Ascensão de um Deus

498 - Sentença

Alguns instantes atrás, quando Le Chang enviou sua consciência para a mente de Cai Bo, o jovem leu todas as memórias da mulher.

Os motivos eram simples, o comportamento dela, os fatos que a cercavam e suas atitudes estranhas ditas a ele por Tian Mao, Long Mu e Ming Feng, bem como seu claro sofrimento, faziam com que fosse óbvio a sua angústia interna por algo do passado.

Quando ele fez isto, uma enxurrada de memórias sobreveio a sua mente, como se as comportas de uma barragem fossem abertas.

Ele usou a mesma habilidade que Min Jia, claro, ela era baseada em sua Linhagem, mas Le Chang fez isso usando a Energia Espiritual, conectando-se diretamente com o espírito de Cai Bo e posteriormente sua Alma.

No fim, a Energia Mental e a Energia Espiritual eram dependentes diretas uma da outra, a primeira nascia da Energia Espiritual, porém, isto não quer dizer que a última seja mais importante, muito pelo contrário, a Energia Mental é o que traz significado para a Energia Espiritual, uma não existe sem a outra, a força de uma depende da outra.

De qualquer forma, a enxurrada de memórias que ele absorveu, eram indescritíveis, recheadas de tristeza, sofrimento, caos e destruição, ele viu as visões que Cai Bo teve em sua vida, viu a dor em seu coração quando ela mesmo tendo a visão da morte de sua mãe e pai, não era forte o suficiente para derrotar os bandidos.

Viu, Cai Bo perdendo o amor de sua infância para um jovem orgulhoso que se achou no direito de levar a vida de seu amado, viu o momento que um grupo de mulheres de uma Seita qualquer à espancaram até a beira da morte e a jogaram em uma cachoeira para morrer.

Contudo, apesar de tudo isso, seu coração sempre foi bondoso e caridoso, mas uma pequena brecha, um pequeno instante que sua mente fraquejou abriu o caminho para a Aura Demoníaca entrar em sua mente.

Após tais acontecimentos, Le Chang viu cada momento onde Cai Bo perdia pouco a pouco o que havia de bom dentro de si, até ver o que ela fez com ele, a manipulação, a venda de informações que levou vários jovens da Seita da Chama Púrpura a morte, viu o momento em que ela influenciava Kang Peng secretamente a matar seu pai e todo o resto.

Estas memórias apertavam-se no peito de Le Chang, deixando ele cabisbaixo e sem saber o que fazer.

Em seus momento de fúria e insanidade, ele destruiu o cultivo dela e a deixou cair contra o chão, causando ferimentos graves.

Cai Bo olhava o jovem e sabia que palavras não eram suficientes para ele, ela sabia de seus pecados e entendia que o futuro estava nas mãos dele.

Le Chang então retraiu todo o seu cultivo, fazendo sua força ficar quase como a de um ser humano normal e então ele socou dezenas de vezes Cai Bo, quebrando o restante de seus ossos.

Ele então retirou uma adaga e colocou no pescoço dela, mas, quando estava para cortar a garganta da mulher e a deixar sangrar até morrer, por um instante ele viu seu reflexo nos olhos dela.

Le Chang estava cheio de sangue em seu corpo, lágrimas escorriam e se misturavam a poeira e sangue criando uma camada negra de sujeira sobre sua pele.

Suas mãos tinham marcas por ter socado a ponta de ossos que haviam saído para fora do corpo dela.

Por um instante, Le Chang viu refletido no último brilho de vida dos olhos de Cai Bo, o seu lado mais sombrio.

Ele se lembrou de quando matou Kang Peng, relembrou que uma parte de sua humanidade foi levada junto com o sangue e a chuva que escorriam nas terras desérticas daqueles dias.

Ele lembrou-se da angústia e o sentimento de vazio que soavam em seu peito como o sino anuncia a chegada do meio dia.

Contudo, sua mente foi levada para um sorriso quente que olhava ele de perto.

“Olhe amor, é o nosso menino...” Dizia Lin Bo para Le Shen que estava ao lado dela.

Ambos observavam Le Chang, que estava deitado dentro de um berço e sorria para seus pais.

Após isto, ele se viu no seu casamento, suas lindas esposas estavam lá, sorrindo com o mais profundo de suas almas, com o amor brilhando em suas faces.

Presenciou os amigos que veio a ter, se lembrou das descobertas incríveis que vivenciou e se lembrou do nascimento de suas filhas e filhos, se lembrou das crianças correndo até seus braços e o chamando de papai, viu o sorriso animado de Lin Bo ao brincar com seus netos e netas e viu o olhar repleto de amor das suas esposas para ele enquanto brincava com as crianças.

Lembrou de Le Liang, Le Kun, Le Huo e Le Li, fazendo Gao Yao e Seiryuu de pôneis e incomodando Ras Liang e Bai Chen a todos os momentos.

Ao lembrar-se disso, uma sensação quente tomou conta de seu coração, era tão confortável, mas ao mesmo tempo tão quente que todas as memórias de Cai Bo, todo o sentimento ruim, foram queimados por este calor.

Le Chang então ajoelhou-se no chão, no meio da lama criada com sangue e lágrimas e gritou para os céus.

Seu cultivo elevou-se novamente e a súbita explosão de poder fez a terra tremer, fez a vida ajoelhar-se perante ele e até o tecido da realidade ao seu redor sentiu-se fraco.

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O sol brilhava no céu e o calor do meio dia chegava lentamente a face de Cai Bo, o som do vento passeava em seus ouvidos e a brisa suave acariciava suas bochechas.

“Estou morta?” Murmurou ela.

“Não...” Cai Bo virou o rosto para o lado e viu Le Chang, com um novo conjunto de roupas, ele estava sentado sobre um pedaço de pano e comia algumas nozes e cereais enquanto complementava com pequenos goles de chá.

Ela suspirou e olhou para o si novamente, Cai Bo sentiu seu corpo em perfeito estado, mas seu cultivo, já havia sido destruído e não tinha volta.

“Le Chang... E.... Eu...” Ele não deixou ela terminar, ao levantar a mão.

O jovem então pegou uma fruta e um pouco de água e alcançou para ela.

Cai Bo pegou com uma certa relutância, mas ao entender que ele poderia matá-la com menos que um pensamento, ela aceitou o alimento.

Após alguns instantes, ela já havia comido tudo.

“Eu vi, tudo o que passou e senti tudo que você sentiu... Eu entendi a sua situação e aprendi muito a partir dela... Sua bondade acabou sendo sua fraqueza, mas seu erro foi tentar resolver tudo sozinha... Se na época tivesse solicitado ajuda, as coisas seriam diferentes... Seus desejos eram altruístas, mas devido ao sofrimento de sua juventude, seu coração fechou-se para novos laços, ao fechar-se em uma casca e privar-se de amizades e amores, você matou a única chance de seu futuro mudar...” – Le Chang.

Ela nada respondeu e apenas observava o jovem falar, o qual olhava para o horizonte como se pudesse enxergar os confins do espaço.

O silêncio perdurou por alguns minutos, até que ela falou.

“O que será agora?” – Cai Bo.

“Você não matou meu pai diretamente, mas é tão culpada quanto Kang Peng, fez atrocidades com os jovens que iam para a Seita da Chama Púrpura ao vender as informações para a Seita dos Mil Venenos, por sua culpa os ataques das Feras Mágicas a décadas atrás não foi melhor executada... Seus pecados são grandes e em muitos momentos, você poderia ter resistido a sua mente deturpada, não o fez pois sentia prazer em ser má, em ter poder...” – Le Chang.

Ela abaixou a cabeça, entendendo que a Aura Demoníaca não era 100% culpada de suas ações, o que ela fez foi reforçar os defeitos que ela já tinha e distorcer sua moral e caráter.

Cai Bo era uma boa pessoa, mas todos temos defeitos, ninguém é perfeito.

“Eu destruí seu cultivo... E lhe dei uma boa surra ontem... Mas a partir de hoje, você fará um Contrato de Sangue comigo e servirá até os últimos dias de sua vida como empregada na Seita Dragão... Devido à perda de seu cultivo e mesmo eu tendo curado seus ferimentos com algumas pílulas, você deve ter pouco mais de noventa anos de vida, sendo assim, use este tempo para pensar...” – Le Chang.

Cai Bo não pensou e aceitou rapidamente a oferta dele.

Ela ficou surpreendida com a atitude dele, se fosse o Le Chang de anos atrás, ele teria à matado facilmente, mas hoje, na hora em que iria ceifar sua vida, o perdão falou mais alto, mas ela entendeu que perdão não anula a necessidade de justiça.

Le Chang pegou todos os itens dela, todos os seus pertences, tesouros e habilidades e com base nas pessoas que ela causou algum mal, distribuiu tais objetos.

Os seus crimes foram ditos a Tian Mao e para todas as outras Seitas, onde ela teve que se ajoelhar perante todos os discípulos, anciãos e grão anciãos e pedir desculpas sinceras.

Após isto, Le Chang declarou que a sentença já havia sido dada pela Seita Dragão e qualquer um que quisesse contestar, poderia vir a frente e falar, mas ninguém teve coragem, afinal, qual seria o idiota que se oporia a decisão de alguém no Dao do Santo Rei, o Protetor Dourado da Seita Dragão.




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