Ascensão de um Deus

516 - Mal Existencial

Le Chang apenas passou os olhos pela sala e sorriu ao ver a expressão de pânico de Bu Nny.

“Eu só vim deixar algumas coisas e já estou indo em busca dos últimos itens para curar seu sobrinho, presidente...” Le Chang curvou-se levemente na direção do grupo ali presente.

Shao Yang engoliu seco e foi seguido por Man Tis, o Vice-Líder, Thresa e Varam, o casal de Elfos.

Bu Nny estava estática, sem entender porque seu corpo voluntariamente curvou-se diante da aparição do jovem, como se fosse algo óbvio.

Shao Yang sentiu uma pressão colossal emanando dos olhos de Le Chang e mesmo também estando no Dao do Supremo Santo, a sensação de pequenez espalhou-se por todo o seu Ser.

“V... V... V... Você está no Dao do Supremo Santo?!!” Exclamou Shao Yang surpreso.

Man Tis tinha a boca aberta e o casal de elfos parecia que seus queixos tocariam o chão, enquanto Bu Nny nem ousava levantar sua cabeça.

“Adentrei há poucos dias... Diga-me, as pessoas que lhe enviei, qual fim tiveram?” Indagou Le Chang, que mesmo falando normalmente, ainda soava mais como uma ordem e não uma pergunta.

O líder da Guilda demorou um pouco para se recuperar do choque, mas controlou sua mente e voltou a normalidade, apesar de ainda ter um olhar de surpresa.

“Eu fiz o que me pediu, enviei cada um para os locais onde suas famílias estavam, aqueles que não tinham mais nenhum lugar para irem eu os enviei para o Planeta Plumas ao Vento, onde trabalharão para a Seita Dragão...” – Shao Yang.

“Ótimo... Eu só vim trazer algumas coisa e ver como as pessoas estavam, mas estou partindo imediatamente, em busca dos itens que faltam para a cura de seu sobrinho...” – Le Chang.

No momento que disse tais palavras, ele viu um olhar triste no rosto de Shao Yang.

“O que houve?” – Le Chang.

“... E... Ele morreu...” Disse Thresa, com um olhar cansado e triste.

Le Chang semicerrou os olhos e olhou diretamente na Alma dos dois Elfos que estremeceram ao sentirem suas mentes varridas.

“Como assim, morreu?” – Le Chang.

“Há pouco tempo, após estranhos eventos pelo tecido da Realidade, Shao Tai simplesmente deu seu último suspiro... Não entendemos o motivo, mas apenas foi isto que aconteceu...” – Varam.

“Quando... Quando ele morreu, um fio de fumaça negra saiu de suas narinas, junto de seu último suspiro.... O fio sumiu no instante seguinte e eu não consegui sentir mais nada depois disto...” – Shao Yang.

Le Chang estava perplexo e sentiu sua mente explodindo em esclarecimento, tendo finalmente compreendido a totalidade do plano.

Um olhar triste e derrotado dançou no rosto de Le Chang e ele balbuciou algumas palavras.

“E... E... Eu sin.... sinto muito...”

“Não foi sua culpa, vocês fez muito bem, mas as causas de sua morte são incógnitas, nós estamos investigando a fundo...” Disse Thresa, afinal, Shao Yang estava em luto total, apenas o choque da aparição de Le Chang tinha sido grande o suficiente para tirar sua mente da tristeza profunda.

Agora era possível ver o olhar sombrio e vermelho de Shao Yang, como se lentamente sua alma sangrasse.

Le Chang olhou para o Líder da guilda e não pode impedir de lágrimas escorrerem de seus olhos, afinal, ele sabia que sim, foi sua culpa, Shao Tai foi apenas uma peça no tabuleiro de xadrez do Fim.

Ele havia ido para o Reino Asura e ninguém havia lhe atacado além do Fio de Consciência do Fim, isto era irreal, ele pisou no campo inimigo e ninguém foi atrás dele? A resposta era simples, como Fea Yong, o Fim também o estava preparando para o abate. De nada adiantaria Le Chang morrer agora e a Energia Dourada ser dispersa, o que levaria novamente milhões, talvez bilhões ou até trilhões de anos para ela aparecer em outra pessoa.

Não, o Fim o deixaria viver, para que o destino fizesse o papel, colocando o jovem nas suas mãos, em um futuro não tão distante.

Le Chang sentia-se como o Hospedeiro do Rei, a Energia Dourada e do outro lado, o outro Rei ansiava por sua cabeça em uma bandeja de prata.

Ele percebeu que não importa o quão forte ele seja agora, o quão poderoso, o quão genial, o quão surreal seja a sua força, ele ainda é uma formiga no plano maior.

Pelas palavras do Fim, ele e a Energia Dourada estavam destinados a lutar eternamente e Le Chang, apenas fazia parte desta luta como alguém secundário.

Todavia, quando tais pensamentos de pequenez começaram a se proliferar na sua mente, um estrondo soou em sua Dimensão Espiritual.

Logo em seguida, um Rugido emanou por toda a sua mente, ele sentiu suas pernas bambearem e seu coração acelerou, sua respiração ficou mais rápida e seus olhos tiveram as pupilas dilatadas.

Seu corpo inconscientemente emanava uma Aura Estranha, tão singela, que ninguém na sala parecia perceber o que ocorria.

Le Chang viu que do centro de suas sobrancelhas, um fio de Energia fez seu caminho para o exterior de seu corpo.

Tal Energia era diferente, não era Dourada, não era Negra, não era incolor como a Energia Primal, nem branca como a Energia Yang, nem verde como a Energia da Vida, não, esta era diferente.

O Fio de Energia lentamente transformou-se em uma mulher, sentada sobre um trono, os quais Le Chang não podia ver com seus olhos, não podia ouvir com seus ouvidos, cheirar com suas narinas, tocar com suas mãos, apenas sentir com sua Alma.

“Quem é você?” A voz de Le Chang soou no recinto, o que deixou todos surpresos com tal pergunta.

“Você quem?” Perguntou Man Tis sem entender.

Shao Yang levantou a face e olhou em direção a Le Chang, mas nada estava a sua frente.

“Eu sou a Realidade... Sua presença é uma afronta ao equilíbrio da Criação, sua permanência rasga as Leis que eu controlo e destrói a perfeição que eu havia pensado...” – Realidade.

“E porque não me mata?” – Le Chang.

Novamente sua fala era ilógica para todos ali presentes, afinal, quem em sã consciência saberia que ele falava com a própria Realidade.

“Não posso... O que tem dentro de você é mais poderoso.... Atualmente, você é intocável...” A voz da Realidade era feminina, Divina e Santa, afinal, ela era o resquício da Mente da Criadora.

“Contudo, não se engane, existem forças que podem ceifar sua vida, eu sou uma delas, basta você cometer um Mal Existencial... Além disso, por mais que tenhas a Centelha Divina da Morte, ainda não és imune a ela, sendo assim, aguardarei o dia de sua morte ou o dia em que se erguerá acima de mim...” A Realidade então desapareceu, deixando Le Chang perplexo, mas esclarecido.

Sua mente estava indagando sua pequenez, mas a Realidade disse que ele é capaz de erguer-se acima dela, ou seja, ele é capaz.

Ela não disse quando a Energia Dourada se erguer acima de mim, mas você.

Le Chang sorriu e suspirou de alívio.

“Desculpem incomodar vocês... Eu preciso ir agora...” Disse Le Chang curvando-se.

O grupo ainda estava surpreso pelas atitudes de outrora.

“E... Espere... Onde você vai?” Disse Man Tis, seu olhar estava com medo de que Le Chang abandona-se a Galáxia após ter conquistado tamanho poder.

“Fique tranquilo... Quando a hora chegar, eu estarei aqui, até lá, tenho algo a fazer...” O rosto de Le Chang mostrou-se resoluto e ele desapareceu no instante seguinte.

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O som de carruagens, animais e vendedores era ensurdecedor.

Le Chang olhou para à avenida animada a sua frente, de ambos os lados haviam barracas imensas e no meio uma multidão se espremia entre os cavaleiros e carruagens.

Le Chang havia usado a Plataforma da Guilda para ir até a Região Média, controlada pelo Clã Shao, local onde jazia cultivadores no Dao das Leis.

Ele olhou aos arredores e viu que a quantidade de cultivadores era imensa.

Até mesmo os mais fracos estavam no Dao do Espírito, entre eles, muitos eram escravos, ficando evidente ao deparar-se com as coleiras ao redor de seus pescoços.

Le Chang andou pela rua principal por alguns instantes, relembrando a situação de agora a pouco de quando saiu da Plataforma na Guilda.

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“Quem é você?!” Gritou um homem jovem, o qual segurava uma lança e tinha seu cultivo firmado no Dao da Purificação.

Le Chang olhou para o garoto e ficou surpreso, afinal o jovem tinha apenas vinte anos.

“Eu sou um Aventureiro de uma das Filiais da Guilda desta Região...” Ele tirou um Medalhão da Guilda e mostrou para o garoto que a pegou e analisou.

Com um olhar levemente arrogante, o jovem despachou Le Chang.

Isto ocorreu porque Le Chang escondia seu cultivo, obviamente ele aparentava ser forte, mas todos que olhavam para sua direção sentiam-se superiores.

Le Chang saiu do local da Plataforma e seguiu um túnel, o qual levava até o Hall da Guilda.

Um lugar espaçoso, com centenas de pessoas, muitos bebiam ao redor de mesas e ram das histórias contadas pelos seus companheiros.

A música agitada de fundo e o cheiro de cerveja, deixavam este lugar com um ar de bar de esquina.

No entanto, Le Chang rapidamente notou diversos seres poderosos e percebeu vários olhares em sua direção.

“Com licença... Eu gostari...” Le Chang dirigiu-se a Balconista, mas antes de conseguir falar, alguém o empurrou para o lado.

“Saia... O Mestre tem prioridade...” A voz veio de um homem corpulento e com quase dois metros e meio de altura.

Junto dele havia mais dois homens iguais e entre eles jazia um garoto em seus dezenove anos.

Seu rosto tinha um ar de arrogância e superioridade.

E ele tinha razões, afinal, estava no Pico do Dao da Purificação.