atenção.

Ele compreendeu que a mais bela sabedoria não está nas coisas grandes, nas belezas da Existenciais, nem nos livros dos doutores, ou nas palavras dos homens, mas nas nuances da vida e da morte.

Não há momento mais repleto de conhecimento do que no chorar de um bebê e o último suspirar de um idoso.

“A vida é o bem mais precioso, quando ele está a nossa frente, nós à admiramos e ficamos maravilhados com seu esplendor, mas nada garante que um dia, o caos não sobrevenha e que em nossa batalha contra ele, não acabemos sacrificando o que antes amávamos e admirávamos. O caos sempre nos leva a beleza, o amor e a vida, mas tudo é momentâneo, afinal, o Amor e a Vida, são como as Fênix, que sempre renascem no período de calmaria. Não há tempestade eterna, não a caos eterno, da mesma forma como não há vida e paz eterna, mas nos momentos que compete a cada uma, é onda a manutenção, o equilíbrio de tudo é mantido...” As palavras de Le Chang foram tão perfeitamente proferidas, que o tecido da realidade ao seu redor se acalmou e uma brisa suave foi em sua direção, de todos os cantos, não do espaço ou da formação em que estava, mas de toda a Existência.

Um brilho emanou de seu corpo e um Pilar de Pura Energia da Criação caiu sobre ele.

Ao mesmo tempo, a imagem de uma jovem donzela apareceu a sua frente, ela era o epítome da perfeição, da beleza e da serenidade, bem como do poder.

“Meus parabéns... Fico feliz que tenha entendido as nuances do que um dia eu escrevi, que agora é chamada de Realidade... São meus últimos pensamentos...” – Criadora.

Le Chang ajoelhou-se, pois sabia que ela era digna de todo o respeito e admiração.

“Até hoje, apenas um ser teve em suas mãos o controle da Centelha Divina da Criação, bem como o controle total sobre tal Energia... Foi ele quem criou a Jovem Elfa dentro de você e ele foi meu primeiro filho, o mais amado, que sacrificou-se para que todos tivessem uma chance de se oporem ao...” As últimas palavras foram inaudíveis para Le Chang, mas ele entendeu que o inimigo a qual ela se referia era o mesmo que o aguardava.

Sendo assim, o Primeiro Deus Dragão, a Primeira Forma de Vida Criada, se opôs ao mesmo inimigo que o queria matar.

“Ainda é cedo para você, mas vou lhe dar um presente e quando a hora chegar, saberá o que é....” A mulher, ou melhor, a Criadora de tudo que existiu, existe e existirá, desapareceu, junto do Pilar de Pura Energia da Criação, retornando para o seu lugar, o Firmamento da Criação, onde há o último fio de Consciência da Criadora.

Le Chang levantou-se pouco a pouco, como se não ousasse fazer isto rapidamente.

E quando o fez, viu que a Floresta a sua frente estava totalmente recuperada, ao mesmo tempo que as árvores a sua frente lentamente se abriram, revelando um caminho que levava diretamente na base da montanha, onde jazia um grande portão, dando passagem para a próxima Área.




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