Ascensão de um Deus

497 - Foi Você?

Enquanto isso, dentro de uma sala, no centro da Seita da Luz Celestial, Cai Bo estava sentada ao redor de uma mesa.

O local estava mal iluminado e era possível ver restos de comida no chão e sobre a mesa, deixando claro que ela não saia do local há um bom tempo.

Ela murmurava algumas coisas e seus cabelos desgrenhados, juntos de um rosto onde as rugas começaram a vencer a batalha, faziam Cai Bo parecer uma idosa louca.

Porém, o mais preocupante era o que estava no centro da mesa, uma caixa negra.

A Aura que emanava do objeto era demoníaca e era uma das Caixas de Pandora, enviadas por Bai Fan para este canto do Reino Mortal, em busca da Energia Dourada e de seu portador.

Antigamente, Cai Bo havia tentado à destruir e após ver a sua incapacidade, decidiu manter longe, escondendo consigo o objeto.

Todavia, ela não entendeu algo.

Quando seus ataques atingiam o objeto, para ela nenhum dano havia sido feito, afinal, nem mesmo o menor arranhão manchava a caixa de metal, negro.

No entanto, sua percepção era simplória, mesmo um cultivador no Dao Lendário teria dificuldades de perceber e somente alguém no Dao do Santo Rei seria imune a tal acontecimento.

O que ocorreu, foi que cada ataque seu tirou um pouco da Aura Demoníaca ao redor do objeto, afinal ela pertencia ao Atual Rei Demônio.

Dessa forma, o que aconteceu com ela foi o mesmo que com Guan Bo, a menina que Le Chang salvou a vida através de uma cirurgia.

A diferença foi que no caso da menina, a Aura era muito mais concentrada e por um tempo muito grande, ou seja, os danos foram muito mais severos.

Já com Cai Bo, era como se pequenas partículas tivessem entrado em seu corpo e com o passar dos anos, lentamente elas se multiplicaram e devido à baixa quantidade, a Aura não foi capaz de causar danos severos fisicamente, mas sim mentalmente.

Suas atitudes sempre foram baseadas no altruísmo, suas ações visavam auxiliar tudo e todos, ela usava suas visões para ajudar aqueles a sua volta.

Contudo, lentamente tudo começou a mudar e o pior de tudo foi a sutileza com a qual o mal se alastrou por seu coração.

Cai Bo não percebia que pouco a pouco, suas ações não tinham as mesmas motivações e o que antes era apenas altruísmo, se tornou em uma vontade pequena de obter lucro material, as quantidades aumentavam pouco a pouco e após isto veio em uma vontade de ter poder.

A Aura Demoníaca não era algo pífio, ainda mais aquela que veio de um ser considerado o Rei Demônio.

Por esta razão, de pedaço em pedaço, a mente dela foi alterada, distorcendo as suas motivações de tal forma que nem ela notou no que se tornou, a distorção de seus pensamentos e princípios determinou o estado que ela estava.

Cai Bo não era manipuladora, corrupta, arrogante, má, mas ela era uma boa pessoa, alguém com boas intenções, que fez uma escolha errada, tentar destruir algo muito acima de sua capacidade e guardar consigo o objeto, o qual cada instante emanava mais e mais Aura Demoníaca.

Bai Fan não era o ser que à controlava, ele não era onisciente para saber tudo o que ocorria em suas Caixas de Pandora, apenas quando abertas ele poderia ter algum controle sobre elas.

Sendo assim, o que causava tudo isto era a Aura, já que ela era advinda de um Demônio, ela carregaria as características destes seres.

Demônio são maus, eles nascem da destruição, do sofrimento, da angustia, ou seja, Demônios são seres nascidos do conceito de maldade.

Cai Bo por muito tempo não estava ciente deste fato, mas nos últimos anos, a angustia da perda de suas visões e de suas capacidades de controlar e manipular tudo e todos, foi tão grande que parece que os últimos pedaços de bondade em seu coração foram revividos.

Atualmente ela enfrentava uma batalha diária entre sua mente e seu coração, entre seus desejos deturpados e sua bondade recuperada, era como se sua consciência tivesse respirado o ar da vida novamente.

Ela estava um caos, sua face era como de uma louca.

Enquanto isso, Le Chang flutuava algumas dezenas de milhas do território da Seita da Luz Celestial.

“Hm...” Murmurou ele ao ver que a quantidade de pessoas era significativamente menor.

A seita onde outrora haviam multidões de discípulos e o barulho podia ser ouvido de longe, agora parecia como um vilarejo abandonado.

Era possível ver algumas poucas pessoas nas ruas e algumas lojas ainda estavam abertas, enquanto alguns discípulos treinavam nos campos, mas era notável que a face de todos não tinha a menor fagulha de vontade.

A Seita da Luz Celestial desmoronava, como uma torre muito alta, onde o topo dela foi abalado pelos ventos fortes, criando rachaduras que foram até a fundação, desestabilizando ainda mais e a ruina era inevitável.

Le Chang respirou fundo, fechou seus olhos e tentou algo diferente, o seu novo Modo Desperto.

Alguns instantes depois, ele abriu seus olhos, mas ele estava igual, no entanto, isso era para os com visões fracas e pensamentos mundanos, afinal, Le Chang tinha três Títulos Divinos e era um dos Cinco Pilares da Criação.

Sendo assim, se prestar atenção ao redor do jovem, era possível ver uma fina camada dourada, quase tão fina quanto papel, ela era fraca e mal dava para a ver.

Além disso, as unhas de Le Chang cresceram e ficaram pontiagudas, pequenas escamas douradas, quase invisíveis, cobriam toda a sua pele, mas seus olhos cor de mel, ainda eram assim.

Le Chang havia usado a Energia da Vida, da Morte, do Caos, Espiritual, Yin e Yang, para recompor seus olhos antigos, contudo, na sua íris que brilhava como o mel mais puro, era possível ver pontos tão pequenos quanto a ponta de uma agulha, mas se olhados de perto, seria possível notar pequenos triângulos dourados.

Esta eram todas as mudanças, Le Chang se lembrou de que o poder está na simplicidade, não no extravagante.

Então, ao fazer isso, ele fechou seus punhos e este simples movimento foi tão rápido que um leve som do vento se deslocando foi ouvido.

No instante seguinte, em menos de um milésimo de segundo, Le Chang se moveu pelo espaço, chegando dentro da residência de Cai Bo, encontrando a mulher no seu estado deplorável.

Ela nem percebeu que no tempo dela ver o jovem a sua frente e o seu cérebro o reconhecer, Le Chang já havia levado ela através do espaço para outro lugar.

“O que...? O que?” Gritou ela ao se dar conta.

Cai Bo olhou ao seu redor surpresa porque anteriormente estava em sua sala, atormentada pelos seus demônios, mas agora ela estava acima da linha das nuvens e ela conseguia ver algumas montanhas e desertos abaixo dela.

A mulher levou seus olhos para frente e então viu quem causou isto.

“L... L... Le Chang?” – Cai Bo.

Le Chang olhou para ela e nos olhos do jovem nem mesmo a menor presença podia ser sentida.

Em sua mão direita, estava a Caixa de Pandora de Bai Fan.

“Porque você tem isso?” A voz de Le Chang não tinha o tom de pergunta, mas de ordem.

Cai Bo com seu fraco cultivo no Dao da Purificação, não poderia nem pensar em resistir as palavras dele.

“Eu achei, há décadas, tentei destruir, mas não consegui fazer o menor dano...” – Cai Bo.

“Entendo... Parece que você não compreendia e por isso não sentiu...” Disse ele referindo-se ao fato de ele podia sentir perfeitamente a fraca Aura Demoníaca que emanava do objeto em suas mãos.

Ele então fez a Caixa levitar alguns metros acima de sua cabeça e na sua palma uma pequena esfera de Energia Yang lentamente foi formada, ele pressionou ela até ficar do tamanho de um grão de arroz e no instante seguinte, a atirou contra o objeto, como um raio.

A Caixa de Pandora por mais forte que fosse, foi destruída em um piscar de olhos, não restando absolutamente nada.

Cai Bo tinha sua boca aberta e era óbvia a total surpresa em sua face.

“Senhorita Cai Bo, diga-me, quando você percebeu as mudanças em sua mente?” – Le Chang.

“Ãh?!” Disse ela surpresa.

“Você notou, certo? É por isso que está assim, neste estado... Sua mente, nascida para a Energia Yang, afinal você é humana, está lutando com as transformações em sua mente causadas pela Energia Yin Impura de Demônio...” – Le Chang.

Ela não sabia o que dizer.

“Sabe, Cai Bo... A última pessoa que eu vi colocar as mãos sobre um objeto deste tipo, matou milhares de pessoas, colocou a vida de milhões em risco, fez atrocidades jamais vistas e mesmo você não tendo contato direto com o conteúdo no interior, eu sinto duas personalidades em você, uma maligna e poderosa e uma boa, mas fraca, como se estivesse em seus últimos suspiros...” – Le Chang.

Ao falar isto, um lampejo de luz passou nos olhos dele.

Le Chang havia dito isto porque agora tinha a Centelha da Energia Espiritual, sua capacidade de ler os outros era simplesmente surreal.

Ele então apareceu na frente de Cai Bo e ela não teve a menor chance de reação quando ele colocou o dedo indicador entre as sobrancelhas dela e enviou um fio de Energia Espiritual, junto da Energia Yin e Energia Yang, ao mesmo tempo ele também conectou sua Consciência com a da mulher.

E após alguns segundos, ele distanciou-se dela, seu dedo tremia e era possível ver lágrimas escorrendo nos olhos do garoto.

Seu rosto foi tomado por tristeza, angústia e indignação, suas expressões eram de dor intensa e seu cultivo foi agitado, seu corpo emanou uma Aura tão poderosa que todas as nuvens em um raio de cem milhas foram arremessadas para longe.

Cai Bo sentiu-se pequena e seus olhos não podiam crer no que estava a sua frente.

Atrás de Le Chang, um imenso Trono Dourado apareceu, nele havia um homem em seus trinta anos, igual a Le Chang, sentado sobre ele, emanando a mais pura soberania, o ápice do poder, aquele homem era tudo e era visível que ele havia dominado com perfeição a Energia Dourada, ou seja, em um momento de instabilidade emocional, o futuro de Le Chang refletiu no presente, por um instante, passado, presente e futuro tornaram-se um só.

“M... Meu pai... Meu pai... F.... Foi você?” A voz de Le Chang era trêmula, mas Cai Bo não pode permanecer diante da presença do jovem e caiu em direção ao solo após perder o controle de sua capacidade de flutuar.

Le Chang desapareceu, reaparecendo ao lado de Cai Bo e quando estavam a pouco mais de vinte metros, Le Chang moveu sua mão acertando um golpe diretamente no crânio da mulher a qual gritou de dor e cuspiu sangue ao entender que não possuía mais cultivo, seu Núcleo de Qi foi destruído.

“Cof! Cof! Cof! Cof!” Ela vomitou sangue ao cair de uma altura de vinte metros sem cultivo algum, o seu corpo era tão comum quanto de qualquer outra pessoa.

Ela sentiu seus pulmões sendo esmagados, suas costelas fraturadas, sua coluna rompida, seus braços quebrados e seu fêmur havia saído para fora de sua coxa, seu pé estava esmagado e sua mandíbula pendia para o lado.

Ela se afogava em seu próprio sangue.

Cai Bo levou com grande esforço seus olhos para o jovem que estava parado ao lado dela e a olhava com olhos ardendo em chamas, tão quentes e poderosas que poderiam transformar o inferno em cinzas.




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